segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Nasce mais uma neta de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança


Acaba de nascer em Portugal, o décimo neto de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança e de Dona Walburga, nascida Arquiduesa da Áustria.  A pequena criança recebeu o nome de Leopoldina e é filha do sexto filho de Dom Carlos, Dom Antonio e de Dona Gabrielle, nascida Condessa de Meleissye – Melum.

O avô da pequena Dona Leopoldina, Dom Carlos está no Brasil e fez grande doação para o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. São peças que pertenceram ao emblemático Príncipe Dom Pedro Augusto, filho de Dona Leopoldina e do Duque de Saxe, netos, portanto, do Imperador Dom Pedro II, entre os artigos, um relógio de bolso e louças que pertenceram ao extinto Palácio Leopoldina.

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Com os agradecimentos ao amigo Jean Menezes do Carmo.

Beato Carlos e Serva de Deus Zita da Áustria


Um casal que muito tem a ver com a Família Imperial Brasileira, seja pelo parentesco ou pela recente notícia da sugestão do início do processo de beatificação de Dona Isabel, o Imperador Carlos da Áustria – Beato da Igreja – e a Imperatriz Zita – Serva de Deus, completou, no último dia 21 de outubro, 100 anos de união, data em que a Santa Sé determinou como sendo a festiva do Beato Carlos. Um casal unido no amor, nos valores familiares, na vida de Estado, mas principalmente na fé cristã.

Ele, nascido em 1887, na Áustria, filho do Arquiduque Otto e da Arquiduquesa Maria Josefa, o Beato Carlos era sobrinho de Francisco José, Imperador da Áustria e Rei da Hungria. Nasceu afastado da linha de sucessão, pois o Imperador, seu tio, possuía descendência que lhe garantia continuidade,  contudo o Império dos Habsburgo se viu transtornado pelas tragédias que culminaram na I Grande Guerra, fazendo com que mais tarde Carlos fosse Imperador. O Arquiduque Herdeiro Francisco Ferdinando foi assassinado e o Arquiduque Carlos passou a ser o Herdeiro Presuntivo do Trono. Fez carreira militar e desde criança já era conhecido pela boa educação e dedicação ao próximo.

Ela, nascida em 1892 na Toscana, filha do Duque Roberto de Parma e da Duquesa Maria Antonia de Bragança, educada privativamente sob os auspícios da tradição monárquica e da fé católica, tendo contato fraterno com diversas ordens religiosas – sobretudo com a beneditina, a Imperatriz Zita era membro de uma família peculiar, tendo 23 irmãos, entre eles 6 excepcionais. Seu pai foi o último Duque Soberano de Parma.

Em 1911, precisamente a 21 de outubro, as vidas do então Arquiduque Carlos e da Princesa Zita se entrelaçaram, formando o casal exemplo de vida e fé que hoje reúne milhares de devotos.

Em imagem da LUCE, no casamento do Beato Carlos e da Serva de Deus Zita da Ásutria, vê-se o Príncipe Dom Luiz e a Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, representando a Família Imperial do Brasil

O casamento de primos Carlos e Zita foi festejado e querido por todos (tendo inclusive a presença do Príncipe Dom Luiz e da Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, Príncipe e Princesa Imperais do Brasil). Em 24 de junho de 1911, portanto antes do casamento, e até antes mesmo de Carlos se tornar o Herdeiro Presuntivo, Zita foi recebida por São Pio X, Papa da época, que lhe concedeu audiência particular onde revelou: “Vossa Alteza vai se casar com o Herdeiro do Trono. Desejo-lhe, então, a plenitude das bênçãos. E eu me alegro infinitamente com isso, pois Carlos é um presente do céu por tudo o que a Áustria fez pela Igreja”. A então Princesa, perturbada com as revelações, pensou em contrariar Sua Santidade e afirmar que o Arquiduque Carlos não era o Herdeiro, contudo respeitou a colocação do Santo Padre. Na verdade, as sábias palavras de São Pio X foram profecias sobre o futuro do casal e a confirmação do que Carlos representava através de sua bondade e fé, um presente para a Áustria.

O casal teve oito filhos, os Arquiduques: Otto, Adelaide, Roberto, Felix, Carlos Luís, Rodolfo, Carlota e Elisabete.

Em 21 de novembro de 1916, Carlos tornou-se, com o falecimento do tio, Imperador da Áustria e a 30 de novembro do mesmo ano, Rei da Hungria, seus títulos eram: Sua Majestade Imperial, Real e Apostólica Carlos I, pela Graça de Deus, Imperador da Áustria, Rei Apostólico da Hungria, quarto de seu nome, Rei da Boêmia, Dalmácia, Croácia, Eslovénia e Galícia, Lodomeria e Ilíria; Rei de Jerusalém, etc... Arquiduque da Áustria, Grão Duque de Toscana e Cracóvia, Duque de Lorena e Salzburgo, de Estiria, Caríntia, Carniola e Bucovina; Grão Príncipe da Transilvânia; Margrave da Morávia; Duque da Alta e da Baixa Silésia, de Módena, Parma, Piacenza e Guastalla, de Auschwitz e Zator, de Teschen, Friuli, Ragusa e Zara; conde de Habsburgo e Tirol, de Kyburg, Gorízia e Gradisca; Príncipe de Trento e Brixen; Margrave da Alta e da Baixa Lusacia e da Ístria; Conde de Hohenems, Feldkirch, Bregenz, Sonnenberg, etc...; Senhor de Trieste, de Cattaro, e de Marca Wendia; Grão Voivoda da Sérvia, etc. e, consequentemente, Zita se torna a Imperatriz e Rainha. Foram dois anos de reinando, onde o Imperador pode provar das mais tristes realidades no governo. No auge da I Grande Guerra, o Imperador Carlos preocupou-se avidamente em solucionar a problemática, arquitetando secretos tratados de Paz com governos europeus, no entanto não obteve êxito. Enquanto seu marido se preocupava em acabar com a terrível guerra, a Imperatriz Zita cuidava em assistir os desvalidos. Criou, para tanto, obras de caridades subsidiadas por ela mesma e por amigos valorosos.


Sob a voz do nacionalismo, pressionado por alguns, o Imperador Carlos teve de deixar seus sonhos de restauração da dignidade do Império Austro-húngaro e em 11 de novembro de 1818 renunciou sem abdicar do Trono. O Imperador e a Família se recolheram em uma propriedade em Viena e logo depois foram banidos, passando pela Suíça e depois indo viver na Ilha da Madeira. Neste período com sete dos oito filhos (a Imperatriz estava grávida do oitavo), passaram por toda a privação possível, desde a escassa comida até o frio intenso. Sem recursos necessários para se hospedarem em hotéis, foi lhes emprestada uma casa e pelo relato da camareira da Imperatriz, pode se ver o quão grande era sacrificante a vida que levavam: “Na verdade, não tivemos senão três dias com sol. Durante o resto do tempo, sempre chuva, nevoeiro e umidade. Faz frio nestas montanhas. Aqui, não temos luz elétrica; água corrente, apenas no primeiro andar e na cozinha, que fica na parte térrea da casa (...). Para aquecimento, temos apenas lenha verde que fumega constantemente. Só podemos lavar a roupa com água fria e sabão. (...) A casa é tão úmida que cheira a mofo e pode-se ver o hálito da respiração de cada um. Os únicos meios de transporte são os carros ou os bois, mas não podemos pagar a nenhum deles. Além disso, existe também um funicular, que não funciona todos os dias. A pé não se pode descer do Monte, pois seria necessário quase que um dia inteiro para voltar. O pobre Imperador não pode ter carne à mesa para o jantar, mas somente legumes e alguma sobremesa. É o que nos causa maior pena. Para nós, isso não tem problema, não nos faz falta. Mas para eles... não têm sequer o suficiente para comer. (...) O pior de tudo é que Sua Majestade deve ter seu bebê no mês de maio e não há planos de chamar nem uma parteira, nem um médico para assisti-la. Por aqui, há apenas uma pajem de crianças, mas sem a necessária experiência. Então, não teremos sequer uma parteira preparada. Com relação a isso, estou desesperada.

Escrevo sem que Sua Majestade o saiba, mas não posso suportar que se deixe aqui, por mais tempo, numa casa de todo precária, estas duas inocentes criaturas. É preciso protestar! Suas Majestades não o farão e, sem dizer uma só palavra, deixar-se-iam encerrar no buraco de uma adega, a pão e água, se isso lhes fosse exigido. Em nossa capela, crescem fungos nas paredes e seria impossível ficar nos quartos caso não se mantivesse o fogo aceso nas lareiras. É lógico que nos ajudamos reciprocamente o mais que podemos! Contudo, algumas vezes, temos vontade de desanimar, mas quando vemos com que paciência Suas Majestades suportam tudo isso, também nos resignamos e vamos em frente”.

Ainda na Ilha da Madeira, o Imperador contraiu um grave resfriado que acabou por vitimá-lo fatalmente. O Imperador contava então com a idade de 34 anos e a Imperatriz com a idade de 30, levando o luto por 67 anos.

Da Madeira, a Imperatriz mudou-se para a Espanha e outros países da Europa, onde teria apoio familiar. Após a morte do Imperador Carlos, a Imperatriz viu-se obrigada a assumir a Regência em nome do filho, o Arquiduque Otto. Ainda por este motivo lutou incessantemente tanto no lado social quanto no lado político para o bem da Áustria e Hungria. Na Europa, a Imperatriz Zita recebeu parte dos diretos e rendimentos dos bens confiscados, podendo oferecer o necessário para toda a Família Habsburgo e para os que a acompanhavam, no entanto, a Imperatriz usava a maior parte destes recursos em doações para seu povo, pois a Grande Guerra fez muitos mortos, feridos e órfãos.

Indo para o Canadá, vivendo lá por cerca de 10 anos, hospedada em casa das Irmãs de Santa Joana D’Arc, a Imperatriz percorreu os Estados Unidos em conferências religiosas, numa peregrinação resignada e admirável, com vistas a angariar doações para seu povo. Para tanto teve a ajuda das filhas e da mãe, que auxiliavam na separação, classificação e empacotamento das doações.

Em 1948, a Imperatriz ganha uma residência de presente dos filhos em Nova York, nesta mesma época os EUA estavam planejando cessar a ajuda enviada a Áustria, ocasião em que a Imperatriz reuniu cerca de 50 esposas de senadores americanos, numa tentativa de expor a realidade de seu povo. A iniciativa surtiu efeito e os EUA mantiveram a ajuda.  

Em 1953, Zita retorna a Europa, desta vez para assumir novo compromisso, como sempre de doação e compaixão. Retornou a Europa para cuidar de sua mãe, a Duquesa Maria Antonia que estava bastante idosa, neste período ficando hospedada no Castelo de Berg, residência de sua cunhada e irmão, a Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo e o Príncipe Consorte Felix (seu irmão). Em 1959, a Duquesa Maria Antonia faleceu e a Imperatriz Zita foi proibida de assistir seu sepultamento, ocorrido no Castelo de Puchheim, de propriedade dos Bourbon-Parma, na Alta Áustria.

Após muitos anos em que a providência lhe encaminhou para vários destinos, sempre pela caridade e doação, a Imperatriz sentiu a necessidade de buscar um ponto fixo, uma residência sua, onde pudesse descansar. Escolheu Zizers, no Cantão dos Grisões, na Suíça, perto de todos os centros que lhe detinham especial atenção. Lá tinha uma rotina religiosa intensa: três missas por dia, recitação do terço e orações ao Santo do dia. Recebia visitas e empreendia viagens como à Terra Santa e ao Vaticano e, também, visitas aos filhos.

Em 1982 o Supremo Tribunal de Justiça Administrativa da Áustria revogou o banimento da Imperatriz Zita, concluindo que foram injustos os seus anos de exílio, pois tal banimento era específico para os Habsburgo, a Imperatriz o era apenas por casamento e não por nascimento. Teve então o banimento revogado e retornou a Áustria triunfalmente participando de uma missa com mais de 20.000 expectadores na Catedral de Santo Estevão. Faleceu a 14 de março de 1989, já sem visão e com reduzida mobilidade, quando ela mesma afirmava esperar serenamente sua morte para ir ao encontro do marido.

Assim foi a vida deste casal já santo nos corações de seu povo e nos de muitos fieis por todo o mundo. É de se destacar toda a vida e obra de Carlos e Zita, que mesmo depois da morte foram inseparáveis.

O processo de beatificação do Imperador Carlos iniciou-se em 1949, sendo beatificado, por S.S. o Papa João Paulo II em 2004, tendo o Brasil contribuído circunstancialmente para tanto, pois foi em solo brasileiro em que se deu o primeiro milagre comprovado do Beato Carlos. Atribui-se a ele a cura da Irmã Maria Zita Gradowska, vicentina polonesa, radicada no Brasil desde 1927. Vítima de grave enfermidade nas pernas, tendo desde muito jovem procurado a cura através de médicos e tratamentos, só a teve em 1960, por milagre do Beato Carlos.

A Imperatriz Zita teve seu processo de beatificação aberto em 2009, podendo, desde então, ser chamada de Serva de Deus.

Missas foram celebrados no Rio de Janeiro e em São Paulo, bem como na Áustria e demais países onde há significativa concentração de fiéis, pelos 100 anos do casamento. E como muito bem disse o Abade Emérito do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Dom José Palmeiro Mendes, que celebrou Santa Missa por esta intenção, citando a antífona da comunhão: “bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino do céu”. Palavras que muito bem traduzem a passagem do Imperador Carlos e da Imperatriz Zita pela terra.

Para a divulgação em prol da canonização do Beato Carlos da Áustria foi composto o sítio eletrônico http://emperorcharles.org/Portuguese/steps.shtml e pela beatificação da Serva de Deus Zita o sítio  http://www.beatification-imperatrice-zita.org/pages/portugues/fotografias.php.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dona Maria Teresa de Orleans e Bragança apoia projeto social que preserva a cultura e as tradições brasileiras em outros países

A Princesa Dona Maria Teresa de Orleans e Bragança, irmã do Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz, participou do projeto Alecrim que busca incentivar a preservação da cultura e das tradições do Brasil para brasileiros que escolheram outro país para morar. O projeto é focado nas crianças, com apresentações lúdicas e pedagógicas. Neste interim a Princesa brasileira que mora na Bélgica, foi convidada a contar a História de Dom Pedro I, seu tetravô para os pequenos brasileiros que fazem parte do projeto Alecrim em Bruxelas.


 Confira na íntegra a história contada por Dona Maria Teresa:

Eu vim aqui para contar para vocês a história do meu tataravô, o Dom Pedro I. Ele é o pai, do pai, da minha bisavó. A princesa Isabel. Ele nasceu quase 200 anos atrás.

O nome completo dele era: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. 16 nomes! Mas Pedro era suficiente! Esta é uma tradição de família, é o nome pessoal, mais o nome dos padrinhos e madrinhas, seguido o nome dos arcanjos protetores da criança. Eu mesma tenho 9 nomes!

Ele era o filho do rei de Portugal que se chamava D. João VI e a mãe dele era a Dona Carlota Joaquina. Quando ele tinha 9 anos, ele e a família real tiveram que sair de Portugal devido a invasão de Napoleão à Portugal.

Nesta época só tinha navios, barcos, cavalos e carruagens. Como ele tinha que atravessar todo o oceano Atlântico, eles foram em enormes navios para o Brasil. A viagem de navio até o Brasil durou  vários meses. Foi super difícil e desconfortável. Imagine você ficar o tempo inteiro num navio cheio de gente, com muitas pessoas com enjôo por causa das ondas... Foi nesta viagem que cresceu o fascínio de Pedro pelos navios. A construção de navios foi uma atividade que ele se dedicou muitas horas quando adulto.


O Pedro era um menino que teve uma educação muito religiosa, rezava, ia a missa, e lia muito, e tudo em latim. Ele gostava muito de praticar esportes, como a equitação, e tinha especial prazer pela música, sendo o compositor do então Hino Nacional de Portugal até 1920 e do atual Hino à Independência do Brasil. Quando ele chegou ao Brasil, ele ficou maravilhado. Tinha tanta coisa legal no Brasil. O Brasil é um país mais quente; dava para brincar o “ano inteiro” no jardim, tinha muitas árvores, muitas frutas... E quando a família real chegou ao Brasil, ainda não tinha nenhum palácio todo chique e cheio das coisas, com todo o rigor como Pedro tinha em Portugal. Por isso eles ficaram morando provisoriamente numa das casas grandes e bonitas que já existia no Brasil. Que era ótima para as pessoas ricas que moravam nesta época, mas não muito apropriada para os reis segundo as tradições de Portugal. Para Pedro, agora, era muito fácil sair da casa e “passear” um pouco pelas ruas, o que normalmente não acontecia aos filhos dos reis na Europa. Os filhos dos reis nesta época, ou seja, os pequenos príncipes, eram superprotegidos dentro dos castelos. Mas vivendo no Brasil, e não tendo que morar num palácio, o Pedro tinha muito contato com a natureza e o povo brasileiro.

Quando ele completou 18 anos ele casou com a filha do imperador da Áustria, a Dona Leopoldina. Antes de casar, eles só se conheciam por pinturas!!!

Quando o pai do Pedro teve que voltar para Portugal, ele assumiu a regência do Brasil. Ou seja, ele ficou o responsável pelo Brasil em lugar do pai: o Pedro era então o “príncipe regente”. Pedro gostava tanto do Brasil que ficou feliz em poder ficar no Brasil mesmo que os seus pais fossem embora. Como o Pedro, agora conhecido como D. Pedro I, não precisava mais pedir a permissão do pai para tudo, ele mesmo podia decidir algumas coisas sozinho, ele começou a “melhorar” algumas coisas no Brasil. E cada vez ele ia fazendo mais, mais e mais e cada vez menos ia perguntando para o pai. Um ano depois, o pai dele escreveu uma carta que o Pedro deveria voltar para Portugal porque o Pedro não podia continuar fazendo todas as coisas que ele queria fazer, sem nunca consultar ao pai. Mas o Pedro não quis ir embora. Ele queria ficar no Brasil, ele adorava o Brasil e o povo brasileiro gostava muito dele também, porque o D. Pedro I estava melhorando muito o Brasil. No dia que ele recebeu a carta do pai, D. Pedro I disse na frente de todo mundo e bem alto:

"Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico".

Este é o famoso dia do fico, em janeiro de 1822. E ele ficou no Brasil e não voltou para Portugal.

O pai dele, D. João VI, quando soube que o filho estava desobedecendo, ficou furioso, mas muito furioso. E mandou uma carta com um monte de “castigos” para o filho e para o povo brasileiro (que tinha influenciado o filho).

D. Pedro estava viajando a cavalo ao lado do rio Ipiranga, quando chegou o mensageiro para entregar a carta do pai, o rei de Portugal. Vocês nem imaginam como o Pedro ficou "bufando" de raiva ao ler a carta. E ele pensou: “eu não vou obedecer, eu e o meu povo brasileiro não vamos nos sujeitar a isso, nós já somos fortes e não precisamos mais de Portugal”. Então, ele pegou a espada dele, ameaçou assim para o céu, e gritou bem alto:

"Independência ou morte!".


E desde esse dia, o Brasil não mais dependeu de Portugal, é um pais independente. E a gente diz que neste dia, Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil.


Confira o Projeto Alecrim Brasil
Fotos: Alecrim Brasil

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A Princesa Dona Maria Teresa é a décima primeira filha do Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 à 1981, o Príncipe Dom Pedro Henrique e da Princesa Dona Maria Elisabeth de Orleans e Bragança. Nascida em Jundiaí do Sul, em 14 de julho de 1959, Dona Maria Teresa casou-se em 4 de novembro de 1995, com o Senhor Johannes Hessel de Jong, da aristocracia belga, tendo com ele dois filhos: Johannes Pedro de Jong e Maria Pia Gabriela de Jong. A Princesa e a família residem em Bruxelas, capital da Bélgica.

sábado, 15 de outubro de 2011

Dom Bertrand visita Cidade Ocidental

Depois da agenda intensa dos últimos dias, que o trouxe da Europa a Santa Catarina, Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Dom Bertrand, incansável em seus propósitos, visitou a cidade brasilense de Cidade Ocidental. Na ocasião, Dom Bertrand foi recebido pelo prefeito Municipal, Alex Batista, que ressaltou que foi a primeira que a cidade recebeu um representante da Família Imperial. Dom Bertrand participou das comemorações e festejos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, promovidos pela prefeitura municipal e pela Associação Família e Juventude Católica.
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Ao centro o prefeito Alex Batista, Dom Bertrand compõe a mesa com demais autoridades municipais | Foto: Prefeitura Cidade Ocidental
Dom Bertrand foi recebido com solenidades, que incluíram a população e os membros do executivo e legislativos locais. O Príncipe discursou aos presentes sobre os aspectos históricos do Brasil, nos quais a Família Imperial foi determinante.
O prefeito municipal destacou: “É um orgulho receber Dom Bertrand, ele é um capítulo vivo da história do nosso país”.
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Dom Bertrand e Alex Batista | Foto Prefeitura Cidade Ocidental
A solenidade incluiu uma procissão em homenagem a Padroeira do Brasil, que percorreu todo o centro da cidade, em direção ao Santuário Jardim Imaculada, com Santa Missa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dom Antonio e Dona Christine de Orleans e Bragança presentes nas comemorações dos 80 anos do Cristo Redentor


O maior símbolo carioca, para não dizer do Brasil, o Cristo Redentor, completa 80 anos.

Com a pedra fundamental lançada pela Princesa Imperial Viúva, a Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, o monumento completa 80 anos com a presença de Dona Christine e Dom Antonio de Orleans e Bragança, numa celebração presidida por Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro e demais religiosos.

Confira abaixo reportagem da Canção Nova com declarações de Dom Antonio e Dona Christine:

Festa no Corcovado comemora os 80 anos do Cristo Redentor

Michelle Mimoso
Enviada especial ao Rio de Janeiro

O Cristo Redentor é uma das maravilhas do mundo modernoNo dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, 12 de outubro, a Mãe cedeu lugar ao Filho. Na cidade do Rio de Janeiro, um dos maiores símbolos da fé católica completou 80 anos de sua construção.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro preparou uma grande festa para comemorar esta data. Desde às 8h30, os visitantes que subiram ao Morro do Corcovado participaram de toda a festividade. Os fiéis receberam a bênção do pároco da Igreja de Santana, padre José Laudares e. em seguida, o Arcebispo Dom Orani João Tempesta presidiu a Santa Missa.

Generosa Cavalcante, do Rio Grande do Norte, estava visitando a capital carioca pela primeira vez e se emocionou. "Estamos no Rio há cinco dias e queríamos conhecer o Cristo. Quando soubemos que haveria aqui essa festa de 80 anos, resolvemos esperar por este dia. Estou aqui com minha família e me emocionei muito ao ver o Cristo e ter a oportunidade de receber uma bênção nesse local especial", contou a visitante.

Personalidades do Rio de Janeiro também participaram da Missa. Estiveram presentes o prefeito da cidade, Eduardo Paes, a deputada estadual e missionária da Canção Nova, Miryan Rios, além de outras autoridades. E um destaque especial com a participação do príncipe do Brasil, Dom Antônio Orléans Bragança e sua esposa, a princesa Cristina de Orléans Bragança.

O casal real falou à imprensa sobre sua devoção à Nossa Senhora e sobre sua fé e religiosidade. O príncipe lembrou que a primeira coisa que Dom Pedro fez, ao chegar o Brasil, foi consagrar esta terra à Nossa Senhora. "Tenham fé, creiam em Deus, porque Ele fará maravilhas a esse povo abençoado", pediu o príncipe aos participantes.

Após a cerimônia, foram inaugurados os bustos em homenagem a Dom Sebastião Leme, Arcebispo do Rio que levou adiante a ideia de construção da estátua, e Heitor da Silva Costa, autor do projeto e responsável pela obra do Cristo.

As comemorações da manhã foram encerradas com ao som da Banda Marcial Dragões Iguaçuanos e a degustação de um bolo de 8m de comprimento, simbolizando os 80 anos da estátua.
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Leia o artigo de Dom Orani sobre os 80 anos do monumento ao Cristo Redentor:

Cristo Redentor

Jornal do Brasil
Dom Orani João Tempesta


O homem é um ser simbólico, assim, nenhuma dimensão de sua vida pode fugir a essa regra ou correrá o risco de perder o sentido. Também na dimensão da fé somos seres simbólicos. Simbolizamos o nosso crer através de diversos elementos que, no seu sentido profundo, nos despertam para o que nos supera e transcende.

O Brasil, esta nação “abençoada por Deus”, carrega gravado no coração a força inequívoca de muitos símbolos que manifestam o coração, a alma, a vida e esperança de nossa gente. Se alguns insistem em pelejar pela extinção de nossos símbolos com a pretensa falaciosa afirmação de que o estado é laico, nós não apenas afirmamos que de fato o é, mas a nação, que precede o estado e dá o sentido de sua existência, essa não é laica: é religiosa, e mais, é cristã e, sobretudo, fundada sob a égide da fé católica.

Assim, o monumento a Nosso Senhor Jesus Cristo Redentor, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, evoca aquilo que a nação brasileira possui de mais originalmente seu: evoca a fé de nosso povo desde os tempos mais remotos.

O belíssimo monumento ao Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo moderno, Santuário Arquidiocesano, em cujo interior foi entronizada a imagem da Virgem Aparecida, é um dos nossos símbolos mais emblemáticos e conhecidos. A ideia de sua construção remonta a tempos bem mais antigos. Já nos tempos do Império, a Princesa Isabel, na época da assinatura da Lei Áurea, diante da homenagem que lhe queriam prestar erigindo uma estátua como “redentora”, não aceitou o pedido, conforme o aviso de 2 de agosto de 1888, dizendo que deveriam homenagear o verdadeiro “redentor dos homens” com uma imagem ao Sagrado Coração de Jesus. Houve também um sacerdote da Congregação da Missão, Padre Pedro Maria Boss, que escreveu um poema (1903) dizendo que o Corcovado era o pedestal criado para receber a imagem de Jesus. A obra seria executada, de fato, pelo meu predecessor, o eminente Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, a quem se devem a ideia, o concurso, os trabalhos, as opções feitas, a liderança para angariar fundos e finalmente a inauguração desse monumento ao Cristo Redentor. Ele que, irmanando não apenas a Arquidiocese da Capital da República, à época a cidade do Rio de Janeiro, mas todo o Brasil Católico, fez por erguer aquele verdadeiro testemunho de fé e de crença do povo brasileiro. É um monumento concebido, feito, custeado e sonhado por brasileiros, com colaborações internacionais para algumas etapas e um grande desafio para a engenharia da época. Mesmo com as dificuldades e oposições da época, foi erguido esse ícone nacional que transcende a cidade do Rio de Janeiro e a própria Igreja para ser o sinal de uma nação. Na ocasião da inauguração, há oitenta anos, na presença do Presidente da República, do governo e de todo o corpo diplomático, Sua Eminência, o Cardeal Leme, em eloquentes palavras, poria fim à aversão existente entre o Estado Brasileiro e a Igreja, que se prolongava desde a proclamação da República, marcando uma nova fase de cooperação e ajuda mútua. Disse o Cardeal da Santa Igreja Romana, Dom Leme, que no passado sintetizou o que hoje e amanhã sempre será o monumento aniversariante:

“Cristo Impera e o Seu império é o império da paz, do amor, da misericórdia e do perdão! Aqui na terra enluarada pela visão branca do Cristo, não há vencedores nem vencidos. Somos todos irmãos, filhos da mesma pátria, membros da mesma família. Ao gesto amoroso de Cristo, que abre os braços acolhedores a todos os brasileiros, sem distinção de classes e de crenças, deve responder o gesto patriótico do amplexo fraternal de todos os filhos e habitantes desta terra bendita. Que sob o olhar divino de Cristo estale o Brasil o beijo meigo da paz!”

“Cristo vence! E porque esta terra é sua, ela nunca será vencida pelo estrangeiro invasor, nem retalhada pela guerra civil.”

“Cristo reina! E deste reino nunca será desterrada a cruz da sua e da nossa bandeira. Já hoje seria preciso um cataclisma para fazer desmoronar a montanha escarpada que transformamos em trono perpétuo do Redentor. Seria preciso calcinar o granito do Corcovado; seria preciso calcinar o Corcovado dos nossos corações.”

“Seremos o doce império em que não há lugar para tiranias. Nem a tirania de capitalismos vorazes. Nem a tirania de demagogismos sangrentos. Nem a tirania dos potentados. Nem a tirania do povo.”

“Christus vincit, Christo regnat, Christo imperat, et Brasiliam suam ab omni malo defendat!” “Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera, e contra todos os males defenda o Seu Brasil”.

Ao celebrarmos os 80 anos do monumento síntese do Brasil, quero agradecer a tantos quantos, no passado como no presente, lutaram pela edificação deste sinal de nossa fé! Com o Cardeal Leme, este mínimo seu sucessor, filho da Ordem Cisterciense, que sucedendo a eminentes Cardeais que regeram esta Igreja, genuflexo diante da beleza de tudo o que significa e representa para nós o Cristo Redentor, em nome da Igreja e dos católicos da cidade, do Estado do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. E novamente proclamo com renovada fé, pedindo a proteção do Redentor para todos nós:

“Christus vincit, Christo regnat, Christo imperat, et Brasiliam suam ab omni malo defendat!”

“Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera, e contra todos os males defenda o Seu Brasil”.

Dom Orani João Tempeta é Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

A passagem da Princesa Isabel em Aparecida

Em 2011, ano do 90º ano de morte da Princesa Dona Isabel, a Redentora, sendo hoje também dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, de todas as crianças do Brasil (seus filhos) e aniversário natalício do Imperador Dom Pedro I (que consagrou Nossa Senhora como Padroeira do Brasil), cabe trazer ao Blog Monarquia Já, o precioso texto de Conceição Ribeiro Borges Camargo, datado de 1963, que relata a passagem da Redentora por Aparecida, em visita à Padroeira do Brasil e a posterior doação dos sagrados Coroa e Manto, numa indescritível ligação entre a Família Imperial do Brasil com Nossa Senhora. Acompanhe:

A passagem da Princesa Isabel em Aparecida


Conceição Borges Ribeiro Camargo


A história de Aparecida do Norte é cheia de poesia, e beleza e o passado enfeita o presente, emoldurando com a luz da Fé e do Amor.

Trazemos hoje uma página, onde os fatos se encadeiam como elos de uma corrente de ouro guardando a cidade.

“Entre os inúmeros devotos de Nossa Senhora Aparecida, crentes de seu poder de sua magnanimidade, que se ajoelharam aos seus pés, conta-se que esteve o próprio Dom Pedro, quando de sua viagem a São Paulo, em 1822. Afirma-se que ele aqui estivera, fizera as suas preces e com estas o voto de proclamar Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil, se corressem à feição os acontecimentos de São Paulo.

É bem de assinalar que a proclamação oficial da Independência do Brasil teve exatamente a data de 8 de setembro de 1822, dia de Nossa Senhora.

Independentemente de decretos oficiais já hoje ninguém poderá contestar que lhe cabe de direito o título de Padroeira do Brasil, conferido pelo coração da grande maioria dos brasileiros.

Qualquer ato governamental seria apenas sanção para o decreto da alma brasileira”. (do discurso do Dr. Wenceslau Braz).

As romarias constituem o aspecto lindo e sentimental do culto a Nossa Senhora Aparecida.

Em Aparecida o culto é lírico, místico e cheio de Fé.

Romarias cantantes em grupos alegres.

Iniciaram-se com a nova dos milagres de Nossa Senhora surgida no rio Paraíba em outubro de 1717 e ecoaram pelas serranias as graças que Ela concedia.

E começaram a afluir romarias; poucos peregrinos e depois a pé, a cavalo em tropas, em carros de boi e romarias com sacerdotes, magistrados, Imperador, Altezas Imperiais, religiosos, militares, etc.

A Princesa Imperial Dona Isabel esteve visitando Nossa Senhora Aparecida.

Temos, por meio de documentos, duas datas, duas visitas da Princesa Isabel à Nossa Senhora
Aparecida.

Em “Excursão à Província de São Paulo” de Isabel Condessa d’Eu, há efemérides das viagens do
Conde d’Eu na Província de São Paulo.

E anotamos: 1868.

“Regressando com a Princesa Imperial Da. Isabel, de Águas Virtuosas de Campanha, em Minas Gerais, onde foram fazer uso das águas, visitam, a 8 de dezembro, após etapas em vilas paulistas, a então Capela da milagrosa Nossa Senhora da Aparecida, feita padroeira do Império por D. Pedro I. A 1º de janeiro de 1869, os Condes d’Eu regressam à Corte passando por Taubaté, Pindamonhangaba e Guaratinguetá.”

A passagem por Guaratinguetá de Suas Altezas Dona Isabel e o Conde d’Eu, no dia 7 de dezembro de 1868, está no livro 12 de Vereanças, folha 15 da Câmara dessa cidade, onde o Visconde de Guaratinguetá, Francisco de Assis e Oliveira Borges, comunicava em sessão realizada no dia 3 de novembro:

- tem de passar por esta cidade na primeira quinzena do próximo futuro mês Suas Altezas e a
Sereníssima Princesa Imperial e seu Augusto Esposo Conde d’Eu – e na comunicação, todas as providências pelo faustoso acontecimento, inclusive “oficiar ao Reverendíssimo Vigário e o mestre da Capela, para celebrar um “Te Deum laudamus” no dia da chegada e afixar o Edital convidando o povo e também pedindo orçamento provincial para a feitura da ponte e estrada até a Capela”...

Ficou encarregado de fazer a estrada, Antônio Eleutério Aguiar das Rosas sob a administração do Padre Benedito Teixeira da Silva Pinto.

No “Santuário de Aparecida”, de 10 de dezembro de 1921, encontramos: - Dona Isabel, devota de Nossa Senhora Aparecida.

“Corria o ano de 1868, quando dois ilustres romeiros vieram visitar a Capela de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

A velha Capela, situada no alto do pitoresco Morro dos Coqueiros, revestiu-se de uma nova pintura, começada em 20 de julho de 1867, terminada em 2 de novembro de 1868, para a qual foram gastos cinco contos e duzentos mil réis. Servia de Capelão o muito estimado Padre Antonio Leite Godói, a quem sucedeu no mesmo cargo o distinto Padre Guido Antônio de Paula e Silva, a 20 de novembro de 1868.

Prestava os serviços de sacristão o senhor Anastácio Pinto Soares. Ocupava o cargo de tesoureiro o Reverendíssimo Padre Antônio Luiz dos Reis França.

Costumava-se celebrar com muita pompa a então única festa de Nossa Senhora, no dia 8 de dezembro.

Com indescritível entusiasmo foi recebida à notícia da chegada em Aparecida de suas Altezas
Imperiais: Dona Isabel e seu marido Conde d’Eu, no dia 7 de dezembro daquele ano.

Lê-se no livro Contas de Receita e Despesa o seguinte: “623$500, despesa feita de sedas e veludos e outros preparos comprados por Antônio Pereira Gomes para o Camarim dos Príncipes na Capela por ocasião de sua assistência na festa de Aparecida. Além de que o tesoureiro gastou 47$380 de preparos fornecidos por Domingos Antonio de Moraes para o Camarim de Sua Alteza Imperial e seu Augusto esposo por ocasião de sua visita à Capela.

De fato, assistiram ao último dia da novena e à própria festa de Nossa Senhora, nos dias 7 e 8 de dezembro de 1868, Dona Isabel e o Conde d’Eu. Por motivo deste fato singular nomeou a Mesa Administrativa a Suas Altezas festeiros para o ano seguinte como consta das Atas das sessões da Administração.

“Dezembro 8 – Houve Sessão da Mesa Administrativa para o fim de proceder-se à eleição e nomeação dos festeiros para festejarem a mesma Senhora em o ano próximo futuro de 1869.
Deliberou a mesa por unanimidade de voto nomear a Suas Altezas, a Princesa Isabel e seu Augusto espôso Dom Luiz, Conde d’Eu.

Deliberou mais que se oficiasse ao Senhor Secretário de S. A., a fim de levar-lhe ao conhecimento.”

Assim é que Suas Altezas foram os últimos festeiros da Festa tradicional de Nossa Senhora, visto como de ora avante a Mesa Administrativa encarregou-se de fazer a dita Festa. Com efeito, no dia 7 de dezembro de 1869 foi realizada uma sessão extraordinária para o fim “de deliberar sobre a festa de Nossa Senhora Aparecida no ano próximo futuro; nela foi a Mesa do parecer que ora em diante a festa de mesma Senhora Aparecida fosse feita pela Mesa Administrativa e a expensas dos rendimentos da mesma Senhora Aparecida com prévia autoridade do senhor Doutor Juiz Provedor.”

No mesmo jornal “Santuário de Aparecida”, no dia 12 de fevereiro de 1921, encontramos:

“Dezembro 7 – chegada da Princesa Imperial Dona Isabel e seu marido o Conde d’Eu à cidade de Guaratinguetá. É impossível descrever o entusiasmo e o regozijo do povo ao receber essa notícia.

O senhor alferes Antônio José dos Santos, testemunha ocular, dá a seguinte narração quando da chegada em Aparecida:

“– Dona Isabel e o Conde d’Eu chegaram à Capela às 6 horas da tarde para assistirem à novena da festa de Nossa Senhora. Vieram a cavalo com uma grande comitiva. Chegados que foram à Capela, dizem que Dona Isabel deu naquela ocasião a Nossa Senhora um riquíssimo manto com vinte e um brilhantes no valor de 18 contos de réis.”

E através de documentos, de dados da história aparecidense, contamos:

No alto da colina, a Princesa foi recebida, solenemente, por crianças vestidas com todo o mimo, que a saudaram com pétalas de rosas. Entre as crianças estavam aquelas que seriam as futuras madonas aparecidenses: dona Maria do Carmo de França Barreto, dona Maria Amélia Chagas, dona Rita de Cássia Vilela da Costa e outras.

A Princesa entrou na Igreja, orou e na Praça foi saudada por um escravo de nome Antônio, que ficara aos serviços do Padre Joaquim Pereira Ramos e que tocava perfeitamente o trombone, daí ser conhecido por – Antonio trombonista – que sabendo da real visita, preparou um belo número em trombone de vara. Tocou um solo fazendo as graduações com os dedos do pé. Executou com tal perfeição, que o Conde o abraçou e a Princesa, querendo que o músico a guardasse em sua lembrança, porque na lembrança ela o levaria, deu-lhe um lencinho de seda – lencinho que talvez no canto, trouxesse uma coroa bordada.

E Antonio trombonista, convidado pela Princesa, foi tocar no baile que em sua homenagem foi realizado na casa do Visconde, em Guaratinguetá, em cujo solar os ilustres visitantes estavam hospedados.

Dizem que Antônio trombonista seguiu para Vila Rica, hoje Ouro Preto, estudando as expensas da Princesa e consta que foi para a Europa.

Estamos lendo o Diário de “Excursão à Província de São Paulo”, da nossa Sereníssima Princesa.

Notas tomadas durante a viagem, acentuando o poder descritivo de templos, escolas, fazendas, hospitais, revelam um estudo da nossa gente e dos nossos costumes. O Diário é datado de 1884, extraído de cartas dirigidas a Dom Pedro II. É de grande importância histórica, levando-se em conta as informações obtidas por Ricardo Gumbleton Daunt, que anexadas ao mesmo, deram maior brilho à leitura.

A Redentora esteve em Aparecida, quantas vezes? Duas, três?

No dia 5 de novembro de 1884, chega a Lorena, sendo fidalgamente recebida pelos Condes Moreira Lima; entre outras visitas destacamos as que fez à igreja de São Benedito, de taipa e pilão, ao Engenho Central e à grande gameleira.

Dia 6, deu-se a partida, às 11 horas.

“Parada em Guaratinguetá, parada para subir à Capela de Nossa Senhora Aparecida, fazer oração; parada em Pindamonhangaba e Taubaté. Acolhimento muito amigável e simpático por tôda parte.”

Abre-se agora a página mais linda da história de Aparecida.

Quem entra na Sala dos Milagres, na Galeria do Hotel Recreio, ao lado da Basílica, encontra uma grande corrente na parede e reza a crônica do Santuário, que no ano de 1857, um escravo fugiu de Curitiba e veio para Bananal, neste Estado, sendo preso e algemado. Ao passar pela Capela de Aparecida, pediu ao feitor licença para ver Nossa Senhora Aparecida. O feitor, renitente, nega – porém, condoído, consente. E ao fazer o seu pedido de clemência, de liberdade, o escravo se ajoelha e ergue os braços algemados e faz a prece – e a corrente cai, tinindo no chão! Foi um dos conhecidos primeiros milagres de Nossa Senhora Aparecida a correr pelas vilas vizinhas, pela província e hoje está pintado no forro da Basílica Nacional e feito em artístico trabalho de madeira, em estilo da época, pelo artista Chico Santeiro, para o “Museu Nossa Senhora Aparecida”.

A Princesa Imperial Dona Isabel, também teve na cantada ladeira de Aparecida, o mesmo gesto maternal para com um escravo.

Quando houve o milagre, todo o escravo tinha esperança. E veio um, esperando a mesma graça de Nossa Senhora Aparecida.

Conseguindo do feitor entrar na Capela, rezou, fazendo o mesmo pedido.

Mas a corrente não se abriu.

Ele rezou tristemente e cheio de Fé.

Levantou-se e descendo a antiga rua da Calçada, hoje ladeira Monte Carmelo, viu a comitiva da Princesa.

O escravo ajoelhou-se e pediu a bênção e misericórdia. E ela ordenou fosse o escravo posto em liberdade. As algemas caem pela segunda vez diante da Capela, por aquela que seria Redentora de todos os escravos do país.

As duas Rainhas, do céu e da pátria, tiveram para com o escravo o mesmo gesto de Amor.

Na sua passagem por Aparecida, a Princesa Isabel em sua primeira visita, dá o seu lencinho a um escravo músico e o protege – na segunda visita liberta um escravo.

E “Atas da Capela de Nossa Senhora Aparecida”, data de 4 de janeiro de 1750, há o seguinte:
- Um órgão – um relógio de parede – uma caldeirinha de cobre. E mais: Escravos – 1 – Boaventura, mulato, que terá quarenta e quatro anos, organista.

Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em 1717; em 1745, primeira missa e bênção da Capela construída no alto do morro, hoje local da Basílica; Em 1750 Boaventura escravo, era organista.

Um escravo teria sido o primeiro organista de Nossa Senhora Aparecida?!

Quando houve o milagre do escravo que descrevemos acima, o capanga que o acompanhava pediu ao Capelão de Nossa Senhora Aparecida, Padre Antonio Luiz de França Reis, que lhe desse um atestado sobre o acontecido e obtendo levou ao fazendeiro em Curitiba. Este surpreendido, escolheu mais dois escravos, Lúcia Belin e João Belin e fez dos três presente a Nossa Senhora Aparecida.

Zacarias, que foi o milagrosamente salvo, Lúcia e João viveram longos anos neste local, como descreve Padre Oto Maria em “Pontos Históricos com relação a Nossa Senhora Aparecida”.

O mesmo Padre Oto Maria no “Santuário de Aparecida” de 14 de janeiro de 1922 continua, que se deliberou “em contratar José Pires de Almeida, para servir de organista nas missas que se celebravam nos dias de sábado em louvor a Nossa Senhora Aparecida, mediante a gratificação de dois mil réis, quando não possa ser por cada uma das ditas missas visto que o escravo da mesma Capela João Belin” e mais adiante “não poder continuar como até aqui tocando órgão”.

Minha avó Maria das Dores do Prado Borges, falecida nesta cidade aos 12 de agosto de 1957, com 87 anos de idade, dizia sempre que conheceu João Belin. Que o escravo tocava a ladainha de Nossa Senhora com um dedo da mão direita, enquanto a esquerda fazia ligeiro acompanhamento. Depois era o contrário: apenas tocava o acompanhamento com um só dedo enquanto que a mão direita fazia nascer os mais belos acordes. Um escravo foi organista de Nossa Senhora Aparecida.

Na cadeia dos fatos da antiga Capela, é o escravo, é a Princesa, traços de união para a beleza eterna das coisas.

Procuramos ouvir alguém que nos contasse algo da Princesa em Aparecida e colhemos mais esta passagem de Antonieta Maria Portes, com 87 anos de idade e atualmente residente no Campo do Galvão, em Guaratinguetá.

Antonieta, inteligente e de leitura, disse-nos que se recorda vagamente da Princesa, quando passava na Estrada de Guaratinguetá à Aparecida e vamos ouvi-la:

— Estava no meio do caminho que se chamava estrada real e que liga a Matriz de Santo Antônio à Capela de Aparecida em companhia de minha mãe (que sempre repetia a história da Princesa) e de diversas escravas dentro do cafezal.

Quando vimos a comitiva todos se ajoelharam e de mãos postas pedimos a bênção.


A princesa sorriu, agradou filhinhos de escravos e atirou moedinhas de ouro. Um dos integrantes da comitiva, em seu belo cavalo, se adiantou mais, retirando uma orquídea roxa que florescia em um pé de café.

Então o marido da Princesa, um Príncipe alto e esbelto, aceitou a flor e colocou-a na veste real da Princesa, colocando outra em si mesmo, gesto que foi imitado por todos.

Levaram muitas mudas e dizem que até hoje ainda existem, na Quinta da Boa Vista, orquídeas do caminho de Guaratinguetá à Aparecida.

A Família Imperial Brasileira sempre esteve aos pés de Nossa Senhora Aparecida, mantendo relações de amizade com os Redentoristas, Padre Francisco Wand, Padre Estevam Maria, Padre Valentim Mooser, tendo os “Ecos Marianos” por diversas vezes noticiado a visita de Suas Altezas à Basílica Nacional, inclusive com uma fotografia tirada na porta do Convento onde vemos o Padre Antonio Ferreira de Macedo, hoje Dom Antonio Ferreira de Macedo, Bispo Auxiliar de São Paulo e Primeiro Vigário Geral de nossa arquidiocese, ao lado dos Príncipes.

No citado “Santuário de Aparecida”, de 12 de fevereiro de 1921, após o relato da visita da Princesa Isabel e o Conde d’Eu a esta Capela, lemos: “Se agora o Conde d’Eu nos tivesse dado a alta honra de sua visita, o que era impossível, o povo aparecidense o teria acolhido com o mesmo júbilo que no ano de 1868.

Entretanto fazemos votos a Nossa Senhora que lhe conceda próspera viagem de regresso da Europa. Tanto mais que o Revdmo. Vigário da Basílica Padre Estevam Maria compartilha a honra de viajar com ele no mesmo vapor, com destino a Roma. Nossa Senhora acompanhe os dois ilustres viajantes!”

E faleceu a nossa Princesa Isabel!

No “Santuário de Aparecida”, dia 19 de novembro de 1921, em sua primeira página:

Isabel, a Redentora “Telegramas de Paris trazem a notícia contristadora da morte da Princesa Dona Isabel, a Redentora, filha do último Imperador do Brasil, Dom Pedro II.

Nasceu a 29 de julho de 1846, e casou-se aos 18 anos, com Dom Luiz Felipe Gastão D’Orleans, Conde d’Eu. Por três vezes governou o Brasil como regente na ausência de seu pai e na terceira vez assinou a lei áurea que aboliu a escravidão e pela qual recebeu o nome de Redentora.

Todo o Brasil votava-lhe sincero amor e entusiasmo e, quando a revolução de 1889 a obrigou a deixar o Brasil junto com seu pai, não se apagou sua lembrança no espírito do povo. Especialmente no dia 13 de maio seu nome era constantemente lembrado junto com a lei que livrou o Brasil de um dos seus maiores males.

Agora após 32 anos de desterro, faleceu em Paris, onde morou desde a sua partida.

Era a Princesa Dona Isabel muito piedosa, um exemplo vivo para seu povo. Ela também foi muito devota de Nossa Senhora Aparecida. Aqui esteve uma vez, cumprindo nessa ocasião uma piedosa promessa a Nossa Senhora; doou também uma coroa de ouro, a mesma que serviu na coroação de Nossa Senhora. Ainda no seu exílio não deixou de interessar-se pelas festividades do movimento religioso de Aparecida, especialmente desde o ano da coroação.”
Consta que a coroa de ouro ofertada era em forma de globo com uma cruz, toda cravejada de brilhantes.

Ainda no citado “Santuário de Aparecida” de 10 de dezembro de 1921, no final do artigo dedicado à Princesa Isabel:

— “É, pois, um dever de gratidão que o povo de Aparecida cumpre ao lembrar-se de um modo especial da falecida Princesa Dona Isabel. Como fervorosa devota de Nossa Senhora Aparecida ela deu a este lugar a distinta honra de sua visita no ano de 1868 e aceitou de mui boa vontade a nomeação para servir-se festeira no seguinte ano de 1869.

Por esta razão será celebrada a Missa do trigésimo dia nesta Basílica, a 14 do corrente mês, por alma da inesquecível Dona Isabel.”

Laços de amizade uniram também a Família Imperial à Família do Comendador Augusto Marcondes Salgado, que foi tesoureiro da Basílica Nacional e residente, por largos anos, nesta cidade.

No dia 9 do mês de maio do corrente ano de 1963, comemorou-se o centenário de nascimento da ilustre dama Dona Maria Antonieta César Salgado, descendente das mais ilustres famílias de Pindamonhangaba, neta dos Viscondes de Guaratinguetá e casada com o Comendador Augusto Marcondes Salgado, ambos falecidos.

No jornal “Folha de São Paulo”, do mesmo dia, noticiando a efeméride, estampa uma fotografia tirada há anos em Aparecida, onde o Príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança e sua esposa Dona Maria Elizabete de Orleans e Bragança, e seus filhos príncipes e princesas ladeiam Dona Antonieta Salgado e família, no portão de sua residência.

Faleceu a nossa Princesa Isabel!

Aparecida do Norte foi, talvez, a única cidade do Brasil que enviou um escravo para a chegada dos despojos da Princesa Isabel, em julho de 1953, no Rio de Janeiro.

Por nossa iniciativa e com a cooperação do Prefeito Sólon Pereira, foi que Valério Manuel Francisco esteve no Rio, havendo oportunidade para uma interessante entrevista em o jornal “A Noite”, ainda com o respectivo retrato do preto velho e sorridente. Faleceu Valério há três anos, com 115 anos de idade.

Na cadeia dos fatos da antiga Capela de Aparecida o escravo e a Princesa são traços de união que atingem o encanto da história aparecidense.

Quando em 1958 completou o “Ano 70 da Abolição” fizemos com o professor José Luiz Pasin e com a cooperação de Vicente Camargo, uma exposição referente à data, contendo objetos da época, documentos, louça, capas e bordados do império, algemas e instrumentos de escravos, no Ginásio La Salle, sob a direção de Irmão Vítor Sebastião. Parte do material histórico foi cedido pelo tabelião Benevides Beraldo.

Às 7 horas foi celebrada missa na Basílica Nacional por intenção da Princesa Isabel e compareceram nas homenagens, o nosso Valério Manuel Francisco e a veneranda senhora Dona Rita de Cássia Vilela da Costa, com 97 anos, recentemente falecida e que jogou pétalas de rosa na Princesa, quando a comitiva real esteve na Capela de Aparecida.

E aguardamos a data de hoje, “Ano 75 da abolição”, bodas de diamante, oferecendo esta página para a História de Aparecida e agradecemos à Família Imperial de Petrópolis, do Palácio Grão-Pará, o cartão de Boas Festas que nos tem enviado, assinado por Dona Esperanza de Bourbon de Orleans e Bragança e por Dom Pedro.

Está se erguendo em Aparecida, o Palácio da Rainha do Brasil, que no dia 8 de setembro de 1904, foi coroada com a mesma coroa ofertada pela Princesa Isabel.

E à Praça situada na confluência de três ruas, junto da Praça das Comemorações onde está a mova Basílica de Nossa Senhora Aparecida, por um projeto de lei substitutivo número 331, no dia 21 de agosto de 1957, do vereador Aziz Chad, então Presidente da Câmara, é chamada Praça Princesa Isabel.

Na história de Aparecida, o escravo é um poema de Fé e a Princesa Isabel um poema de Amor!

Aparecida do Norte, 13 de maio de 1963.

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