quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aniversário de Dom Antonio

S.A.R. o Senhor Dom Antonio de Orleans e Bragança


Aniversaria no dia 24 de junho, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança. Trata-se este ano de um aniversário expressivo, pois festeja 60 anos de idade. Lembremos que Sua Alteza Real ocupa o terceiro lugar na Sucessão ao Trono Brasileiro, ou seja, logo depois de seus irmãos mais velhos Dom Luiz e Dom Bertrand, que são solteiros.

Em foto de Família, S.A.I.R. Dona Maria cuida dos filhos, da esquerda para a direita, Dom Antonio é o 6º 

Nasceu no Rio de Janeiro a 24 de junho de 1950, sendo o sétimo dos doze filhos do Príncipe Dom Pedro Henrique, Chefe da Família Imperial e Herdeiro do Trono do Brasil, e da Princesa Dona Maria, nascida Princesa Real da Baviera. Recebeu no batismo o nome de Antonio em homenagem ao tio avô, filho mais moço da Princesa Isabel; João por ter nascido justamente no dia de São João Batista; Maria José pela devoção dos pais à Nossa Senhora e seu esposo;  Jorge é o nome de seu padrinho, o Arquiduque Jorge da Áustria (ramo da Toscana), primo-irmão de seu pai; Miguel Gabriel Rafael Gonzaga são os nomes dos três Santos Arcanjos e são tradicionais na Casa de Bragança desde Dom João VI.

Em sua infância, Dom Antonio viveu em Jacarezinho, Paraná, no período em que seus pais lá moravam como fazendeiros. Mais tarde mudou-se com a Família para Vassouras. Formou-se em 1976 em Engenharia Civil pela Universidade de Barra do Pirai, ligada ao complexo da Companhia Siderúrgica Nacional. Fez um estágio na Alemanha, na área da Engenharia Nuclear e trabalhou em várias empresas no Rio de Janeiro. Como seu pai, é conceituado pintor aquarelista, tendo realizado exposições em várias cidades do Brasil e também no exterior. Retrata geralmente em suas telas igrejas, antigas fazendas, prédios históricos, visões, enfim, de um Brasil tradicional.

Dom Antonio posa para foto tendo atrás seu antepassado, Dom Pedro II


Aquarela de Dom Antonio, retratando o Jardim Botânico do Rio de Janeiro


Nesta aquarela, belíssima, o Príncipe Dom Antonio retrata uma paisagem típica do Rio de Janeiro, onde pode se ver a Igeja de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro


Dom Antonio é o único dos Príncipes homens de sua geração – bisnetos da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu – a realizar um casamento Principesco. Daí ficar em terceiro lugar na linha da Sucessão do Trono, tendo a ele renunciado seus irmãos mais velhos, Dom Eudes, Dom Pedro de Alcântara, Dom Fernando. Casou no Castelo de Beloeil, na Bélgica, a 26 de setembro de 1981, com Sua Alteza a Princesa Christine Maria Elisabeth de Ligne, nascida no mesmo Castelo a 11 de agosto de 1955, filha de Antonio, 14º Príncipe de Ligne, Príncipe d´Amblise e d´Epinoy, e de Alix, Princesa do Luxemburgo, de Nassau e de Bourbon Parma. Os Ligne constituem uma das primeiras Famílias do Reino da Bélgica, sendo uma Casa nobre de origem feudal, conhecida já no século XI. É Dona Christine neta materna da Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo (e prima irmã do atual Grão-Duque, Henri). Alguns meses antes do matrimônio de Dom Antonio e Dona Christine, no mês de março, casaram no Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro, a Princesa Dona Eleonora, irmã de Dom Antonio, com o irmão de Dona Christina, o Príncipe Michel de Ligne, que com a morte do pai, Antonio, em 2005, é o 15º Príncipe de Ligne.

Na Bélgica, o casamento de Dom Antonio com Dona Christine





Dom Antonio e Dona Christine





Do casaento de Dom Antonio e Dona Christine nasceram quatro filhos, sendo o mais velho o saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz, falecido ano passado, com 26 anos, no trágico acidente do vôo 447 da Air France, em pleno Oceano Atlântico. Os outros filhos do casal são a princesa Dona Amélia, 26 anos, arquiteta, trabalhando atualmente em Madri, Espanha; o Príncipe Dom Rafael, 24 anos, que está se formando em Engenharia da Produção pela PUC/RJ e já trabalhando numa grande empresa no Rio de Janeiro; e a princesa Dona Maria Gabriela, 21 anos, estudando Comunicação Social na PUC/RJ.

Em Petrópolis na Missa pelos 160 anos da Redentora


Dom Antonio reside em Petrópolis, estando bem integrado nesta cidade Imperial. É, por exemplo, membro do Conselho Consultivo da Associação dos Amigos do Museu Imperial (seu primo Dom Pedro Carlos é o presidente de honra da entidade). Atualmente tem também um apartamento no Rio de Janeiro, facilitando atividades na cidade, os estudos e trabalhos dos filhos.

Na Ordem de Malta


Justamente no dia de seus 60 anos, o Príncipe Dom Antonio irá ingressar na Ordem Soberana de Malta, que festeja no dia 24 de junho seu padroeiro, São João Batista, com Missa solene no Mosteiro de São Bento, presidida por Dom Abade Roberto Lopes, que é também Capelão Conventual da Ordem. A celebração será às 18h, seguindo-se uma recepção na Casa Julieta de Serpa, com jantar em benefício das obras assistenciais da Ordem na cidade.

Dom Antonio ingressa na Ordem dentro da alta categoria de Cavaleiro de Honra e Devoção, que é reservada a nobres católicos (no Brasil a maior parte dos membros da Ordem são Cavaleiros de Graça Magistral, o que não exige prova de nobreza).

A Ordem de São João de Jerusalém, dita Ordem de Malta, nasceu pelo ano 1048, como comunidade monástica, que tratava dos peregrinos e enfermos e acolhia os indigentes. Sob o Beato Gerardo e por uma Bula do Papa Pascoal II de 1113, converteu-se numa Ordem isenta da Igreja. Diante da responsabilidade de ter que assumir a defesa militar dos enfermos e dos territórios cristãos na Terra Santa, assumiu o caráter de Ordem de Cavalaria, religiosa e militar ao mesmo tempo. Em 1291, depois da perda de São João d´Acre, último baluarte da Cristandade na Terra Santa, a Ordem estabeleceu-se em Chipre e em 1310 ocupou a ilha de Rodes, ali adquirindo uma soberania territorial. Para defender o mundo cristão, constituiu uma poderosa frota. Governada por um Grão-Mestre, Príncipe soberano de Rodes, e por um Soberano Conselho, cunhava moeda e mantinha relações diplomáticas com os demais Estados. Os cavaleiros rechaçaram com êxito numerosos assaltos dos otomanos, mas diante do ataque do Sultão Solimão o Magnífico, com uma grande frota e um poderoso exército, tiveram que capitular e deixaram a ilha em 1523. O Imperador Carlos V, então, cedeu à Ordem as ilhas de Malta, Gozo e Comino, assim como a cidade de Trípoli, como feudo soberano. Em 1530 a Ordem tomou posse de Malta, com a aprovação do Papa Clemente VII. Durante o Grande Assédio, em 1565, os otomanos foram derrotados pelos Cavaleiros. A frota da Ordem de São João (ou de Malta, como começou a chamar-se) foi uma das mais poderosas do Mediterrâneo e contribuiu para a destruição definitiva dos otomanos na célebre batalha de Lepanto de 1571. Em 1798 Napoleão Bonaparte, durante a campanha do Egito, ocupou a ilha de Malta e os cavaleiros, por causa da Regra da Ordem que lhes proíbe lutar contra outros cristãos, não resistiram e se viram obrigados a abandonar a ilha, que em 1802 começou a ser ocupada pelos ingleses. A Ordem se estabeleceu definitivamente em Roma em 1834, aí possuindo nos dias de hoje o Palácio de Malta, na via Condotti, e a Villa Magistral, no Aventino, que gozam do privilégio de extraterritorialidade. A missão original da Ordem, a serviço dos pobres e dos enfermos, voltou a ser sua missão principal.

Por tradição os cavaleiros de Malta provinham, no passado, em grande maioria, de famílias da nobreza católica da Europa. Ainda hoje é uma Ordem cavalheiresca, tendo mantido os valores da cavalaria e da nobreza. Na Europa boa parte de seus membros provém ainda dos círculos da nobreza. Mas tanto na Europa como, mais ainda, em outros Continentes, são também admitidas pessoas da todas as classes sociais, mas com especiais méritos e com espírito altruístico.

Graças a uma história ininterrupta de quase nove séculos, a Soberana Militar Ordem de Malta é hoje a única sucessora da Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, reconhecida pela Igreja Católica em 1113. É a única a ser ao mesmo tempo Ordem religiosa e Ordem de cavalaria. Possui cavaleiros professos, que emitem votos religiosos. Deles sai o Príncipe e Grão-Mestre e a maioria dos membros do Soberano Conselho, o órgão dirigente máximo da Ordem. Sujeito do direito internacional público, a Ordem nunca deixou de ser reconhecida como soberana. O Grão-Mestre (Frei Matthew Festing, inglês, é desde 2008 o 79º Grão-Mestre) governa a Ordem como Príncipe Soberano – sendo  reconhecido como Chefe de Estado por muitos países – e como superior religioso. Tem o tratamento único de Alteza Eminentíssima, tendo uma categoria na Igreja equivalente a dos Cardeais.

A Ordem mantém relações diplomáticas com 104 países e 17 organizações internacionais (como a FAO e a UNESCO e tem uma representação permanente na ONU). Está presente em 54 países, entre os quais o Brasil. Em nosso país houve alguns cavaleiros e damas no tempo do Império (cf. João Hermes Pereira da Araújo, “A Ordem de Malta e o Brasil Imperial” in “Anuário do Museu Imperial”, vol. XVIII, 1957). A verdadeira organização, porém, começou em 1957 com a fundação da Associação Brasileira do Rio de Janeiro e da Associação de São Paulo e do Brasil Meridional. Em 1984 foi criada uma terceira Associação, a de Brasília e do Brasil Setentrional.

A Família Imperial Brasileira sempre manteve vínculos com a Ordem de Malta, continuando a tradição da Família Real Portuguesa (o 11º Grão-Mestre foi um Príncipe Português, Dom Afonso de Portugal, possivelmente filho do Rei Dom Afonso Henriques). Reinando a dinastia de Avis, por várias vezes Príncipes da Casa Real ocuparam a sede Priorado do Crato. O Priorado do Crato é um extenso e valioso senhorio que abrangia vasta extensão de território e que foi cedido em 1232 pelo Rei Dom Sancho II aos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, em recompensa dos serviços prestados por eles na luta contra os mouros. Em meados do sec. XIV, a vila do Crato passou a ser a sede do Cavaleiros de São João em Portugal. O primeiro Grão-Prior foi Dom Luis de Portugal, filho do Rei Dom Manuel I, o Venturoso, tão ligado à História do Brasil. Sob a dinastia de Bragança, as relações da Família Real com o Priorado do Crato se tornaram permanentes. Em 1789 o Papa Pio VI publicou um breve, determinando que um Príncipe da Família Real fosse sempre o Grão-Prior do Crato. D. Pedro III e depois seu filho D. João VI sempre manifestaram afeição pela Ordem de São João. Nosso Imperador D. Pedro I foi Grão-Prior do Crato desde 1799. Vários retratos do Soberano mostram o uso constante que fazia, colocando o hábito pendente de Malta sob as insígnias da Ordem do Tosão de Ouro. A Imperatriz Dona Leopoldina foi admitida também na Ordem, em 1817, na condição de Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção. Igualmente o Imperador Dom Pedro II entrou na Ordem, em 1846, como Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção, a mais alta graduação da Ordem; a imperatriz Dona Teresa Cristina foi, a partir de 1878, Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção (como retribuição, o Grão-Mestre Ceschi, foi feito Grão-Cruz da Ordem de Cristo).

Interessante que nem a Princesa Dona Isabel, nem seu marido, o Conde d’Eu, e também nenhum de seus filhos, ingressaram na Ordem de Malta. A Família Imperial voltou a integrar a Ordem em nosso tempo. Primeiro foi admitido, em 1972, como Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção o Príncipe Dom Pedro Gastão, o qual em 1966 recepcionou no Palácio Grão-Pará, em Petrópolis, o Príncipe e Grão-Mestre da Ordem, Frei Ângelo de Mojana di Cologna, em visita oficial ao Brasil. Em 1974 foi a vez do próprio Chefe da Família Imperial, Dom Pedro Henrique, ser admitido, igualmente na condição de Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção, o grau máximo da Ordem. Ele recebeu depois a Cruz de Profissão.  Várias vezes participou da anual Missa da Ordem, no Mosteiro de São Bento, ao lado do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 2002 foi a vez de entrarem na Ordem Dom Luiz e Dom Bertrand, sempre como Bailios Grão-Cruzes de Honra e Devoção. O ingresso dos dois ocorreu numa cerimônia singular: foi diretamente em Roma, na sede da Ordem, presidindo a cerimônia o próprio Grão-Mestre, na época Frei Andrew Bertie. É de se lembrar que também outro descendente de Dom Pedro II é membro proeminente da Ordem: Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança é não só Cavaleiro Grã-Cruz de Obediência da Ordem, mas um dos presidentes de honra da Associação de São Paulo e Brasil Meridional, depois de ter sido seu presidente efetivo de 1960 a 1965.

A Dom Antonio, nesta data especial de seu aniversário e de ingresso na Ordem, parabéns e muitas felicidades. 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O casamento da Princesa Vitória, Herdeira do Trono da Suécia, com Daniel Westling



Ocorreu no último dia 19, o casamento da Princesa Vitória, Herdeira do Trono da Suécia, com Daniel Westling.

Os noivos


A saída na Catedral de Estocolmo


No ano em que a Casa Real da Suécia comemora os 200 anos de Soberania da Dinastia Bernadotte, o Rei Carl XVI Gustavo e a Rainha Silvia da Suécia casaram a Herdeira do Trono numa das mais belas cerimônias da monarquia moderna. A Catedral de Estocolmo, palco do enlace, recebeu cerca de 1.100 convidados, muitos membros da nobreza e da realeza mundial, entre eles, pode-se citar, por parte da Espanha, a Rainha Sofia, os Príncipes Filipe e Letizia, a Infanta Elena, a Infanta Cristina e o marido, Iñaki Urdangarín, da Família Real da Holanda compareceram a Rainha Beatriz, também o Príncipe Guilherme e a Princesa Máxima, a Princesa Amália, os Príncipes Constantino, Laurentien, Mabel e Friso, por parte da Família Real Britânica compareceu o Príncipe Edward e sua esposa, Sophie. Por parte da Dinamarca, a Rainha Margareth II e o Príncipe Henrik, acompanhados dos Príncipes Herdeiros, Frederico e Mary, e dos Príncipes Christian, Alejandra e Natalie, com seus respectivos maridos, o Conde Jefferson e Alexander Johannsmann. Presentes ainda os Reis da Noruega, os Príncipes Hereditários Haakon e Mette-Marit, a Princesa Marta Louise e o marido, Ari Behn. A Família Imperial do Japão foi representada pelo Príncipe Herdeiro Naruhito. Da Jordânia compareceram os Rei Abdullah II e a Rainha Rania. Por parte do Luxemburgo, o Grão Duque Henri e a Grã-Duquesa Maria Teresa, o Príncipe Herdeiro Guilherme, o Príncipe Felix, por parte da Iugoslávia, o Príncipe Alexandre e a Princesa Catherine, por parte do Liechtenstein, os Príncipes Herdeiros Alois e Sofia, e por parte da Romênia, a Princesa Margarita e o Príncipe Radu, ainda, por parte da Grécia, o Rei Constantino e a Rainha Ana Maria, e, de Mônaco, o Príncipe Albert.

A Realeza Européia e a família do noivo


A mãe do noivo e o Rei da Suécia


A Rainha da Suécia e o pai do noivo


A Princesa Máxima da Holanda e o Príncipe Frederico da Dinamarca  


Os Príncipes Filipe e Letizia da Espanha


A Rainha Ana Maria da Grécia


O Rei Constantino da Grécia e a Rainha Rania da Jordânia


As Rainhas Margareth II da Dinamarca e Beatriz I da Holanda


O Rei da Jordânia e a Princesa Madelana da Suécia


A Princesa Matte-Marit da Noruega e o Príncipe Guilherme, Herdeiro do Trono do Luxemburgo


A Infanta Elena de Espanha


O Príncipe Gustav de Sayn-Wittegenstein-Berleburg e Carina Axelsson


A noiva, Princesa Vitória, com o pai, Rei da Suécia


A noiva teve como damas de honra a Princesa Ingrid Alexandra da Noruega e a Princesa Amália da Holanda, já, Daniel Westling teve como cavalheiro de honra, o Príncipe Cristiano da Dinamarca. Os celebrantes do matrimônio foram o Arcebispo Anders Wejryd e concelebrantes o Bispo Emérito Lars-Göran Lönnermark, o Bispo de Lund Antje Jackelén e Dom Âke dy Bonnier. Depois da cerimônia, seguiu-se as comemorações no Palácio Real de Drottningholm.

No balcão do Palácio Real de Drottningholm


A Família da noiva e a Família do noivo


Os noivos e as damas e cavalheiros de honra


Com o casamento, Daniel Westling foi investido com o título de Príncipe e de Duque de Västergötland, como estilo de Sua Alteza Real.  

terça-feira, 22 de junho de 2010

Divulgadas as fotos do XXI Encontro Monárquico

Foram divulgadas, através do blog http://monarquia21.ning.com/, as fotos do XXI Encontro Monárquico do Rio de Janeiro. Nelas podem-se ver o público que assistia às palestras daquele dia, toda a estrutura montada, além dos Príncipes Dom Bertrand, Dom Rafael, Dona Maria Gabriela e Dom Gabriel de Orleans e Bragança. Acesse o blog.

sábado, 19 de junho de 2010

Imperatriz Dona Amélia do Brasil é destaque de exposição em Munique


A Imperatriz Dona Amélia


Desconhecida de muitos brasileiros, a Imperatriz Dona Amélia é destaque de exposição em Monique.

Sob a curadoria da Baronesa Suzane von Seckendorff e do Conde Heinrich Von Spreti acontece até 30 de setembro de 2010, no Palácio de Leuchtenberg, em Munique, na Alemanha, a exposição “Estritamente Confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélia Von Leuchtenberg torna-se Imperatriz do Brasil”. A mostra tem como base o diário do Conde Friedrich Von Spreti, que em 1929 foi responsável pela administração financeira da viagem nupcial da futura Imperatriz ao Brasil. O diário já havia sido editado e transformado em livro em 2008 sobre o título “Das Reisetagebuch des Grafen Friedrich von Spreti: brasilianische Kaiserhochzeit 1829” e agora é personificado através da exposição, como afirma a Baronesa von Seckendorff: "O livro é o cerne da exposição. Transformamos quase 400 páginas em banners e vitrines". O Conde Friedrich von Spreti, em 1929, além de registrar toda a negociação do casamento e a viagem de Dona Amélia, que foi tratada na época como sigilosa, registrou fatos da Corte do Rio de Janeiro. A exposição atesta que antes da vinda para o Brasil, Dona Amélia teve aulas de português e de cultura brasileira.


Sobre a Imperatriz Dona Amélia

Nascida Amélie Auguste Eugénie de Leuchtenberg, Princesa de Leuchtenberg, em Milão, a 31de julho de 1812, a segunda Imperatriz do Brasil era filha de Eugênio de Beauharnais, Príncipe da França, Vice-Rei da Itália, Príncipe de Veneza, Grão Duque de Frankfurt, Duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstätt e Arquichanceler de Estado do Império Francês, filho dos Viscondes de Beauharnais Josefina e Alexandre de Beauharnais, que mais tarde, com o falecimento do pai e o novo casamento da mãe foi, pelas circunstâncias, enteado e homem de extrema confiança de Napoleão Bonaparte. A mãe de Dona Amélia era a Princesa Augusta Amélia da Baviera, filha do Rei Maximiliano I José da Baviera e da Rainha Augusta Guilhermina, nascida Princesa de Hesse-Darmstadt. Tinha como irmãos a Princesa Carolina Clotilde; nascida e falecida em 1806, a Rainha Josefina (1807-1876); casada com o Rei Oscar I da Suécia e da Noruega, a Princesa Eugênia (1808-1847); casada com o Príncipe Constantino Hohenzollern-Hechingen, o Príncipe Augusto (18101835); casado com sua enteada D. Maria II, filha de Dom Pedro I, Rainha de Portugal, a Duquesa Teodolinda (18141857); casada com o Duque Guilherme von Urach e Maximiliano (18171852); casado com a Grã-Duquesa Maria Nikolaievna, filha de Nicolau I da Rússia.

Educada privativamente nos Palácios da Família, Dona Amélia teve sua apresentação formal a Corte da Baviera em 1828.

Em 1826, no Brasil, faleceu a Imperatriz Dona Leopoldina, primeira esposa do Imperador Dom Pedro I, mãe de seus sucessores. Esteve então, a partir de 1827, o Marquês de Barbacena, em viagem para encontrar uma segunda esposa para o Imperador. Chegando a Europa, muitos eram os nomes para possíveis alianças, mas a Princesa Amélia de Leuchtenberg chamava a atenção pela juventude e beleza, sendo ela a escolhida. Em 30 de junho de 1829, sua mãe, a Duquesa Augusta Amélia, assinou o contrato de casamento, que um mês mais tarde foi confirmado no Brasil. Em 2 de agosto, foi celebrado na Capela do Palácio de Leuchtenberg a cerimônia de casamento, sendo o procurador do Imperador Dom Pedro I, o próprio Marquês de Barbacena. A vinda de Dona Amélia para Brasil deu-sê em meio as turbulências da usurpação do trono de Portugal por Dom Miguel, Trono que Dom Pedro I havia herdado e abdicado em favor da Princesa Dona Maria da Glória, tendo, o navio que trazia a Imperatriz, de passar por portos da Bélgica e Inglaterra, chegando ao Brasil em 16 de outubro de 1829. A bordo do navio também estava o 2º Duque de Leuchtenberg, Príncipe Augusto de Beauharnais, condecorado pelo Imperador como Duque de Santa Cruz, a quem deu a mão de sua filha, a Rainha Dona Maria II de Portugal, em casamento.

Em 17 de outubro daquele ano o casal recebeu as bênçãos na Capela Imperial. O Imperador criou a Imperial Ordem da Rosa para homenagear a esposa e comemorar o casamento.

Pintura de Dona Amélia, datada de 1829, dada à sua mãe


A trajetória de Dona Amélia como Imperatriz foi bastante curta, dada a abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril 1831, esteve no Trono efetivamente por apenas 2 anos. Resignada, estudiosa e comprometida, chegou ao Brasil entendendo o português e falando quase perfeitamente o idioma. Aos filhos do marido representou a mãe que haviam perdido, inclusive à filha ilegítima do Imperador, a Duquesa de Goiás, que adotou pra si. Organizou os protocolos do Palácio de São Cristovão, configurando ao lugar, ares da Corte européia.

Em 1831, com a abdicação do Imperador ao Trono do Brasil, embarcaram para a Europa estando ela grávida de 4 meses. Passaram então pelos Açores e França, onde a Imperatriz deu à luz a única filha do casal, Dona Maria Amélia de Bragança, lá também aguardavam por Dom Pedro I que estava liderando as lutas contra o usurpador Dom Manoel, que havia roubado o Trono de Dona Maria da Gloria. Em agosto de 1834, as Cortes de Portugal confirmam a vitória de Dom Pedro I nas batalhas contra os miguelistas, ao conceder o título de Rainha a Dona Maria da Gloria. O Imperador passou a residir com a Imperatriz Dona Amélia e as filhas Dona Maria Amélia e a Duquesa de Goiás no Palácio de Queluz, em Lisboa, onde faleceu em 24 de setembro de 1834. Após a morte do marido, Dona Amélia se dedicou a caridade, ao auxílio dos desprovidos e aos cuidados com a filha e a enteada, retornando a Baviera em 1850. Pouco tempo depois, pelas evoluções da tuberculose da Princesa Dona Maria Amélia, a Imperatriz viu-se obrigada a rumar com a filha para a Ilha da Madeira, em busca de ares favoráveis ao seu tratamento, não obtendo êxito, a Princesa faleceu aos 22 anos de idade em 4 de fevereiro de 1853. A Imperatriz retornou a Lisboa, onde faleceu em 26 de janeiro de 1876. Atualmente Dona Amélia jaz na Cripta Imperial do Monumento à Independência do Brasil, em São Paulo, ao lado do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Leopoldina.

A Imperatriz já idosa


A exposição “Estritamente Confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélia Von Leuchtenberg torna-se Imperatriz do Brasil”, foi organizada pela Sociedade Brasil-Alemanha, que completa 50 anos em 2010, com o apoio do Governo do Estado da Baviera e da Fundação Karl Graf Spreti.

O casamento da Princesa Augusta da Baviera com o Príncipe Ferdinand de Lippe-Weissenfeld

Os noivos récem-casados
Foto: Bild.de



"Na Abadia de Andechs, perto de Munique, a Princesa Augusta da Baviera, filha de Príncipe Luitpold e da Princesa Beatrix da Baviera, neta do príncipe Ludwig da Baviera, e a Princesa Irmingard, trineta do Rei Luís III da Baviera, casou com a Príncipe Ferdinand de Lippe-Weissenfeld.

A Princesa Augusta, de quase 30 anos, é a filha mais velha de Príncipe Luitpold. Ela tem uma irmã Alice (casado com o Príncipe Lukas Auersperg) e três irmãos Ludwig, Heinrich e Karl. Ela é bióloga e o marido é advogado.

Após a cerimônia religiosa, celebrou-se a festa no Castelo de Leutstetten, próximo a Starnberg, onde os pais da Princesa Augusta residem. O Príncipe Franz da Baviera, O Duque Max e Duquesa Elisabeth da Baviera, o Príncipe Emich Karl e Princesa Isabel de Leiningen e vários membros de Famílias Principescas alemãs assistiram ao casamento."

A Princesa Augusta é sobrinha-neta de Dona Maria da Baviera, de jure Imperatriz do Brasil, esposa do falecido Príncipe Dom Pedro Henrique e mãe do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança. O casamento ocorreu em 8 de junho de 2010.   

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dom Antonio na Ordem de Malta


Transcrevemos parte da coluna de Márcia Peltier, em 9 de junho de 2010, que noticia a investidura de Dom Antonio de Orleans e Bragança como membro da Ordem de Malta. Acompanhe:

"Sangue azul



O príncipe Antonio de Orleans e Bragança será investido como cavaleiro da Ordem Militar e Soberana de Malta em cerimônia no Mosteiro de São Bento, dia 24, às 18h. Receberá o titulo de cavaleiro de honra e devoção, a mais alta distinção, só concedida a quem provar que tem como antepassados quatro avós nobres em 200 anos ou que a varonia do avô paterno tem, pelo menos, 450 anos de sangue azul. Abaixo dessa distinção estão os cavaleiros de graça e devoção e, por último, os de graça magistral, que só têm de ser bons católicos.


Dom Antonio: prestigiado em todos os grupos,
será investido como membro da Ordem de Malta


Segundo tempo



Na mesma noite, os integrantes da Ordem se reúnem para jantar na Casa Julieta de Serpa. A motivação, então, será outra: arrecadar fundos para as obras sociais da Ordem de Malta, que mantém 10 consultórios de pediatria e cinco de ginecologia nas comunidades pobres do Itanhangá. Outra obra beneficiada na ocasião será o Rio Solidário da primeira-dama Adriana Ancelmo. Elá, aliás, será homenageada com o título Pró-Mérito Melitense, em razão da ajuda prestada aos desabrigados das últimas chuvas".

Os Príncipes Dom Bertrand e Dom Luiz de Orleans e Bragança ingressaram na Ordem de Malta em 30 de outubro de 2002, numa cerimônia no Palácio Magistral de Malta, em Roma, presidida por S.A.E. Fra Andrew Bertie e seguida de banquete comemorativo. Os Príncipes foram investidos com honraria de Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção.

domingo, 6 de junho de 2010

Aniversário de S.A.I.R. Dom Luiz



Completa hoje, dia 6 de junho, 72 anos, nosso Imperador de direito, S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança.

S.A.I.R. Dom Luiz assumiu a Chefia da Casa Imperial do Brasil, em 5 de julho de 1981, quando seu augusto pai, o Príncipe Dom Pedro Henrique, faleceu.

Conforme noticiado aqui, o aniversário será comemorado no Rio de Janeiro, com Santa Missa na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro, às 12h15mim. Segue-se, no Hotel Windsor Florida, almoço festivo.

Desejamos a S.A.I.R. Dom Luiz muitas felicidades.

sábado, 5 de junho de 2010

XXI Encontro Monárquico: Um Grande Sucesso


O vigésimo primeiro Encontro Monárquico do Rio de Janeiro, ocorrido em 5 de junho, foi, como costuma ser todos os anos, um grande sucesso.

Presentes grande número de participantes. Monarquistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Paraná compareceram a este grande evento monárquico.   

Dom Luiz, não pôde comparecer, substituindo-o o Príncipe Imperial, S.A.I.R. Dom Bertrand, que em suas palavras iniciais saudou os presentes, falando também da “Vocação Providencial do Brasil”. O Príncipe fez o encerramento dos trabalhos no início da noite.

O programa transcorreu normalmente. O Prof. Rogério Tjader, em suas considerações sobre o nonagésimo ano de falecimento do Príncipe Perfeito, aproveitou para lançar um pequeno livro, com cerca de 50 páginas, com o título “O que é Monarquia?”

Dom Rafael, no lugar de seu pai, discursou a respeito das eleições 2010, fazendo retificações a respeito da política adotada pelo atual governo federal. 

Dona Maria Gabriela também compareceu ao Encontro Monárquico.

Castelo de Beloeil: residência dos Príncipes de Ligne


O Castelo de Beloeil, dos Príncipes de Ligne

O site francês “Nord éClair” traz reportagem sobre o Castelo de Beloeil, residência dos Príncipes de Ligne, onde nasceu Dona Christine, esposa do Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, onde reside atualmente Dona Eleonora de Orleans e Bragança e seu marido, o Príncipe Michel de Ligne, Príncipe Titular de Ligne. O castelo é também destino de nossa Família Imperial, que estando lá, reúnem-se habitualmente com os primos e tios da Europa.


Castelo de Beloeil: o pequeno Versailles belga

A reportagem é de Isabelle Hodey (isabelle.hodey@nordeclair.fr), em 16 de maio de 2010:     

Ele deve seu apelido ao seu jardim francês, com a sua piscina de seis hectares, assim foi escrito por um discípulo de Le Notre, Jean-Michel Chevotet. Mas a comparação pára por aí. O Castelo de Beloeil não é uma residência Real, mas sim Principesca, onde moram os Príncipes de Ligne: trinta gerações de senhores, guerreiros, embaixadores, vice-reis, senadores e escritores que fizeram o nome desta Família. Eles poderiam viver em Ligne, uma vila próxima, mas a Família optou por viver em Beloeil através da união de 1394, e a posição de Príncipe, desde 1601.

É à descoberta dessa Família que o Castelo nos convida. Mesmo depois de ser completamente destruído pelo fogo em 1900, foi reconstruído conforme os planos originais, o mobiliário e suas coleções foram salvas graças à mobilização de todos os habitantes do Castelo e dos aldeões.

Da Áustria para a Sicília

Aqui estamos nos apartamentos do Marechal Charles Joseph (1735-1814), uma das personalidades mais famosas desta Família, amigo de Voltaire, Marie-Antoinette e Catarina II da Rússia. É o único a não ser enterrado em Beloeil, pois o Castelo na época foi colocado a disposição durante a Revolução Francesa para hospedar a nobreza emigrante. Na Sala Rosa, sua cor favorita, quadros ilustram os eventos significativos de sua vida, como quando ele recebeu a Ordem de Maria-Theresa, do Rei José II da Áustria.
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Vamos, então, nas Salas de Emblise  e Épinoy, que devem seus nomes as propriedade da Família no norte da França.

Percebe-se finas tapeçarias de Bruxelas e de Lille, antes de entrar na sala de conferências do Príncipe Eugene (1804-1880), que foi convidado a se tornar o primeiro Rei dos Belgas, mas recusou a oferta.

Mas a parte térrea é a mais bela parte do castelo: a biblioteca e os seus 20 mil volumes, ao longo do tempo.

A sala de jantar, que ainda abriga recepções e seminários, o salão dos embaixadores, chamado assim em memória de todas as missões diplomáticas dos Príncipes de Ligne, e especialmente a Claude Lamoral, Vice-Rei da Sicília e embaixador do Rei Filipe IV Espanha, e da Câmara dos Marechais. Concluímos a visita ... No entanto, isso pode continuar no exterior, desfrutando do parque, onde um trem ainda é planejado! O “W Chateau Beloeil”.

O Castelo de Beloeil é aberto nos finais de semana e feriados, das 13h às 18h para o público em geral e, todos os dias das 10h às 18h, para reservas de grupos.

Mais Informações: www.chateaudebeloeil.com

Os jardins do Castelo atraem milhares de visitantes todos os anos



O paisagismo do Castelo de Beloeil é referência para profissionais e deleite para os visitantes

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Missa pela alma do Príncipe Dom Pedro Luiz

Aspecto da fachada da Igreja do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, consagrada a Nossa Senhora do Monserrate


A Santa Missa celebrada no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro em sufrágio a alma do Príncipe Dom Pedro Luiz contou com a presença de quase todos os membros da Família Imperial Brasileira. O Chefe da Casa Imperial, por motivo de força maior, não pôde comparecer, mandando representá-lo, Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Presentes ainda, os primos de Dom Pedro Luiz, da Família dos Condes de Nicolay, o Cônsul da Bélgica no Rio de Janeiro; Sr. Jan Bouchet, o Prefeito da cidade mineira de Pequeri; Sr. Raul Salles e também muitos monarquistas, membros do Instituto Cultural Dona Isabel I a Redentora, do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, entre outras organizações.

Início da Santa Missa. Nos primeiros bancos
os pais, irmãos, tios e primos de Dom Pedro Luiz | Foto: Luís Mendes


Dom José Palmeiro Mendes proferiu a homilia, onde ressaltou a importância de lembramos os entes queridos, através das orações. Os Padres Jorjão e Alessandro de Bourbon Duas-Sicílias também falaram a respeito de Dom Pedro Luiz em palavras que deram conforto aos pais e irmãos do Príncipe.

Dom Antonio, Dona Christine, Dom Rafael e Dona Maria Gabriela atentos a celebração
Foto: Luís Mendes


A emoção de todos os presentes marcou a celebração. 

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um ano sem Dom Pedro Luiz



“Penso que meu filho era bom demais, e talvez por isso Deus tenha o chamado para perto mais cedo. O problema é a saudade, que é muita.”

Dom Antonio de Orleans e Bragança, à revista Época – 04/06/09



Há um ano o mundo acordava com a triste notícia do acontecimento de uma das maiores tragédias aéreas da história mundial. Eram os jornais que noticiavam o desaparecimento do avião que fazia o vôo 447 da Air France, que saiu do Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, em 31 de maio, às 19h30mim, com destino ao Aeroporto parisiense Charles de Gaulle.

Com 228 pessoas a bordo, sendo 12 tripulantes e 216 passageiros, entre eles um bebê, inúmeros idosos, homens e mulheres, o Airbus A330, nunca chegou ao destino, desaparecendo no Atlântico. Na manhã de 1º de junho, além dos familiares das vítimas, um grupo de pessoas em especial, assistia ansiosamente aos noticiários, lia os jornais daquele dia, acessava os vários portais da internet que noticiavam o potencial acidente: o grupo especial era formado por monarquistas brasileiros  à espera de um milagre, pois o jovem Príncipe Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança, futuro Herdeiro do Trono Brasileiro, estava naquele vôo, voltando a Europa após alguns dias com sua família no Brasil. Naquela altura a tragédia não era tratada como tal, havia hipóteses de que o avião tivesse sido seqüestrado ou tivesse ocorrido uma pane qualquer, de forma que o comandante achou por bem aterrissar em algum ponto isolado. Havia a esperança de que passageiros e tripulação tivessem achado abrigo nos rochedos do arquipélago de São Pedro e São Paulo. Infelizmente a esperança morreu. Após a confirmação, não restavam dúvidas de que o avião havia sido engolido pelo enorme Oceano. França e Brasil uniram-se para fazer buscas a sobreviventes e destroços, foram enviados navios, helicópteros e equipamentos de última geração ao provável local do acidente; outros países também manifestaram vontade de ajudar, afinal, havia no vôo cidadãos de 32 países diferentes. Somente no 5º e 6º dias de procura, foram achados os primeiros restos do avião e também as primeiras duas vítimas. Pela localização inóspita e difícil acesso, os corpos e destroços teriam que ser trazidos a costa por navios, o que exigiu grande tempo, arrastando ainda mais a dor das Famílias envolvidas.

Naquela manhã de 1º de junho o Príncipe Brasileiro Dom Antonio de Orleans e Bragança, que havia recém acordado, ligou a televisão e se deparou com a triste noticia que assolava o mundo. Logo identificou o nº do vôo e local de destino, com o avião, que um dia antes o filho havia embarcado. Um choque inesperado e que até agora não pôde ser traduzido por Dom Antonio. Tendo a notícia, teve que transmiti-la à esposa, Dona Christine, e aos filhos, Dona Amélia, Dom Rafael e Dona Maria Gabriela. Conta o Príncipe, que naquele momento começaram a rezar intensamente, “pois a fé tudo transforma”. Deslocaram-se da serra carioca, onde moram, para o Rio, a fim de acompanhar com precisão o que estava ocorrendo. No caminho, Dom Antonio relembrava o que havia dito ao filho, as trocas de olhares e de experiências que haviam feito um dia antes no mesmo trajeto, quando a família se dirigia ao aeroporto para dele se despedir. Conta Dom Antonio que durante o trajeto até o Galeão, conversaram sobre a partida de golf que haviam jogado pela tarde, sobre banalidades da vida, mas também conversaram “coincidentemente, sobre fé e religião. Ele disse que estava feliz e que Deus era muito importante em sua vida”. Depois da chegada da família ao Rio, desta vez para acompanhar as buscas pelo vôo 447, correram-se semanas de incertezas, dor e tristeza.

Dom Pedro Luís Maria José Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, nascido em 12 de janeiro de 1983, era filho do Príncipe Dom Antonio João de Orleans e Bragança e de Dona Christine, nascida Princesa de Ligne, de importante Família Principesca da Bélgica. Era o 4º na linha de sucessão ao trono do Brasil,  constituída por seus tios, o Príncipe Dom Luiz, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil,  Dom Bertrand, Príncipe Imperial do Brasil, ambos solteiros, e de seu pai, Dom Antonio. Desempenhou papel fundamental no plebiscito de 1993, pois simbolizava o processo de continuidade da monarquia, traduzia a juventude do movimento e toda a capacidade do sistema perante uma sociedade tão carente de grandes líderes. Era o símbolo de um sistema de governo atual, que em longo prazo nos possibilitaria a vivência de um terceiro Reinado, espelhado em seu antepassado, Dom Pedro II. Para tanto coube ao Príncipe buscar formação à altura. Era formado em Administração de Empresas pela Ibmec e pós-graduado em Economia pela FGV. Em 2005, Dom Pedro Luiz foi viver no Luxemburgo, Grão-Ducado governado por seu primo, o Grão-Duque Henri. Lá trabalhava no importante Banco Paribas, tendo, atestado por seu chefe, trajetória profissional invejável e promissora. Naqueles dias, anteriores ao acidente, veio ao Brasil para visitar sua Família, em especial a avó, que tanto o amava. Veio ver Petrópolis e viver o Brasil. Ninguém nunca imaginaria o que ocorreria no final da curta temporada no Rio de Janeiro.

Naquele momento difícil, o apoio de todos era fundamental. Os Príncipes  de Ligne mandaram celebrar missa no Castelo de Beloeil, com presença de membros da nobreza européia e da Família Real da Bélgica, logo vieram para o Brasil. Da África veio Dona Maria Elisabeth, que estava lá em missão da ONG Médicos Sem Fronteira. O Conde Alexander de Stolberg, então noivo da Princesa Dona Isabel, esteve também presente às manifestações de pesar da Família. A Família Real da Bélgica também divulgou nota a respeito da tragédia, compadecendo-se das vidas perdidas, em especial a de Dom Pedro Luiz. A Duquesa Diana do Cadaval e seu marido, o Príncipe Charles-Phillipe de Orleans, Duque de Anjou, também declararam a revistas de Portugal -- a dor sentida pela trágica morte do primo. No site do Conde de Paris ainda é visível a nota de pesar sobre o acontecimento: “Monseigneur le Comte de Paris partage la douleur des familles des victimes du vol d'Air France 447 qui reliait Rio à Paris et a le regret d'annoncer la présence du prince Pedro Luiz d’Orléans-Bragance parmi ces victimes”. Em Portugal, o Duque e a Duquesa de Bragança mandaram celebrar missa na Igreja da Encarnação, pela alma do primo e “amigo que os visitava todos os anos”. Esta missa lotou o templo, eram os amigos de Dom Pedro Luiz, que depois de ir tantas vezes às terras dos antepassados, conquistou a muitos. Dona Isabel de Orleans e Bragança Martorell, filha de Dona Teresa, última neta viva da Princesa Dona Isabel, a Redentora, também estava presente. Sempre que Dom Pedro Luiz ia a Portugal passava em Sintra na Casa dos Duques de Bragança e no Porto, em casa de Dona Teresa. Era, por todos, muito amado.

Em 8 de junho, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, tio de Dom Pedro Luiz, divulgou nota de pesar:

Transido de pesar, cabe-me o dever de registrar, enquanto Chefe da Casa Imperial do Brasil, o desaparecimento de meu querido e já saudoso sobrinho, D. Pedro Luiz de Orleans e Bragança, no fatídico acidente do vôo da Air France (Rio-Paris), ocorrido no dia 31 de maio, em pleno Oceano.

Diante da pungente dor de seus pais, D. Antonio e D. Christine, de seus irmãos, D. Amélia, D. Rafael e D. Maria Gabriela, e de minha querida Mãe, D. Maria, volto para eles minha especial solicitude e meu particular afeto. Solicitude e afeto que volto igualmente – e, junto comigo, toda a Família Imperial - para aqueles que perderam seus entes queridos no referido acidente aéreo. A todas estas famílias - de modo muito especial às brasileiras – a Família Imperial estende seus sentimentos e roga a Deus pelo descanso eterno de cada vítima.

Nestes dias, de todo o Brasil e até do exterior, chegaram aos pais de D. Pedro Luiz, bem como a mim e a toda a Família Imperial, numerosas e sinceras manifestações de pesar por tão trágico sucesso. Não posso deixar de ver nessas sentidas manifestações a expressão viva e autêntica do sentimento familiar e dos laços de afeto que sempre uniram a Família Imperial e os brasileiros, monarquistas ou não.

D. Pedro Luiz – até então, 4º na linha de sucessão dinástica – era um jovem Príncipe que despontava na sua geração como uma promessa, suscitando o interesse e a atenção de muitos, por seu modo aprazível, por suas inegáveis qualidades e pela tradição que representava.

Como fruto da exímia formação e do senso do dever, incutidos por seus pais, após se ter formado em Administração de Empresas pelo IBMEC do Rio de Janeiro, e se pós-graduado pela FGV, dava ele os passos iniciais de uma promissora carreira profissional, no BNP Paribas, no Luxemburgo, tendo a preocupação e o empenho de fazer ver aos estrangeiros as grandes potencialidades de nosso País.

Mas sua presença era especialmente querida entre aqueles que acreditam ser o regime monárquico uma solução adequada para o Brasil hodierno.

Foi D. Pedro Luiz presidente de honra da Juventude Monárquica e participou de ações e eventos de relevo em prol dos ideais monárquicos - muitas vezes na companhia de seus pais - chegando até a representar a Casa Imperial, em mais de uma ocasião, sendo-me especialmente grato recordar sua presença, em Portugal, em comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

Se o momento é de apreensão e de tristeza, não pode ele ser desprovido de esperança. Esperança que se volta, de modo particular, para D. Rafael – irmão do desaparecido – a quem auguro ânimo e determinação diante do infortúnio, e exorto a que seja, na sua geração, um exemplo de verdadeiro Príncipe, voltado para o bem do Brasil e exemplo de virtudes cristãs.

Ao encerrar esta dolorosa comunicação, volto meu olhar a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a quem suplico confiante que acolha na eternidade a D. Pedro Luiz. E rogo especiais orações por ele, bem como por seus pais, irmãos e por minha querida Mãe, a todos aqueles que, com espírito de fé, acompanham a Família Imperial neste momento de luto.

São Paulo, 8 de junho de 2009

Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil

Nesta nota, S.A.I.R. Dom Luiz expressa toda dor por conta do ocorrido, sem descuidar das atribuições que são de responsabilidades da Família Imperial Brasileira.

A 8 de junho, celebrou-se em São Paulo, na Igreja de Nossa Senhora do Brasil, às 11 horas, --- missa de 7º dia por Dom Pedro Luiz, estando presente Dom Luiz, Dom Bertrand, Dom Antonio e Dona Christine, Dom Rafael e suas irmãs. No Rio de Janeiro, no dia 10, às 13h30mim, a Antiga Sé ficou lotada por familiares, amigos e monarquistas de todas as partes, para o mesmo fim, em missa celebrada pelas maiores autoridades da Igreja  do Rio de Janeiro, em cerimônia solene. Presidiu o rito sagrado o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta. Leandro Mairink, representante da Associação Causa Imperial, relata como foi à celebração:

“Nesta quarta-feira, na Antiga Sé Imperial e Real, reunidos com a Família Imperial estavam muitos amigos e parentes, havendo a impressão de que nada seria capaz de separar a família naquele momento. Primos, irmãos e amigos falaram sobre sua convivência com o príncipe D. Pedro Luiz, muito emocionados, isto todos puderam sentir. Em uma missa – um evento que talvez não ocorresse desde o final do Império – o clero da Igreja se uniu para a celebração, Bispos, Arcebispos, Abades e diversos Presbíteros do Rio de Janeiro, Niterói e Petrópolis foram acompanhados pela música tocante de diversos compositores clássicos na interpretação do Coral dos Canarinhos de Petrópolis.

Unidos, D. Rafael, D. Amélia e D. Maria Gabriela falaram sobre D. Pedro Luiz, muito emocionados. Quando as lágrimas interrompiam a voz das princesas, D. Rafael prontamente as amparava. O jovem príncipe, que demonstrou por suas palavras que sabe bem o peso da responsabilidade que sobre ele agora se encontra, falou do irmão mais velho como seu ídolo, seu exemplo de vida, no qual ele e suas irmãs buscavam constante apoio. Emocionado, mas com muita força e determinação, D. Rafael falou sobre a responsabilidade que tinha D. Pedro Luiz para com sua família, em especial com os irmãos e de sua missão para com o Brasil. O jovem príncipe deixou claro que sabe que agora essa responsabilidade é sua e que irá cumpri-la com a mesma dedicação que o irmão.

Naquele momento, no qual três irmãos unidos não falavam apenas da grande perda que sofreram, mas também da responsabilidade que sabem que têm para com o Brasil, todos os presentes ficaram extremamente emocionados. Lágrimas correram sobre tantas das faces dos presentes.

Não só os irmãos, mas também os primos e amigos pessoais do príncipe, proferiram palavras de amor e fé. Em nenhum momento se falou da morte, apenas da vida e da alegria que o príncipe D. Pedro Luiz passava a todos, alegria contagiante. Todos citaram momentos de felicidade com o príncipe e o exemplo que haviam recebido ao longo dos anos de convivência com ele. D. Pedro Luiz é considerado por todos os seus primos e amigos um exemplo incomparável.

Foram muitos os presentes, entre eles: Lily Marinho, João Henrique de Orleans e Bragança, Miguel de Ligne e sua esposa D. Eleonora de Orleans e Bragança, o conde Alexander de Stolberg-Stolberg e sua noiva D.Isabel de Orleans e Bragança.

Ao final da Missa, a Família Imperial, nas pessoas de SS.AA.II.RR os príncipes D. Luiz e D. Bertrand, SS.AA.RR o príncipe D. Antônio e sua esposa D.Christine, assim como seus filhos, cumprimentaram a todos os presentes, recebendo deles palavras de força e fé.”

A missa de um mês foi celebrada em Petrópolis, onde Dom Pedro Luiz cresceu, onde passou a maior parte de sua vida. Terra de seus antepassados. Cidade de Pedro.

Em 5 de julho, quando evoluíram as buscas por destroços e corpos de vítimas, um agente da Policia Federal telefonou ao Príncipe Dom Antonio para informar que havia sido encontrado o corpo de seu filho. Acabava tristemente a expectativa de um bom final. A todos nós, restou apenas a conformidade de poder enterrar o ente tão querido, sorte que tantas famílias afetadas não tiveram. Transladado do Recife para Vassouras, oficiou a missa de corpo presente, na igreja paroquial, o amigo da família e monarquista histórico, o Abade Emérito do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Dom José Palmeiro Mendes, juntamente com o Padre Jorjão e o primo do falecido, o Padre Alexandro de Bourbon Duas-Sicílias. Uma cerimônia triste, a que tios, primos e alguns amigos mais íntimos, acompanhados dos pais e irmãos do Príncipe, se juntaram em choro e dor.

A tragédia do vôo 477 foi notícia por vários dias em todo mundo, mais de 300 jornais brasileiros noticiaram a morte do Príncipe. Quando muitos despertaram para conhecer Dom Pedro Luiz, já era tarde, mas, como registro ficou o que todos unanimemente dizem sobre o saudoso Príncipe. Dom Antonio e Dona Christine, pais zelosos, tiveram parte de suas vidas arrancadas, quantas lágrimas neste um ano, quantos momentos de desespero, quanta saudade? Um ano sem o bom filho, o querido irmão, o amado neto, sem o exemplar sobrinho, o primo companheiro, o amigo de todas as horas, sem o bom aluno, o ótimo funcionário. Um ano sem o saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz. 


   

 Dom Pedro Luiz em seu batizado



Ainda criança


Na residência de Petrópolis: a Família reunida


No plebiscito de 1993, acompanha seu pai, o Príncipe Dom Antonio










Em discurso no Outeiro da Glória


Durante o Encontro Monárquico do Rio de Janeiro


Dom Bertrand, Dom Pedro Luiz e Dom Rafael num evento promovido em Brasilia


No aniversário da avó, S.A.I.R. Dona Maria


Dom Pedro Luiz e seus irmãos na Europa: Dona Amélia, Dona Maria Gabriela e Dom Rafael


Em Pterópolis nos 160 anos da Redentora, Dona Maria Gabriela, Dom Rafael, a Condessa de Stolberg; Dona Isabel e Dom Pedro Luiz


Dom Pedro Luiz e Dom Rafael na cidade do Porto, em casa de Dona Teresa de Orleans e Bragança










No Natal, em Família, os pais, os irmãos e a avó materna, a Princesa Alix de Ligne


Em evento no castelo da Família Principesca de Ligne





No Banco Paribas onde trabalhava, em Luxemburgo








No casamento de Marie-Christine da Áustria


Em evento com o Príncipe de Liechtenstein


Na serra carioca


Livreto distribuido na missa pela alma de Dom Pedro Luiz





Nas missas e enterro, toda a dor sentida pela Família e amigos do Príncipe

























O enterro em Vassouras

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