quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano: Sessão Magna em homenagem a Joaquim Nabuco

No ano do Centenário de Morte de Joaquim Nabuco, o Instituto Cultural Dona Isabel I a Redentora nos repassa o convite do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. A instituição fará uma Sessão Magna comemorativa aos seus 148 anos, bem como pelos 356 anos da restauração Pernambucana e 100 anos do falecimento de Joaquim Nabuco. Segue o convite e a programação:



Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano
148 ANOS - PRO PATRIA ET VERITATE CONGREGAMUR


SESSÃO MAGNA - 28 DE JANEIRO DE 2010
(VER ABAIXO PROGRAMA COMPLETO DA SOLENIDADE)



(Clique para ampliar)



PROGRAMA


SESSÃO MAGNA - 2010
148 anos de fundação - 356 anos da Restauração Pernambucana
100 anos do falecimento de Joaquim Nabuco



Posse Solene dos Associados Efetivos
Profa. Dra. Gilda Maria Whitaker Verri
Prof. Dr. Alexandre Furtado de Albuquerque Correa



Posse Solene dos Associados Correspondentes
Dra. Jeanne Fonseca Leite Nesi
Prof. Onésimo Jerônimo Santos



Entrega do Título de Associado Benfeitor
Dr. Marcus Ramos



Entrega da Medalha Centenário da Confederação do Equador
Dra. Desembargadora Eneida Melo Correia de Araújo
Presidente do Tribunal Regional do Trabalho, 6ª Região



Entrega do Diploma Amigo do Patrimônio Histórico e Artístico
Dr. Celso Muniz de Araújo
Presidente da Associação Comercial de Pernambuco



Palestra
Joaquim Nabuco, infância e juventude
Dr. Humberto França



Lançamento
As duas faces de um mesmo monumento:
a Igreja e o Convento de Sto. Antônio do Carmo em Olinda, Pernambuco
de autoria do Prof. Dr. Fernando Guerra


Entrega Solene do Brasão de Pernambuco
Restaurado pelo LABORARTE - FUNDAJ
Coord. Antônio Montenegro



Coquetel


Auditório da FAFIRE – Av. Conde da Boa Vista, 921, Recife-PE
28 de janeiro de 2010, 19.30h
(Estacionamento disponível no local
sob gerência da Best Park)


O IAHGP TEM O APOIO



GOVERNO DO ESTADO - FACEPE - FUNDARPE - PAMESA

Visite a página do IAHGP: http://www.institutoarqueologico.com.br/ 


****


2010: ANO DO CENTENÁRIO DE
MORTE DE JOAQUIM NABUCO

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dona Maritza de Orleans e Bragança reconstrói os jardins do antigo Palácio da Princesa Dona Isabel

O jornal “O Globo”, em sua edição impressa do dia 23 de janeiro de 2010, no caderno “Ela”, página 4, traz uma reportagem sobre Dona Maritza, esposa do Príncipe Dom Alberto de Orleans e Bragança, portanto cunhada do Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança. A reportagem de Suzete Aché fala da profissão que Dona Maritza escolheu, o paisagismo. Recentemente ela esteve à frente das reformas dos jardins do Palácio Guanabara, antiga residência da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu, bisavôs de seu marido. Transcrevemos abaixo, parte da matéria:


Dona Maritza e Dona Isabel, Duquesa de Bragança 


“PAISAGEM REAL

Suzete Aché

Até a proclamação da República, o Palácio Guanabara serviu de residência à Princesa Isabel e ao Conde d´Eu e, ironia do destino, apesar da Família Real ter tentado, inutilmente, retomar a posse do imóvel, um de seus integrantes deixou agora sua marca no jardim do anexo.


A paisagista Maritza, casada com Alberto de Orleans e Bragança, foi escolhida através de uma concorrência para refazer o paisagismo desse jardim, que acaba de passar por reformas. É um de seus trabalhos mais recentes. Mas a suave princesa, mãe de quatro filhos - de 12 a 22 anos - apesar da curta carreira, tem uma lista de clientes de peso "real" (sem trocadilhos). Foi ela, por exemplo, quem projetou os jardins da Casa França-Brasil.

- Fiz faculdade de arquitetura e parei antes de me formar. Desde aquela época eu já gostava de paisagismo, mas não existia uma cadeira específica - conta ela.

Um ano depois de casada, Maritza foi morar em Londres com o marido e aproveitou para fazer cursos, visitar os castelos e os jardins da cidade e dos arredores. No Rio, freqüentou todos os cursos que abriam no Jardim Botânico e trabalhou um ano na Floresta da Tijuca.

- Chegava às oito horas da manhã e gostava muito da bruma que se formava - diz Maritza, que chegou a fazer estágio com Sérgio Bernardes e com Burle Marx.

[...]”



Palácio Guanabara, antiga residência da Princesa Dona Isabel e do Conde d'Eu



________________



Fonte: Jornal O Globo 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Hoje na História: Nascimento da Imperatriz Dona Leopoldina


S.M.I., a Senhora Dona Leopoldina, Imperatriz Consorte do Brasil


Nascia em 22 de janeiro de 1797, em Viena, nossa primeira Imperatriz, que foi também a grande incentivadora da Independência do Brasil.

Nascida Arquiduquesa da Áustria, era uma Habsburgo-Lorena, que foi, pelo casamento com o Imperador Dom Pedro I, Imperatriz Consorte e Regente do Brasil, Dona Leopoldina acabou por marcar profundamente a História brasileira, não só por ter nos dado nosso segundo Imperador Dom Pedro II, que dizem ter sido o melhor Estadista que o Brasil já teve, mas também pelo papel fundamental que desenvolveu quando da sua Regência, em agosto de 1822. Nesta época Dom Pedro havia ido a São Paulo para solucionar questões políticas, deixando Dona Leopoldina regente em seu nome. Quando a 2 de setembro, recebe informações de que Portugal estaria planejando ações que poderiam colocar em jogo a situação de Reino do Brasil, Dona Leopoldina convoca o Conselho de Estado e assina o decreto de Independência, enviando a Dom Pedro, em São Paulo, uma carta com pareceres de José Bonifacio e seus, sobre a questão, quando então Dom Pedro, as margens do Rio Ipiranga, nos dá a Independência de forma oficial.


Dona Leopoldina reunida com o Conselho


Para ler um pouco mais sobre Dona Leopoldina acesse: Semana da Pátria VI - Imperatriz Dona Leopoldina.

Dona Leopoldina morreu em 11 de dezembro de 1826, está sepultada na Capela Imperial do Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma homenagem às realezas do mundo no ano da “Royal Collection”


S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança, homenageado pela Caras Royal Collection


Nas comemorações do lançamento da Caras Royal Collection, o arquiteto e decorador Luiz Fernando Grabowsky foi o responsável pela criação de um lounge na Ilha de Caras, em homenagem a Casa Imperial do Brasil e a S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança, Imperador de jure do Brasil. A promoção Caras Royal Collection é apresentada por Paola de Sapieha-Rozansky e Orleans e Bragança, Princesa de Sapieha-Rozansky, trazendo esta homenagem a S.A.I.R. Dom Luiz, primo de sua mãe. A revista ainda traz homenagens a outras Casas Reais, num total de 17 ambientes voltados a temática monárquica.

Confira a matéria da Revista Caras - Edição 845 - Ano 17 - Número 03:

“Chefe da Casa Imperial Brasileira, D. Luiz de Orleans e Bragança (71) foi homenageado no gazebo, repaginado por Luiz Fernando Grabowsky (50). No ambiente de 160m², o arquiteto espalhou objetos com as cores da Bandeira Nacional. Depois, para remeter ao Império, ele estampou na parte branca da cortina o brasão do príncipe D. Luiz.


Detalhe do lounge homenageando S.A.I.R. Dom Luiz | Foto: Cadu Pilotto e César Alves


Para os móveis, optou pelos de fibra sintética, com estrutura de alumínio, e madeira, presente também em enfeites, como o leme. O conforto dos vips não foi esquecido pelo profissional: um sofá em L, chaises e poltronas compõem o ambiente. As almofadas, de tecido italiano, foram bordadas com o nome da família real. "Também usei a cerâmica Luiz Salvador, que reproduz as pinhas das casas coloniais, assim como os vasos clássicos", disse Grabowsky. Espalhados pelo cômodo, adornos de pássaros, como cacatuas e papagaios, e cocos de verdade remetem à fauna e à flora do país.”


Paola, Princesa de Sapieha-Rozansky, apresenta a homenagem da Caras Royal Collection: homenagem ao primo, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, S.A.I.R. Dom Luiz.



______________



            Revista Caras

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Vergonha: desvalorização do governo maltrata grande obra artística da Imperatriz Dona Teresa Cristina




Por Gougon, jornalista, mosaicólogo.


"[...]

Enquanto cuidava de suas filhas no jardim anexo ao Palácio de S. Cristóvão, no Rio de Janeiro, denominado então Jardim das Princesas, Dona Teresa Cristina fez revelar um de seus dotes artísticos pessoais, o mosaico. Como boa italiana, carregava na alma o gosto pela harmonia das tesselas e foi com conchas, recolhidas nas praias do Rio, e com cacos das peças de serviço de chá da Casa Imperial que recobriu os bancos, tronos, fontes e paredes do Jardim das Princesas, enquanto cuidava das filhas.

O estado das obras

São obras delicadas, algumas delas intactas, outras muito mutiladas, que ainda se encontram no local. O Palácio de S. Cristóvão foi sucessivamente habitado por D. João VI, logo após sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1808; depois por D. Pedro I e em seguida por D. Pedro II, até o banimento da família Imperial, imposto pelos militares em 1889. Dois anos depois, o Palácio foi transformado em Museu Nacional de Ciências Naturais, e desde 1891 não sofre alterações. É administrado hoje pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que mantém ali um corpo de pesquisadores. As peças de Ciências Naturais algumas delas reunidas ao tempo do Império são abertas à visitação, mas os mosaicos da Imperatriz são inacessíveis ao público. A área do Jardim das Princesas está fechada desde que, tempos atrás, a abertura do espaço ao turismo descontrolado resultou em retiradas de tesselas e outros objetos de decoração levados como souvenir.

Infelizmente, alguns dos trabalhos musivos de Dona Teresa Cristina estão muito danificados, antes pela depredação de pessoas inescrupulosas, hoje pela ação do tempo e pela exposição às intempéries. Atualmente, o local é totalmente vedado aos visitantes. Não faz parte do cotidiano de visita permitido pela direção do Museu. Para conhecer o trabalho da nossa Imperatriz, mulher de Dom Pedro II, que reinou por quase meio século, é preciso pedir autorização especial à administração do Museu.

A meu ver, parece que uma faceta importante da Imperatriz - a arte musiva - é praticamente ignorada pelos historiadores ou por quem tem responsabilidade neste país pela preservação da memória nacional. As obras de arte da Imperatriz estão se esvaindo no descuido, do lado de fora do Museu. Trata-se de espaço impenetrável. Nada se fala a respeito. Uma lástima. Poderia ser uma fonte importante de inspiração turística, poderia contribuir para que os brasileiros ou mesmo os visitantes estrangeiros tivessem contato com um aspecto muito simpático da mulher de Dom Pedro II.

A primazia

Todas essas obras têm data. Por circunstâncias do destino, a pesquisadora Maria Beltrão, do Museu Nacional, descobriu recentemente no recosto de um dos bancos no Jardim das Princesas uma inscrição rabiscada na argamassa, apenas com a data 29 de julho de 1852. É a data de aniversário de seis anos da Princesa Isabel. O gesto da princesinha acabou datando a obra da mãe.

A importância dessa datação é que a obra da Imperatriz e sua opção pelo uso de quebras de porcelanas no revestimento de bancos, fontes e paredes ocorre pelo menos 50 anos antes de Gaudi e Josep Jujol optarem pelo uso de azulejosa no revestimento de suas obras  no Parque Guell, na Casa Millá e na Casa Batló, em Barcelona,  todas dos primeiros anos do século XX.  Os mestres da Catalunha provocaram uma verdadeira revolução na história da arte musiva um pouco por toda parte. Claro que a iniciativa individual da nossa Imperatriz não tem a mesma grandiosidade que foi possível a Gaudi e Jujol, através de uma equipe de operários e artesãos. Mas trata-se inequivocamente de uma atitude de grande importância histórica, pela primazia de tê-la concebida em terras brasileiras, com os recursos possíveis para a época e de acordo com as circunstâncias do país. É obra para ser reverenciada por todos os artistas brasileiros e estrangeiros. Mais ainda: é para ser restaurada e exibida com orgulho pelos mosaicistas, especialmente os daqui e pelos italianos, compatriotas da Imperatriz, que se tornou mulher do nosso Imperador e mãe exemplar. Viria a falecer no Porto, em Portugal, pouco depois da partida inglória para o exílio, determinada pelos republicanos. Seus restos mortais, assim como os do Imperador, descansam hoje na Catedral de Petrópolis, desde o translado, ocorrido em 1922, por ocasião da revogação do banimento pelo presidente Epitácio Pessoa, ao se dar conta de que era impraticável comemorar o centenário da independência brasileira sem a presença dos descendentes do nosso primeiro Imperador.

Um primeiro estudo

Ainda sobre o Jardim das Princesas, o único estudo conhecido sobre a área foi realizado pela arqueóloga Maria Beltrão, do Museu Nacional, em meados dos anos 90 e transformado em publicação avulsa do Museu nacional em 1997. A arqueóloga realizou algumas escavações na área, dentro de um projeto histórico que visava conhecer o passado dos que habitaram a área circundante ao Palácio, antes de se tornar residências da s famílias Real e Imperial. Na descrição que a professora faz do Jardim das Princesas, chega a classificar, uma a uma, as diversas conchas recolhidas pela Imperatriz (Patellidae, Trochidae, Arcidae, etc. etc. etc.), mas passa rápido pelos fragmentos de louça, assinalando apenas serem "em sua maioria inglesas". Como arqueóloga, o trabalho tem lá sua importância. Mas falta o olho artístico para perceber o alcance da obra musiva da Imperatriz. Ao menos recolhe, no recosto de um banco, o detalhe que me faltou quando visitei o espaço: a data de aniversário de seis anos da princesa Isabel. Distanciada da questão posta pela autoria artística, a arqueóloga chega a imaginar que as obras musivas sejam de autoria da princesa Isabel, com ajuda das aias, o que é absolutamente improvável. A qualidade do trabalho, a harmonia, a criatividade, a escolha das peças, dos fragmentos das louças, e outros elementos não deixam a menor sombra de dúvida sobre a autoria de alguém mais amadurecida e de espírito mais refinado, seguramente a Imperatriz Teresa Cristina."






_______________




Fonte: Mosaicos do Brasil

domingo, 17 de janeiro de 2010

Joaquim Nabuco: Centenário de Morte




"Como vê, sou um homem de uma só idéia, mas não me envergonho dessa estreiteza mental porque essa idéia é o centro e a circunferência do progresso brasileiro."


Joaquim Nabuco hoje é nome de fundação, de instituição de ensino, de ruas e até de cidade, mas pouca gente sabe quem foi este homem. É no Centenário de sua morte que devemos trazer a biografia de Joaquim Nabuco, e nele nos inspirarmos. Trazer a discussão o patriotismo e as ações deste grande monarquista. 

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de agosto de 1849, era membro de uma importante família do Império, tendo antepassados que pairaram na vida pública do Brasil. Era filho de José Tomás Nabuco de Araújo Filho, jurista, Senador do Império e Presidente da Província de São Paulo, e de Ana Benigna de Sá Barreto Nabuco de Araújo, sendo de tal forma, neto de José Tomás Nabuco de Araújo, Deputado Geral, Ministro de Justiça e Senador do Império. Era sobrinho, por parte materna, do Marquês do Recife, Francisco Paes Barreto. Descendência, pois, de grandes famílias do nordeste brasileiro, os Nabuco de Araújo, da Bahia, que desde o Primeiro Reinado contribuíam com Senadores ao Império, mas também descendência dos Paes Barreto, que tinham grande influência e poderio desde o século XVI em Pernambuco. 

Nabuco teve formação sólida. Em 1857 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou humanidades no prestigiado Colégio Pedro II, bacharelando-se em Letras. Aos 15 anos publicou Ode à Política, obra com que obteve elogios de Machado de Assis, aos 18 anos apresentou o drama O destino, que teve como espectador Dom Pedro II.  Em São Paulo, no ano de 1865, estudou os três primeiros anos de Direito, formando-se, mais tarde, em 1870, no Recife. De retorno ao Rio, publicou seu primeiro livro, Camões e Lusíadas. Publicou anteriormente entre 1864 e 1869, três obras, O gigante da Polônia, O povo e o trono e Le droit du meurtre

Em 1872, Joaquim Nabuco herdou da madrinha, dona Ana Rosa Falcão de Carvalho, o Engenho Serraria, vendendo-o, foi à Europa, numa viagem de “instrução”, que aproveitou para fazer contatos com intelectuais e políticos. Indo a Londres, apaixonou-se pelo povo inglês, pela geografia daquela terra, e mais ainda pela monarquia parlamentar daquele país. Em 1876 foi enviado a Washington, como adido de primeira classe, incorporando-se ao Serviço Diplomático do Brasil e lá permaneceu de 1876 a 1878.

Joaquim Nabuco, por veia familiar e por personalidade própria, sempre teve gosto pela política, esta atração encaminhou-o para a eleição, em 1878, que o fez Deputado por sua província, quando então passou a residir no Rio de Janeiro. A entrada de Joaquim Nabuco na política foi o marco inicial de sua luta pela Abolição, luta esta que tinha o apoio da Família Imperial, sobretudo de Dona Isabel. Em 1880, Nabuco funda em sua casa, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Em 1882, muda-se para Londres, pois havia perdido a reeleição. Na capital inglesa vive do exercício da advocacia e do jornalismo, sendo representante do Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Em Londres, no ano de 1884, escreveu O abolicionismo, tido como uma de suas grandes obras.

De volta ao Brasil em 1884, Nabuco fez campanha para seu retorno à Câmara dos Deputados, defendendo mais uma vez o abolicionismo. Sua campanha apaixonada e seus discursos eloqüentes, deram origem ao livro A campanha abolicionista, publicado em 1885, no mesmo ano saiu vitorioso nas eleições, mas foi expurgado pela Casa para a qual havia sido eleito, fato que causou comoção geral e indignação aos pernambucanos. Erminio Coutinho e Francisco Cavalcanti renunciaram aos seus mandatos de Deputado, colocando Nabuco novamente na Câmara. Lá defendeu a lei dos sexagenários e o federalismo. Em 1886 perdeu as eleições e passou a dedicar-se ao jornalismo, escrevendo e publicando compilações: O erro do Imperador, O Eclipse do Abolicionismo e Eleições liberais e eleições conservadoras, todas publicadas em 1886.

Joaquim Nabuco, em 1887, volta à Câmara novamente, elegendo-se historicamente por Pernambuco. No ano seguinte vai a Roma, encontrar o Santo Padre Leão XIII, ocasião em que relatou a luta pela abolição da escravatura no Brasil, as ações dos abolicionistas, as ações de Dona Isabel. Atribui-se a Nabuco a influência possivelmente exercida sobre o Sumo Pontífice para que elaborasse a encíclica In Plurimis, dirigida aos Bispos do Brasil, pedindo-lhes que desse apoio ao Imperador, à sua filha, Dona Isabel, à Família Imperial, na luta contra a escravidão, contra as oligarquias e na abolição da escravidão de forma definitiva. 

Em 1888 é composto o Gabinete de João Alfredo, com vistas à aprovação da lei que colocaria fim a escravidão no Brasil. A este Gabinete e aos projetos abolicionistas de João Alfredo, Nabuco deu total apoio, chegando ao auge quando da sanção da Princesa Dona Isabel à Lei Áurea.

Disse Nabuco:

“No dia em que a Princesa Imperial se decidiu ao seu grande golpe de humanidade, sabia tudo o que arriscava. A raça que ia libertar não tinha para lhe dar senão o seu sangue, e ela não o queria nunca para cimentar o trono de seu filho. A classe proprietária ameaçava passar-se toda para a República, seu pai parecia estar moribundo em Milão, era provável a mudança de reino durante a crise , e ela não hesitou: uma voz interior disse-lhe que um grande dever tem que ser cumprido, ou um grande sacrifício que ser aceito. Se a Monarquia pudesse sobreviver à abolição, esta seria o apanágio. Se sucumbisse, seria o seu testamento...”

Em 1888, Joaquim Nabuco fez um de seus maiores discursos na Câmara dos Deputados. Saiu em defesa de João Alfredo, de Dona Isabel e da Abolição, contra os escravagistas. No ano seguinte, casou-se com dona Evelina Torres de Soares Ribeiro, filha do Barão do Inhoã e neta do Barão de Itambi, de família influente de fazendeiros da região de Maricá, da Província do Rio de Janeiro. Tiveram 5 filhos: Mauricio, Joaquim, Carolina, Mariana e José Tomás. 

Ainda no fatídico ano de 1889, Nabuco foi eleito para mais uma legislatura, quando manifestou o medo da queda da Monarquia no Brasil. Em 15 de novembro daquele ano, Nabuco amargou a data, mas com firmeza em suas convicções, estas arraigadas em seu íntimo e desde tão cedo cultivadas, que na data do golpe manifestou seu posicionamento a favor da Monarquia.

Em 1890, antevendo sua convocação para a Constituinte de 1891, publica a compilação Porque continuo a ser monarchista, carta ao Diário do Commércio, a qual reproduzimos no final deste texto e que agora grifamos uma parte:


“A história recordará como uma das mais originais essa monarquia brasileira que não era militar, nem clerical, nem aristocrática, e por isso derribada pelo exército, depois da revolta do escravismo, entre a indiferença da igreja. Se o Brasil fosse uma das grandes nações do mundo, seria uma grande casa reinante essa curta dinastia que deu a metade do seu trono para fazer a Independência e a outra fazer a Abolição.


Estou pronto a dizer-me republicano, mesmo com a certeza da restauração diante de mim, se se modificar em meu espírito a convicção de que a república no Brasil há de ser fatalmente uma forma inferior de despotismo, desde que não pode ser uma forma superior de anarquia; não basta, porem, a certeza que tem todos de que a monarquia não voltará mais, para eu deixar de ser monarquista.


Monarquista sem esperança de monarquia, para que serve?


Serve para não ser republicano sem esperança de liberdade. ”


Em 1891, Rodolfo Epifâneo de Souza Dantas fundou o Jornal do Brasil, contando com a colaboração de grandes nomes, como José Veríssimo, José Maria da Silva Paranhos Jr., Aristides Spínola e Joaquim Nabuco. O jornal era reduto monarquista, defendia a volta do Regime Imperial. No mesmo ano, Joaquim Nabuco abriu escritório de advocacia em sociedade com o Conselheiro João Alfredo, antigo ministro do gabinete pró-abolição, que Nabuco havia defendido em 1889.

O dever dos monarchistas, escrito por Joaquim Nabuco em 1895, e que oportunamente iremos reproduzir neste espaço, serviu como resposta ao almirante Jaceguay, que havia escrito O dever do momento, que defendia a república. Este monarquismo de Nabuco foi reforçado em 1896, com a publicação no Jornal do Commercio, do Manifesto do Partido Monarquista, que haviam recém fundado, Nabuco, João Alfredo, Lafaiete Pereira, Afonso Celso, Visconde de Ouro Preto e outros de renome.

Sem aceitar os cargos que lhe ofereciam na república, Joaquim Nabuco entre os anos 1893 a 1899, dedicou-se a escrever artigos para revistas e jornais, destacando-se sobremaneira. Em 1895 publica Bamaceda, sobre a guerra cível chilena e A intervenção estrangeira na Revolta de 1893. Em 1896 publica Um estadista do Império, nesta obra avalia a vida do Senador Nabuco de Araújo, seu antepassado. 

Joaquim Nabuco tornou-se de fato “Imortal” em 1896, quando junto de grandes nomes da literatura, fundou a Academia Brasileira de Letras, sendo Nabuco, o secretário perpétuo desta honrosa instituição. Fundador da cadeira de número 27. No mesmo ano foi convidado aos quadros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Ufano, mesmo na república, no ano de 1899, Joaquim Nabuco aceitou defender seu país frente à Guiana Inglesa, numa questão internacional que teve como árbitro o Rei Victor Emmanuel da Itália. Em 1900, dizendo-se apenas plenipotenciário em missão especial, por causa da morte de Sousa Correa em Londres, Nabuco aceitou de fato o seu primeiro cargo na república, mais tarde tornou-se chefe da legação do Brasil na Inglaterra.   

Mesmo sendo funcionário da república, não encarou sua tarefa como sendo de governo, mas sim de Estado, notadamente depois de 1889, não mais se candidatou a cargos no parlamento, mas agiu somente na diplomacia, tarefa genuinamente de Estado, de serviço à nação, apartidária e essencialmente patriótica. Segundo o livro Joaquim Nabuco - Diários 1873-1910, da Bem te vi Produções Literárias, Rio de Janeiro - 2006, em 1900, estando Nabuco em Paris, encontrou-se com a exilada Princesa Dona Isabel, num Congresso anti-escravagista. Em 1903 repete o feito de 1900, enviando a 13 de maio, flores à Princesa Redentora, ao que ela agradece com um telegrama.

Enfim, em 1900, lança Minha formação, com suas memórias e em 1903, em O direito do Brasil, defendeu através das letras a posição brasileira na controversa situação Brasil - Guiana Inglesa - Inglaterra.        

Em 1905, dada a criação da Embaixada do Brasil na capital norte-americana, Joaquim Nabuco é destacado para servir como embaixador do Brasil, sendo recebido por Teodoro Roosevelt. Muito prestigiado, Nabuco palestrou nas mais diversas instituições de ensino dos Estados Unidos, chegando em 1906, a organizar a III Conferência Pan-americana, no Rio de Janeiro.

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo faleceu aos 17 dias do mês de janeiro de 1910, na condição de embaixador em seu posto de Washington. 

Sua descendência não envergonha sua ascendência ilustre, vindo seu trineto, Bernardo de Almeida Braga Rato, a casar-se com uma descendente do fundador do Império do Brasil, sendo ela Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, filha de Dom Eudes e Dona Mercedes, por conseqüência neta de Dom Pedro Henrique, Chefe da Casa Imperial do Brasil, de 1921 a 1981, este, neto da Princesa Dona Isabel e bisneto do Imperador Dom Pedro II. Bernardo de Almeida Braga Rato é descendente de Joaquim Nabuco por sua mãe, Maria do Carmo Nabuco de Almeida Braga, esta, filha de Sylvia Maria da Glória de Mello Franco Nabuco, sendo por sua vez, filha de José Tomás Nabuco de Araújo, e este, filho de Joaquim Nabuco. 

Joaquim Nabuco: jurista, político, diplomata, jornalista, escritor. Monarquista. 2010, ano do Centenário de sua morte, saudamos e reverenciamos este grande homem público, este monarquista incompreendido, este homem que desafiou suas origens, saudamos este Joaquim Nabuco, abolicionista. Este que não é apenas Imortal pela Academia Brasileira de Letras, mas Imortal por seus feitos, suas ações, suas obras e suas lições. Saudamos Joaquim Nabuco.



Leia o opúsculo Porque continuo a ser monarchista, 1890, de Joaquim Nabuco, basta clicar para ampliar a miniatura. Trabalho que se encontra sob a égide da Fundação Joaquim Nabuco:
















****




2010: ANO DO CENTENÁRIO DE
MORTE DE JOAQUIM NABUCO  

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Centenário da Morte de Joaquim Nabuco: Missa no Rio de Janeiro

A Academia Brasileira de Letras em conjunto com a Associação Cultural da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, têm a honra de convidar para a Missa comemorativa do Centenário de Morte de Joaquim Nabuco, a celebrar-se no dia 17 de janeiro de 2010, às 10h e 30mim, na Igreja da Candelária, Praça São Pio X, no centro do Rio de Janeiro, por Sua Excelência Reverendíssima Dom Orani João Tempesta, O.Cist, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro.


(Clique para ampliar)




****




2010: ANO DO CENTENÁRIO DE
MORTE DE JOAQUIM NABUCO

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Museu Imperial avisa:


(Clique para ampliar)


-----------------------

Visite o Museu Imperial
Rua da Imperatriz, 220
Centro - Petrópolis

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Juventude Monárquica de Lisboa: "Eu quero um Rei, e Tu?"

A Juventude Monárquica de Lisboa está sob nova presidência e convida para um jantar onde tomará posse a nova administração e onde tornarão públicos os planos de atividades para o corrente ano:


(Clique para ampliar)



Nova direção


Presidente: Duarte Seabra Calado

Vice-Presidente: Francisco Franco de Sousa

Secretário: Pedro Rodrigues de Castro

Tesoureiro: Tomás Mello Breyner

Vogais: João Júlio Teixeira, Pedro Miguel Lira, Filipa Xavier

Vogais Suplentes: Mariana Marques Guedes,
                                Mariana Guimarães,
                                Pedro Lopes Martins,
                                Joana Sarmento Bordalo,
                                Catarina Matos Correia.



---------------------------------



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Dom Pedro Luiz completaria 27 anos




O falecido Príncipe Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança, estaria hoje completando 27 anos.




Dom Pedro Luiz faleceu no trágico acidente da companhia aérea Air France, vôo 447, Rio-Paris, que vitimou fatalmente mais de 200 pessoas no dia 31 de maio de 2009.

O Príncipe nasceu em 12 de janeiro de 1983, no Rio de Janeiro, filho primogênito de Dom Antonio, 3º na linha de sucessão ao Trono do Brasil e de Dona Christine, nascida Princesa de Ligne. Dom Pedro Luiz ocupava o quarto lugar na sucessão dinástica, era sobrinho do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança.



Dom Pedro Luiz, no ano de 1999, passou a ser Presidente de Honra da Juventude Monárquica do Brasil, era formado em Administração de Empresas pelo Ibmec e Pós-Graduado em Economia pela FGV. Desde 2005 vivia no Luxemburgo, onde o Soberano, o Grão-Duque Henri, é primo irmão de sua mãe. Lá trabalhava no Banco Paribas, um dos maiores e mais conceituados bancos da Europa.




O Príncipe estava de férias no Brasil e no dia 31 de maio de 2009 retornava à Europa para o recomeço de suas atividades profissionais, data esta em que o avião desapareceu no Oceano Atlântico.

O desaparecimento do vôo e os dias que se sucederam, deram a certeza de que eram mínimas as chances de sobrevivência. A tragédia gerou comoção em todo o mundo. Missas foram realizadas em todo Brasil e no exterior. Em Portugal, Dom Duarte, Duque de Bragança, primo de Dom Pedro Luiz, fez celebrar missa em sufrágio ao Príncipe. Na Bélgica os Príncipes de Ligne e os Reis da Bélgica mandaram celebrar missa pela alma de Dom Pedro Luiz, onde compareceram inúmeros membros da nobreza européia e amigos do falecido.

Em nota, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, disse: “D. Pedro Luiz - até então, 4º na linha de sucessão dinástica - era um jovem Príncipe que despontava na sua geração como uma promessa, suscitando o interesse e a atenção de muitos, por seu modo aprazível, por suas inegáveis qualidades e pela tradição que representava.”

[...]

“sua presença era especialmente querida entre aqueles que acreditam ser o regime monárquico uma solução adequada para o Brasil hodierno.”




Dom Pedro Luiz era a esperança dos monarquistas do Brasil, nele recairia um dia as atribuições de Chefe da Casa Imperial. Com sua morte, Dom Rafael passou a ser o 4º na linha de sucessão. 

sábado, 9 de janeiro de 2010

Hoje na História: Dia do Fico


S.M.I., o Senhor Dom Pedro I, Imperador do Brasil




" Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico "



O famoso “Dia do Fico” deu-se em 9 de janeiro de 1822. Data em que o Brasil teve a primeira grande prova do amor de seu primeiro Imperador.

O então Príncipe Regente do Brasil, o Príncipe Dom Pedro de Alcântara, futuro Dom Pedro I do Brasil, no dia 9 de janeiro de 1822, negando aos veementes pedidos das Cortes portuguesas, para seu retorno a Portugal e tendo recebido um manifesto pedindo que ficasse no Brasil, assinado por mais de 8 mil brasileiros, disse: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". Num gesto que o indispôs com os portugueses e que afrontou o Rei Dom João VI, seu pai.

Se Dom Pedro tivesse cedido aos apelos das Cortes de Portugal, corria-se o risco do Brasil voltar a ser uma mera colônia, desfazendo-se todo o progresso que Dom João VI havia feito pelo Brasil na sua estada de 1808 a 1821.

Com o “Dia do Fico”, a Independência do Brasil estava próxima.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dom Luiz de Orleans e Bragança, O Príncipe Perfeito - Manifestos de 1909 e 1913

Publicamos os Manifestos de 1909 e 1913, de Dom Luiz de Orleans e Bragança. Transcrevemos o referido manifesto, com a devida concessão, a partir do Boletim “Mensagem”, órgão do Círculo de Estudos Brasileiros "João Camillo de Oliveira Torres", de Porto Alegre, que teve circulação nacional e internacional. Circulou de setembro de 1972 a dezembro de 1975 (15 números). Deixou de ser publicado, pois o seu redator responsável, o jornalista e advogado gaúcho Paulo Palmeiro Mendes, entrou na vida monástica (ele ingressou em fevereiro de 1976 no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro: é Dom José, hoje Abade Emérito deste Mosteiro - foi o último Abade territorial do Mosteiro, de 1992 a 2003 - continuando muito presente em eventos monárquicos e em celebrações litúrgicas envolvendo a Família Imperial.

Sobre Dom Luiz, clique e leia: Dom Luiz, o Príncipe Perfeito 


Os manifestos, um já centenário e o outro a beira de completar seus cem anos, refletem os reais problemas da república do Brasil, toda a incapacidade do regime, que já nasceu inútil e desnecessário. Nestas duas manifestações do Príncipe Dom Luiz, vê-se a disponibilidade da Família Imperial em reassumir as atribuições que lhes são de direito. Vê-se a perspicácia do Príncipe, a atualidade do que escreve, as francas e modernas idéias que defendia. Nota-se uma grande exposição dos problemas que naquela época já afligiam o país e hoje só fazem aumentar. Leiam os Manifestos:



Manifesto de 1909



"Senhores membros do Diretório Monarquista




A renúncia de meu irmão Pedro a seus direitos de primogenitura, a posição de príncipe imperial em que ela me coloca e a autorização que meu deu minha mãe de entender-me diretamente com os Senhores, incita-me a manifestar-lhes minha opinião sobre o programa político que me parece mais conveniente adotar para a realização do fim que almejamos.


Vinte anos quase de crises da máxima intensidade e das mais dolorosas conseqüências para o prestígio do país e o bem-estar dos seus habitantes, o adiamento das soluções dos problemas, cuja definitiva realização mais importa ao desenvolvimento da vida nacional, o enfraquecimento dos laços de coesão do Brasil, título de glória do regime imperial, a oligarquia que campeia desenfreadamente pelos Estados, a paralização das indústrias nacionais ou a fictícia prosperidade das que se mantêm pelo sistema nefasto de um protecionismo que encarece e dificulta a vida, bem mostram que não é o mais conveniente, nem proveitoso para o Brasil, o regime imposto a 15 de novembro de 1889.


O progresso seguro e persistente que a Nação apresentou entre sua independência e a hora em que desapareceu o império, demonstraria que a mais favorável das formas de governo para ela, era a que lhe permitiu um frutuoso e pacífico progredir em tão largo período de fecundas evoluções; mas, assim como o benéfico regime com que se tornou benemérito o Sr. Dom João VI foi mister substituir o da Constituição Imperial e do Ato Adicional, quando as condições da existência do país foram outras, também agora uma restauração monárquica, conservando as linhas gerais daquelas duas cartas constitucionais, deverá atender circunstâncias novas que tornam forçosas modificações na estrutura das instituições políticas brasileiras.



FEDERAÇÃO




I. – Assim julgo que a Federação já perfilhada, aliás, no programa do último Ministério Imperial, deverá ser mantida, não na tendência à completa autonomia atual, mas no sentido de garantir o livre desenvolvimento econômico de cada Estado da União brasileira. Homogêneo, unido, poderoso e forte perante o estrangeiro, pode o Brasil permitir que cada região de seu vasto território na sua administração e política interna atue como mais acertado seja para florescer dos seus recursos, de acordo com as indicações do seu solo e produção.


Isto não quer dizer que o sistema atual não careça de modificações: assim que a autonomia dos municípios não pode ser o que aí está. Municípios há que já gravaram gerações futuras, pro meio século, talvez, com empréstimos exorbitantes, dilapidados sem deixarem frutos que remanesçam. É indispensável que a vida econômica dos municípios ande de acordo com a duração do mandato da respectiva Câmara. Não é autonomia a liberdade dada aos vereadores de hoje, de acorrentar como cativos os seus conterrâneos, inibidos de outra atividade que não seja pagar dívidas e mais dívidas, sem meios no orçamento para obras novas e as vezes sem sobras que facilitem a conservação das obras passadas mal empreendidas.



FORÇAS AMADAS




II. – Paralelamente e essa Federação e como meio de atenuar os inconvenientes da diminuição da influência direta da ação governamental do centro e para maior prestígio, força e segurança do país, deverá a restauração dedicar especial carinho ao principal traço de união entre a sede da Federação e os Estados. Isto é, a constituição de um Exército e de uma Marinha proporcionais à população de seu vasto território e as suas dilatadas costas marítimas e fluviais.


Para nobilitar estas instituições é indispensável que a monarquia galardoe os serviços militares com títulos de nobreza e distinções honoríficas, coisas que falam acima de tudo ao patriotismo das classes aramadas. É necessário também que sejam garantidos aos militares o bem-estar e a consideração que lhes competem, assim como a certeza de não serem olvidados os serviços prestados. Enfim, os príncipes da casa reinante deverão pertencer efetivamente ao Exército ou a Marinha, incitando por exemplo os moços à nobre carreira das armas.



INSTRUÇÃO, JUSTIÇA




III. – A instrução não deverá ser obrigatória, mas completamente livre, sujeita à fiscalização do governo só no que diz respeito aos exames. A liberdade de ensino e a autonomia que a tal respeito compete aos pais de família são a conseqüência forçada do respeito à liberdade individual que é, por assim dizer, a liberdade essencial.


IV. – É absolutamente indispensável que a justiça seja unitária e independente. Uma das chagas mais vivas da República é, sem dúvida, a péssima justiça que hoje existe no Brasil; e contra seus desmandos não há recurso dentro das malhas da organização da magistratura dupla que o novo regime adotou. A diversidade do processo vai também pouco-a-pouco tornando diverso o direito; daqui a pouco ser-nos-á difícil dizer: o direito brasileiro, mas teremos de especificar o direito paulista, o direito mineiro, etc. é por aí que se está quebrando um dos mais fortes vínculos de coesão nacional. Magistratura e processo unus: pois idêntico o direito e semelhantes os hábitos e necessidades dos brasileiros, admissível não é que diversas sejam as garantias e regras de viver nas diferentes circunscrições do país.



TRANSPORTE, COMÉRCIO E INDÚSTRIA




V. – A viação pública bem aplicada é não só melhor fomento da indústria e da agricultura, mas também o principal fator do progresso nas regiões do nosso tão abandonado sertão. Aonde não puderam chegar as ferrovias, que cheguem aos menos as estradas de rodagem, de modo que não haja mais terras ínvias. Até os últimos recantos do país se espalharão então a instrução primária e a catequese. Aliás, a resolução deste magno problema já foi encarada como todo o carinho pelos governos de meu saudoso avô. Basta ver-se o que diz a esse respeito o Sr. Miguel Calmon du Pin e Almeida, no seu último relatório:


“A viação férrea, depois de ter recebido considerável impulso no decênio que precedeu a proclamação da República, conservou-se nos últimos anos mais ou menos estacionaria, em conseqüência sem dúvida da crise financeira que nos oprimia. O diagrama junto ao relatório mostra-nos que o período de mais atividade na construção das estradas de ferro foi o decorrido de 1882 a 1888, em que a média anual atingiu a 800 quilômetros; no último qüinqüênio (o mais fecundo), esta foi inferior a 400 km. Durante o ano findo, concluíram-se cerca de 800 km. de estradas, mas só foram entregues ao tráfego 439 km.” (Jornal do Comércio, 13 de setembro de 1908).”


VI. – Um dos fatores mais importantes do desenvolvimento material de um país, foi sempre a expansão de seu comércio e da sua indústria. Neste sentido convém que sejam dadas à iniciativa individual as maiores facilidades e garantias. A ação do governo deve limitar-se a regularizar a situação econômica por um protecionismo moderado e variável com as necessidades do momento, devendo também ser defendido o consumidor: a fazer tratados de comércio com as principais nações importadoras e a estabelecer prêmios de exportação quando a situação das finanças o permitir.



O PROBLEMA SOCIAL




VII. – Nem deverá a monarquia esquecer-se dos grandes problemas que precisam de uma solução na sociedade moderna. Fomentar a aliança do capital e do trabalho por leis similares, porem adaptadas a nossas condições econômicas, às das grandes monarquias européias, tais como Alemanha, Inglaterra e Itália, dissipar por esse meio as desconfianças que hoje existem entre as duas classes produtoras, garantir o trabalho dos operários o trabalho e o capital dos patrões são reformas essas que um governo de forma monárquica muito melhor do que qualquer outro pode encarar; pois estável a detenção do poder em uma família, o Chefe do Estado não precisa cortejar o voto do proletário, nem pedir o auxílio dos ricos para as campanhas eleitorais.



IGREJA E ESTADO




VIII. – Ressalvada a separação da igreja e do Estado, mas sendo a grande maioria da nação católica, assim como a família reinante é de necessidade um novo ajuste com a Santa Sé para a regularização dos negócios de recíproco interesse, não sendo menos importante a catequese dos índios, serviços de que só é capaz com eficácia e caridade inextinguível das ordens religiosas.


Não deve ser extinguido em absoluto dos estabelecimentos públicos o ensino da religião, base mais segura da moral e conforto principal nos sofrimentos desta vida. Neste ponto, como em outros, devem prevalecer os votos dos pais de família.



CONSELHO DE ESTADO E O SENADO




IX. – O conselho de Estado, tão injustamente criticado outrora, deve ser restabelecido. O caráter vitalício de seus membros assegurando a permanência de representantes dos diversos partidos políticos constitui uma garantia da imparcialidade tão necessária; e as luzes aí reunidas são para a corôa valioso auxilio na decisão das questões mais importantes, quer de política internacional, quer de política interior ou de administração.


X. – O Senado seja vitalício como outrora, mas com certos aperfeiçoamentos que lhe dêm ainda maior estabilidade; um terço por exemplo de seus membros seja de nomeação da corôa. É um modo justo e digno de galardoar com posição eminente os homens que nunca militaram na política, como generais, magistrados, industriais, etc., e que por suas luzes e prestígio serão ornamento dessa assembléia e daí poderão prestar ao país inestimáveis serviços.



RECOMPENSA AO MÉRITO




XI. – Devem ser restabelecidas as ordens honoríficas, mediante as quais se assinalem e recompensam serviços públicos relevantes e se enaltecem de um modo bem acentuado as virtudes exemplares de certas famílias. A monarquia precisa recompensar nos filhos os méritos dos pais a quem a morte levou sem o devido galardão, e, como ela virá para cuidar do futuro e não para tomar conta ao passado, não terá culpados que punir, antes terá beneméritos que premiar, ainda dentre os que, escutando simplesmente a voz do patriotismo deram seus auxílios à República e prestaram relevantes serviços à Nação.


Em resumo: a grande, e por assim dizer, única preocupação do regime imperial deve ser e será o desenvolvimento moral, intelectual e material do país. Queremos um Brasil grande, forte e próspero, queremos que nossa pátria, regenerada, tornem a desabrochar as grandes virtudes que fizeram a glória do reinando de meu avô: a honestidade, o desinteresse pessoal, a justiça e a imparcialidade.



* * *




Para que o governo seja o que deve ser, é preciso que seus órgãos tenham cada qual seu papel bem definido. Limite-se o Executivo a suas atribuições naturais: diplomacia, defesa interna e externa do país, assuntos de interesse geral da União. Os corpos legislativos contentem-se com ser como seu nome indica, as assembléias majestosas em que se elaboram leis de maior proveito para a nação. O Poder Judiciário, respeitada sua justa independência, não tenha senão uma preocupação, distribuir completa e igual justiça a todos. Enfim, a mais ampla liberdade eleitoral, o respeito do direito das minorias, a formação de partidos sólidos com programas políticos bem definidos, superiores às mesquinhas questões de interesse individual, devem ser artigos irredutíveis do nosso programa, resumido nestas palavras: pouca política, boa administração. Deste modo tornaremos a fazer do Brasil o que já foi, um Brasil onde se consorciem a ordem com a liberdade, o capital com o trabalho, o progresso com a probidade, o respeito ao governo com a inviolabilidade de todos direitos garantidos pela Constituição.




Deus nos preste seu auxílio.




Luiz de Bragança”






-----------







Manifesto de 1913




“Brasileiros




Em seu manifesto de 12 de janeiro de 1896, os venerados chefes do Partido monarquista dirigiram à Nação as seguintes palavras:


‘A subversão do nosso regime político a 15 de novembro, rápida e instantânea como o efeito de um cataclismo, não permitiu que se lhe opusesse imediata resistência ativa... Suprimidas desde logo as liberdades públicas, as amplas liberdades sob as quais nasceu e vivia o Império Brasileiro, e mais tarde destruída ou reduzida ao silêncio a imprensa que se aventurou a moderadas censuras, era de fato inútil qualquer esforço para que a vontade nacional saísse de urnas eleitorais cavilosamente preparadas para a mais ousadas burlas por uma regulamentação “ad-hoc”.


Nestas circunstâncias, só restava aos monarquistas esperar pelas promessas da República, ruidosamente afirmadas na mesma ocasião em que se fazia retumbar por toda a parte a infamação da monarquia.


Se aquela, apesar do vício original, entregue a si mesma, sem cooperação suspeita, nem o menor entrave dos adversários naturais, conseguisse mostrar-se mais benéfica, não haveria, a começar pela família imperial, um só obstinado que recusasse e deixasse de agradecer a melhoria.


Mas, decorridos quase seis anos, a consciência pública, o fôro íntimo dos próprios republicanos de boa fé compara os fatos e só registra decepções e desastres. ’



ANOS DE DESVARIOS




Essas palavras de justiça e de patriotismo, escritas em 1896, poderíamos repetí-las hoje, com a autoridade que lhes conferem mais dezoito anos de desvarios e de desmandos, dezoito anos de uma experiência desastrosa para as instituições implantadas no Brasil pelo ato inconsciente de alguns revoltosos.


Pacientes e resignados, esperamos até agora a realização das sedutoras promessas e, embora com o coração a sangrar, assistimos, espectadores silenciosos, aos vexames sem conta infligidos à nossa Pátria estremecida.


Hoje, porem, faz-se repentinamente sentir um sopro de reação contra tantas misérias; o povo, farto de ser explorado pelos próceres do atual regime, volve saudoso as vistas para os tempos felizes do império; acudindo ao apelo dos seus chefes legítimos, os monarquistas erguem a cabeça. Chegou a hora de pedirmos contas à República, pondo nas conchas da balança os serviços que ela tem podido prestar ao país e os sacrifícios que ela lhe tem imposto.



O PROGRESSO DO IMPÉRIO




O movimento de 15 de novembro encontrou o Brasil em um período de inexcedível progresso material.

Extinta a chaga secular da escravidão, já se organizava o trabalho livre: repletos os cofres públicos, graças á excelente administração dos últimos governos, as finanças nacionais atingiram no ano que precedeu à queda do regime, a uma prosperidade nunca vista no Brasil; as invenções técnicas que caracterizam o fim do século XIX vinham dar um novo incremento a todas as indústrias; a eletricidade, a grande produtora da energia nos países dotados, como o nosso, de inesgotáveis forças hidráulicas, entrava então no domínio da utilização pública, atraídos pela maravilhosa ‘oportunidade’, os capitais estrangeiros começavam a afluir.


Debaixo de tão favoráveis auspícios, qualquer país – e mormente o Brasil, que, pode-se dizer, saía então da adolescência – tinha forçosamente de progredir a passos de gigante.



A SITUAÇÃO DA REPÚBLICA




Ora, em que se resumem os progressos tão gabados destes últimos anos de República? Uma simples frase o dirá: menos parcimonioso do que a monarquia, o novo regime não tem hesitado em gastar as largas milhares de contos para dourar a fachada do país.


Fiéis às nossas tradições de imparcialidade e de justiça não hesitaremos em reconhecer o valor da grande obra realizada pelo governo republicano – ou antes, por alguns dos seus representantes – na Capital Federal e em outros pontos mais em vista do nosso território.


Rodrigues Alves, Lauro Müller, Passos e Oswaldo Cruz fizeram do Rio a mais bela e uma das mais saudáveis cidades do mundo e por isso muito mereceram do Brasil.


Mas bastará isso para legitimar enorme aumento das despesas pública?


O estrangeiro que passa poderá deixar-se iludir. O brasileiro através do aparato arquitetônico do Rio, vê a miséria do vale do Paraíba (outrora tão opulento), o descalabro do interior tão em contraposição com o luxo das grandes cidades, a agonia do Norte sob o jugo férreo dos régulos que o dominam.


Digam-nos os nossos adversários que progresso as nossas principais indústrias tem realizado apesar do protecionismo desmedido que a república impôs.


Mostrem-nos o incremento da vida econômica dos nossos inúmeros sertões, ainda mais deserto hoje do que no tempo do império. Mostre-nos de que modo foram aproveitadas as extensas terras devolutas de que dispõem os Estados e que tanta importância têm para o desenvolvimento da imigração estrangeira, indisponível para a valorização rápida do nosso imenso território.


Se, apesar de tudo, alguns Estados do Sul prosperaram, essa prosperidade não é devida à ação dos respectivos governos, mas ao impulso incoercível das próprias energias do país e não raro à colaboração inteligente de estrangeiros.


Que nos tem dado a famosa Constituição de 1891, cópia servil e ininteligente de um sistema político contrário à nossa índole e aos nossos costumes?


A própria federação – boa em si e, aliás, já delineada no programa dos últimos ministérios do império – não trouxe senão desilusões. Em vez da autonomia e da liberdade esperada, a sua conseqüência imediata foi a constituição de um feudalismo medieval, indigno da nossa civilização. Nem parece que a luta contra as oligarquias, iniciada pelo atual governo, tenha dado melhores resultados. As revoltas sangrentas, fomentadas nos Estados, os bombardeios criminosos de cidades sem defesas, as intervenções brutais do poder central, se têm podido, em certos pontos, derrubar as dinastias locais, não mudaram o regime de tirania e de opressão, de fraude, de crime e de violência que, continua a lavrar por todo o país.


A justiça tão indispensável como a liberdade e talvez mais, outrora administrada por magistrados inamovíveis e independentes, educados no difícil e nobre ofício de julgar, passou mercê de sua descentralização para as mãos de juízes na maior parte improvisados, verdadeiros juízes de comissão, às ordens dos governos que os nomeiam e cuja côrte têm de acompanhar, no vai-vem dos movimentos políticos.


Os maiores crimes ficam impunes; na há responsabilidade para quem tem amigos no governo.


Assim é que não devemos estranhar a decadência do caráter nacional nestes últimos anos. Já se foram os tempos em que o homem probo, encanecido no labor honesto ou no serviço público, era geralmente acatado.


Joje, só o homem rico goza do respeito dos seus concidadãos. O utilitarismo propagou-se de tal modo na nossa sociedade, que, quando algum altruísta tem coragem de um gesto nobre e desinteressado, todos o contemplam com espanto para lastimá-lo ou mesmo escarnecê-lo pala falta de espírito prático


Que diremos das nossas finanças, outrora tão prósperas?


Apesar do aumento prodigioso das receitas, devido às riquezas inesgotáveis do país, o equilíbrio dos orçamentos vai-se tornando cada vez mais precário. A despesa cresce loucamente e mal se conhece a sua importância real, por falta de balanços claros. Esvai-se o produto de impostos exorbitantes, esvaiem-se os empréstimos contínuos, dificilmente negociados, sem cobrir os ‘déficits’ e sem deixar vestígios de melhoramentos úteis e remunerados. Ameaça-nos, como acabaram de bradar os jornais de maior prestígio da capital, a bancarrota iminente.


Nunca foi mais necessária, nem mais urgente uma severa economia, e, entretanto, avultam as sinecuras, as acumulações escandalosas, as missões inúteis ou mesmo contraproducentes, as encomendas extravagantes e mil outros desperdícios. Os únicos que poderiam exercer uma fiscalização benéfica sobre o esbanjamento dos dinheiros públicos, os membros do parlamento – o nosso parlamento outrora tão glorioso! – só cogitam em combinações políticas e em outras favoráveis aos seus interesses pessoais.


Devido a esta situação lastimável, o mal-estar aumenta no país inteiro. A carestia da vida, problema sério cuja solução é inadiável, subleva com razão, as classes populares; imensos são os alvitres lembrados para a debelação dessa crise, mas o governo não tem tempo para estudá-los. Os poderes públicos limitam-se a gastar, convencidos de que a desvairada política de melhoramentos artificiais bastará para fazer a riqueza do país.


A definição ideal da República sempre foi o governo de todos, por todos e para todos.


A República brasileira tem sido o governo de poucos contra todos e para poucos. Em um país essencialmente democrático como o nosso, a condição do povo não tem merecido a mínima atenção.


O problema operário, em parte resolvido, desde muitos anos pelas principais monarquias européias, nem foi ainda encarado no Brasil.


Imprevidente e cego, o governo espera de braços cruzados que, tornando-se intolerável a situação do trabalhador, apareça ameaçador, como na república vizinha, o espectro do socialismo anarquista.


O mesmo poderemos dizer da instrução pública, que deveria ser uma das primeiras preocupações de um governo que se diz progressista.


Enquanto na periferia do país se esbanjam os recursos nacionais, o analfabetismo e mais crasso continua a lavar nas zonas imensas de todo o interior.


Acabamos de dizer que para a nossa vida política o povo virtualmente não existe.


E não existe porque não tem instrução, porque não sabe ler nem escrever e conseqüentemente não exagera, não pensa e não vota.


É uma quantidade negativa, de que os políticos se servem para aumentar pela fraude, à bico de pena o número de suas hostes políticas.


Enquanto mesmo na Argentina, desde Sarmiento, o ensino público tem tomado prodigioso incremento, contribuindo em grande parte para a prosperidade que dá mostra a grande República do Prata, os nossos poderes públicos esperam placidamente que se realize, sem o seu curso, o milagre da desalfabetização. E ficamos com o quociente humilhante de 80%, que representa o elemento analfabeto de nossa população!


Filha de um pronunciamento militar, podia-se esperar pelo menos que a República dedicasse especial carinho à organização e ao aperfeiçoamento das nossas forças de terra e mar.


O antigo regime, digamo-lo francamente, não prestou a esse grave problema toda a atenção que ele merecia. Depois da campanha do Paraguai, luta gloriosa que patenteou ao mundo inteiro as qualidades guerreiras da nossa raça, teria sido natural que se aproveitassem os esforços realizados para dar ao nosso Exército a organização definitiva de que precisava.


As forças armadas ter-se-iam desse modo tornado, desde 1870, não só a garantia essencial da integridade e da coesão nacional, como também o sustentáculo o mais sólido das instituições monárquicas.


Não faltou quem vislumbrasse essa verdade. Apenas concluída a guerra, meu pai, o marechal Conde d’Eu, fez-se o advogado das valentes hostes à testa das quais, acabava de colher os lauréis de Peribebuy e Campo Grande. Os governos civis que presidiam aos destinos do país não compartilharam o seu modo de ver.


Nem foi concedida ao heróico Exército a volta triunfal ao Rio de Janeiro, que teria sido a consagração merecida das suas proezas.


Dissolvidos os quadros, a pretexto de economia, os seus efetivos foram restituídos à vida civil, sem brilho e sem honras.


Meu pai desanimou. Apesar da má vontade que o cercava, continuou a estudar os graves problemas da nossa defesa terrestre e naval.


O programa que ele apresentou, em avultado relatório, teria adotado a nossa Pátria de eficiência militar que a todo o bom patriota se afigura hoje indispensável.


A revolução interrompeu a sua obra.


A República prometeu maravilhas. Que vemos depois de decorridos 23 anos? Militarmente falando, a nação está desarmada, como nunca esteve nos tempos do império. Não temos Exército, nem Marinha dignos desse nome. Não temos soldados, não temos instrução técnica, não temos quartéis, nem mesmo hospitais.


Temos, é verdade, orçamentos. Só o Exército consome inutilmente 85 mil contos atuais. Mas uma anarquia profunda reina nas coisas da guerra. Aos ministros, escolhidos com fins meramente políticos, não sobra tempo para se ocuparem das mais urgentes reformas. As leis votadas – pró forma – não são executadas. O famoso serviço militar obrigatório, tão decantado pelos próceres do regime, ainda é um mito. Afora a guarnição do Rio, indispensável para as paradas da República, não existem unidades táticas organizadas, mesmo nas zonas fronteiras, tão importantes para a defesa nacional.


Materialmente falando, é possível que se tenha melhorado a condição dos oficiais. Não creio, porem, que o aumento de soldo (imposto aliás pelo encarecimento da vida), nem as rendosas comissões, nem as missões à Europa largamente retribuídas, compensem aos olhos dos meus briosos camaradas, o desanimo que lhes invade a alma, vendo a inutilidade dos seus esforços sob o ponto de vista militar.


Verdade é que temos generais cheios de valor e de preparo; temos uma oficialidade superior e subalterna ilustrada e disposta a trabalhar; mas faltam-lhes os meios de exercer utilmente a sua profissão, a orientação técnica e a direção superior. E por isso muitos, desacoroçoados, se atiram nos braços da política, ou aceitam as viagens de recreio que lhes são oferecidas à custa do país.


O mesmo se poderia dizer da nossa marinha – a gloriosa marinha de Riachuelo e Humaytá – que dói dentro da alma ver hoje desamparada e quase que inutilizada apesar dos sacrifícios enormes feitos para o seu aperfeiçoamento.


Temos couraçados que são os primeiros do mundo, possuímos possantes ‘destroiers’ e velozes ‘scouts’, temos uma oficialidade sob todos os pontos de vista digna de suas gloriosas tradições. Não temos tripulação. A disciplina, que é a base indispensável da eficácia militar, foi aos poucos sapada pelo regime da incoerência que nos domina.


A ignominiosa anistia concedida aos revoltosos de novembro de 1910, provocando no mundo inteiro motejos que nos fizeram corar de pejo, bastaria para incompatibilizar o regime vigente com qualquer obra de regeneração militar.


Ai do prestígio da nossa Pátria!


Já se foram os tempos em que os representantes do Império Brasileiro, pairando bem acima dos diplomatas do nosso continente, eram tão considerados na Europa, como os das maiores potências do velho mundo. Por muito que ela faça, nunca a República poderá inspirar à Europa, aos próprios Estados Unidos, ao mundo, enfim, a confiança que o império lhes inspirava.


Vejam os nossos adversários se desde 1889 foi o Brasil convidado uma só vez para árbitro entre outras potências. E, durante o reinado do meu avô, em 1874, eram os Estados Unidos e a Inglaterra que submetiam ao seu julgamento a questão do Alabama; mais tarde era a França que constituía árbitro das reclamações de seus nacionais pelos danos que haviam sofrido durante a guerra de secessão norte-americana; em 1884 eram os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Inglaterra e a Itália que lhe pediam para decidir sobre as indenizações que deviam ser concedidas em conseqüência das guerras do Pacífico... Hoje quem só lembraria, em idênticas circunstâncias, da República brasileira?



CRISE DO REGIME E NÃO DE HOMENS




Dir-me-ão os republicanos sinceros, convencidos da nossa decadência, que os estado lastimável a que temos chegado não se deve atribuir ao regime, que lhe parece excelente, mas ao pessoal que o representa.


Não compartilho este modo de ver. Em geral, dadas as instituições vigentes, a incoerência e a desmoralização que delas decorrem, julgo, pelo contrário, que a seleção dos homens de Estado que tem presidido aos destinos de nossa Pátria, não foi tão má com era de temer. Os presidentes, por exemplo, têm sido, o que é de admirar nos tempos em que vivemos, homens honestos, na maior parte inteligentes e preparados. Não lhes faltou a boa vontade na execução de seus planos de melhoramentos e de reformas, dos quais alguns, ao menos em teoria, se nos afiguram excelentes. Faltaram-lhes a autoridade e o tempo.


Levadas ao poder supremo, não pela vontade do povo – cuja livre manifestação se torna cada dia mais difícil – mas pelas facções políticas dominantes, eles sempre foram e hão de ser os escravos dos poucos recomendáveis promotores de suas candidaturas. Além disso, supondo mesmo que um presidente tivesse força suficiente e bastante grandeza d’alma para se abstrair das exigências do seu partido, claro é que um simples quadriênio – reduzido a um biênio pelas ambições dos aspirantes à sua sucessão – nunca bastará para a realização de um programa verdadeiramente profícuo. Acresce, enfim que, com o regime atual, o presidente há de ser quase sempre, quer queira, quer não, o representante de um Estado e não de toda a Federação. E isso é tão sabido que nas últimas eleições presidenciais, as competições bairristas tem tomado tamanho incremento que levam a receiar pela coesão nacional.



A SUPERIORIDADE DA MONARQUIA




Nisso vem a grande superioridade da Monarquia.


Um soberano tem o tempo diante de si.


Um soberano não tem partido, não tem ambição pessoais distintas da universalidade de Nação, não tem compadres, nem eleitores, não tem bairrismo, nem razão alguma que obrigue a pensar em outra coisa que não seja o bem público, o qual é forçosamente o seu bem pessoal, o dos seus antepassados, o dos seus descendentes, compreendidos com ele, na própria entidade nacional.


Um soberano não é civil, nem militar, mas ambas as coisas, sem preferência por nenhuma delas. É o Imperador ou Rei encarnação viva de toda as inspirações do povo.


Um soberano não é conservador, nem liberal nem socialista. Será uma coisa ou outra, no exercício de seu poder moderador, segundo o exigirem as circunstâncias e o bem do país.


Nunca, nem meu venerado avô, nem minha mãe, pensamos em deter a coroa contra a vontade da Nação, sempre lhes repugnou a idéia sequer da guerra civil, por mais nobre e desinteressantes que fossem os seus motivos. Hei de imitar o seu exemplo.


Como disseram os chefes do nosso partido em 1896, se a República, apesar do vício original, conseguisse mostrar-se mais benéfica do que o império, nunca recusaria, nem deixaria de reconhecer a melhoria. Se me for dado, indo ao Brasil, verificar a harmonia de sentimento nacional, com o dos seus atuais pseudo-mandatários, eu me resignaria ao silêncio e mesmo, se fosse necessário, ao ostracismo, para não perturbar a ordem interna do país que tanto amo.


Infelizmente, para a nossa Pátria, a experiência das instituições que lhe foram impostas não lhe tem trazido senão desastres e decepções. Se despimos o Corpo da Nação das roupagens ilusórias com que os nossos adversários a tem adornado, encontrá-la-emos cheia de fundas chagas que urge para lhe substituirmos a formosura primitiva.


Por isso continuamos a erguer bem alto o estandarte da restauração.


O Brasil não precisa somente de homens que compreendem a situação dos grandes problemas que se impõem ao nosso estudo. Precisa, sobretudo, de instituições que permitam a estes homens realizar os seus programas. Não necessitamos de estéreis lutas políticas, mas sim de idéias claras, lógicas, definitivas e proveitosas, que importam na satisfação exata de nossas conveniências atuais e futuras. O que nos importa não é a vitória de tal ou tal grupo, mas a formação de um Brasil grande, forte e próspero, de um Brasil onde tornem a desabrochar a honestidade o desinteresse pessoal, a justiça e a imparcialidade, onde se consorciem a ordem com a liberdade, o capital com o trabalho, as classes armadas com o elemento civil, o progresso com a probidade , o respeito ao Governo, com a inviolabilidade de todos os direitos garantidos pela Constituição.


Claro é que a magnitude de tal programa não pode caber no curto prazo indigitado aos presidentes da República para a realização de suas aspirações. Os republicanos tão bem o compreendem que nunca procuraram basear as candidaturas dos seus homens de Estado nos princípios de governo que eles representam.


Durante o longo período em que toda a Nação vive absorvida pelo grave problema da eleição presidencial, não se agitam idéias, nem programas.


Apregoam-se apenas os nomes dos candidatos com as probabilidades de vitória que lhes assegura a importância do grupo a que pertencem.


Se, como desejam alguns, a República parlamentar viesse substituir o regime presidencial, o mal seria ainda maior. Em vez de presidentes de quatro anos, teríamos ministérios de quatro meses. Sem o contrapeso indispensável de um forte poder moderador, o parlamentarismo conduziria fatalmente o país a completa anarquia política de que já dão exemplos outras repúblicas sul-americanas.



A MONARQUIA NÃO É UM PARTIDO




A monarquia não é um partido – é uma aspiração nacional.


Nós, os monarquistas, não exibimos nomes, mas idéias claras, definitivas. Tal é o nosso desprendimento que reconhecemos francamente para o império restaurado a necessidade de chamar um grande número de colaboradores do atual regime, homens de real valor, aos quais só a instabilidade das instituições tem inibido de prestar ao país os relevantes serviços de que são capazes.


Ao contrário dos republicanos, temos um programa já delineado em nosso primeiro manifesto e que se pode resumir em poucas palavras:


Monarquia hereditária, sob a forma federativa; Constituição e reorganização de um exército e de uma marinha proporcionais à população do nosso vasto território e às nossas dilatadas costas marítimas, e vias fluviais; luta contra o analfabetismo pela instrução primária obrigatória; justiça unitária e independente; desenvolvimento da Viação; expansão do comércio e da indústria; fomento de imigração e de grandes empresas estrangeiras (ressalvados os direitos dos atuais habitantes do país); delimitação exata das atribuições dos três poderes; enfim, a mais ampla liberdade eleitoral, o respeito dos direitos das minorias, e a formação de partidos sólidos com programas definidos, superiores às subalternas considerações de interesse pessoal.


Esse programa, esperamos realizar, chamando a nós todos os brasileiros de boa vontade, sem distinção de partido, preocupados unicamente com o bem do país com o seu desenvolvimento material, intelectual e moral.



À DISPOSIÇÃO DA PÁTRIA




Brasileiros,


A lição tremenda de 20 anos de perseverança no trilho do erro e do desvario, está a indicar que as instituições vigentes estão falidas e que dentro delas não há salvação para a nossa Pátria.


A República está morta, não por nós monarquistas, reduzidos, durante longos anos à mais lastimável apatia, mas pelos próprios republicanos. A nossa única propaganda tem sido evidência dos fatos, a força da verdade.


Se, livres de preocupações patrióticas, nos devêssemos contentar com a abolição de um regime detestado, só teríamos que cruzar os braços e esperar.


Há, porem, grandes interesses nacionais de ordem moral e econômica que correm o risco de ser sacrificados se continuarmos a ficar arredados de toda discussão nas coisas públicas.


Para que a restauração seja benéfica, para que ela não venha erguer-se sobre ruínas, devemos apressar o seu advento por todos os meios de que dispomos. Para realizar quanto antes o nosso ideal, contamos com o valoroso povo brasileiro, que nas crises difíceis que nosso país já atravessou, sempre soube guardar intactas a integridade e a honra nacionais.


Sem dúvida não será das urnas eleitorais que sairá a vontade nacional. As qualificações fraudulentas, a falsidade, o extravio criminoso das cédulas, as atas apócrifas, as escandalosas apurações, tudo isso, bem sabe o país, faz parte dos costumes políticos da República. As boas causas, porem, tem força intrínseca, e tão grande que, sem o concurso de uma imprensa partidária, sem propaganda persistente e metódica, assistimos hoje ao renascimento triunfante da idéia monarquista, considerada, ainda há poucos anos, como mera utopia.


Há momentos na vida de um povo em que, apesar da fraude e da tirania, a vontade nacional surge impetuosa, invencível, triunfadora.


Sem recomendar aos meus amigos a violência e menos ainda apregoar a guerra civil, sempre desastrosa, espero que, no momento preciso, nós, os monarquistas, saberemos ter gesto viris que necessários, por aclamação do povo, nos foi outrora atribuído.


Quanto a mim, colocado por minha mãe, à testa do nosso partido, representante, depois dela, do principio monárquico o Brasil, estarei à disposição de nossa Pátria para desempenhar o papel que, por aclamação do povo, nos foi outrora atribuído.


Para cumprir a meu dever, dever que resulta da própria história brasileira, que justificou, justifica e justificará os nossos direitos dinásticos, estou pronto a todos os sacrifícios, inclusive ao da própria vida.


Deus nos preste seu auxílio para o maior bem do Brasil, nossa pátria estremecida.



Montreux, 6 de agosto de 1913.



Luiz de Bragança”

ATENÇÃO


Em caso de cópia do material exposto: considerando a lei 9610/98, o plágio é crime. As obras literárias e fotográficas existentes neste espaço são de uso exclusivo do Blog Monarquia Já. Ao copiar qualquer artigo, texto, fotografia ou assemelhado, o Blog Monarquia Já deve, obrigatoriamente, ser citado.

Contador de visitas mundial


contador gratis

Contador de visitas diárias


contador gratis

  © Blogger template 'Isfahan' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP