sábado, 26 de novembro de 2011

Artigo de Dom Antonio Augusto, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, sobre a Princesa Dona Isabel



Princesa Isabel: redentora ou santa?

Por Dom Antonio Augusto Dias Duarte*

Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.

Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil.

No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador: “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”.

Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.

Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.

Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a varrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus.

O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade.  O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, principalmente, da nossa época moderna e pós-moderna.

A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem.

Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as crianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antivalores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tolerância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao diálogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões africanas, enfim, por todos que têm amor pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel.

Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel, o frei Galvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar.

Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja.

“É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (...). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).


* Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, no jornal “O Testemunho de fé”.

(Clique para ampliar)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dom Bertrand é recebido na Câmara Municipal de Campina Grande


O príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança é recebido pela CMCG
Foto: Ascom
O príncipe está na cidade e foi recepcionado
 por uma comitiva de vereadores

A Câmara Municipal de Campina Grande, atendendo requerimento do vereador Fernando Carvalho, realizou sessão especial nesta segunda-feira, 21, no plenário da Casa de Félix Araújo Para receber o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança está visitando Campina Grande entre os dias 20 e 23 de novembro. Estavam presentes a sessão autoridades locais, historiadores, estudantes secundários e universitários, representantes da sociedade campinense e membros da Igreja.

A Alteza Imperial e Real, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, é trineto de D. Pedro II e bisneto da Princesa Isabel. Ele chegou a Campina Grande no dia 20 de novembro, através da Sociedade Católica São Bento, que solicitou a sessão e participará das honrarias ao membro da família real brasileira.

O nome completo do príncipe é “D. Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach”. Ele é o atual príncipe imperial do Brasil desde 5 de julho de 1981, quando seu irmão mais velho, D. Luís Gastão, assumiu o posto de Chefe da Casa Imperial Brasileira, herdado do pai. É o terceiro filho varão de D. Pedro Henrique de Orléans e Bragança, então Chefe da Casa Imperial Brasileira, e de D. Maria Isabel da Baviera.

O vereador Fernando Carvalho saudou o visitante ressaltando que desde junho do ano passado, o Príncipe tem cumprido algumas atividades da agenda do irmão mais velho, Príncipe D.Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, que após um problema de saúde teve de ficar de repouso e já se encontra melhor.

Na oportunidade o príncipe relembrou a importância da sua família para o Brasil e relatou episódios que propuseram a fixação de suas pais neste País. Ele agradeceu ao Poder Legislativo pela recepção dizendo que a missão da Câmara Municipal é aproximar o povo e por isto ele estava se sentindo perto de todos os campinenses.

Redação iParaíba com Ascom

Noivado da Princesa Paola de Sapieha-Rozanski


A Princesa Dona Cristina Maria de Bourbon e Orleans e Bragança (prima de Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil) e o Príncipe Jan Pavel de Sapieha-Rozanski anunciaram recentemente o noivado de sua filha, a Princesa Paola de Sapieha-Rozanski, com Constantin Czetwertynski, nascido na Bélgica, residente em São Paulo, descendente de uma nobre família da Europa Centro-Oriental conhecida desde 1113. O Casamento será em 2012, na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Entrevista exclusiva com o Professor Hermes Rodrigues Nery sobre o pedido do início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel

Quando muito se fala no pedido do início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel, o Blog Monarquia Já foi em busca de mais detalhes sobre o assunto. Pensando nisso procuramos o responsável pelo pedido junto a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Professor Hermes Rodrigues Nery.  
O vereador Hermes Rodrigues Nery em seu Gabinete
 como Presidente da Câmara Municipal
de São Bento do Sapucaí
Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté (SP); professor de bioética (pós-graduado pela PUC-RJ, em curso promovido pela CNBB e Pontifícia Academia para a Vida); político, escritor e jornalista, o Professor Hermes é também vereador de São Bento do Sapucaí e, com exclusividade, concedeu entrevista ao Blog Monarquia Já.

Entrevista que abaixo transcrevemos nesta simbólica data de 15 de novembro, batizado da Princesa Dona Isabel.

_____________________________________________

"A PRINCESA ISABEL É MESMO UMA MULHER SANTA"
Afirma o prof. Hermes Rodrigues Nery em entrevista ao Blog Monarquia Já

______________________________________________


BMJ - Como surgiu a iniciativa de solicitar a beatificação da Princesa Dona Isabel à Arquidiocese do Rio de Janeiro?

Prof. Hermes - Moro numa pequena cidade do Estado de São Paulo e como Presidente da Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí (biênio 2009-2010) recuperei todas as atas antigas da Câmara, desejando obter subsídios para escrever a história do Município. Meus assessores disseram que a mais remota era de 1957, e que as demais estavam dispersas, perdidas, muitas delas numa enchente de 1945. Conversando com um e com outro, ex-prefeitos, pessoas idosas, professores, etc., conseguimos localizar todas as atas originais, desde a primeira, de 1858. Contratei paleógrafos de Pindamonhangaba para transcrever especialmente o primeiro livro (até 1868), e fiquei admirado de constatar informações preciosas sobre o Segundo Reinado e entendi então que os documentos, na fonte, falam muito, iluminam bastante, sem crostas ideológicas. Pelas atas tomei conhecimento de que escravos alforriados foram lutar na Guerra do Paraguai e que na cidade havia um quilombo, que mais tarde daria o nome a um bairro do Município. Ao contrário do que pensava, nem todos os quilombos eram de escravos revoltosos, mas aquele, de modo especial, era de alforriados católicos muito devotos.

Eu conhecia no bairro do Quilombo a dona Luzia, uma senhora de quase 80 anos, líder do bairro, e que todo ano mantinha a tradição da festa do 13 de maio. Fui conversar com ela a respeito das origens do bairro e ela me contou que aquele Quilombo era abençoado, porque aquela festa existia para homenagear uma santa. Fiquei impactado com aquela colocação e indaguei. Mas que santa? E ela me respondeu, com muita simplicidade e profunda emoção: a Princesa Isabel. Havia em sua fala, uma forte devoção e um sentimento de gratidão, havendo, sim, mais que um respeito tão grande, mas uma veneração. Naquele momento algo me chamou a atenção e me fez começar uma pesquisa mais aprofundada para entender o que ainda hoje, decorridos mais de um século, uma descendente de escravos reconhecia na Princesa Isabel sinais de santidade.

Senti-me no dever de buscar uma bibliografia sobre a vida da Princesa Isabel, e após a leitura da biografia escrita por Hermes Vieira, comecei a entender que o sentimento da dona Luzia tinha fundamento. A história de vida da Princesa Isabel, por tudo o que ela viveu e sofreu, pelo tanto que ela amou o Brasil, especialmente a dor de seu longo exílio e tantos outros fatos, me fez crer que se tratava mesmo da história de vida de uma santa, mas muito pouco conhecida e aprofundada e que diante disso, precisávamos ter acesso aos arquivos, aos documentos, às suas inúmeras cartas, aos depoimentos dos que a conheceram, em vida, etc. E cada vez mais que tomava contato com algum novo documento, foi amadurecendo em mim a convicção de que a Princesa Isabel é mesmo uma mulher santa. Daí a motivação pelo pedido da abertura do processo de sua beatificação.

BMJ - Quais são suas virtudes heroicas, em que se baseia o pedido?

Prof. Hermes - Por ter uma personalidade forte e resoluta, a Princesa Isabel soube tomar decisões acertadas e corajosas, num momento histórico que requereu sabedoria e precisão decisória. Com isso, conseguiu efetivar a abolição da escravatura em nosso País, sem derramamento de sangue, sem sublevação e sem desordem pública. O que não aconteceu, por exemplo, nos Estados Unidos, cuja guerra de Secessão vitimou tantos, pela mesma causa. Ela não titubeou em anuir ao imperativo da História, pautada nos princípios e valores humanos e cristãos, pagando por isso um preço muito alto: a perda do trono e o mais cruel banimento sofrido por uma autoridade política em nosso País.

Ela era uma pessoa alegre e cativante, gostava de festas, era culta e elegante, tocava piano e falava vários idiomas. Mas era uma alma simples e terna, muito compassiva para com os sofredores, e muito animada pela alegria de viver. Perdeu tudo o que havia se preparado em tantos anos, pois sabia que como futura Imperatriz, queria dar o bom exemplo de governante cristã. Mas o golpe do 15 de novembro, exigiu 24 horas para deixar o País, que nunca mais veria, até sua morte, 32 anos depois. Suas melhores virtudes cristãs foram afirmadas em seu penoso exílio, confiante em Deus, zelosa da família e dos deveres éticos e cívicos, soube sofrer os padecimentos com a mesma generosidade e dar o bom testemunho. Outros tantos dissabores e sofrimentos vieram nos anos de proscrição. O incêndio no Castelo d’Eu, em 1902, o flagelo da Primeira Grande Guerra (a quem acudiu a muitos, socorreu a tantos), a morte dos filhos, etc., até a aceitação de saber que nunca mais veria o Brasil, e as manhãs luminosas do Rio de Janeiro, sua cidade natal. E aceitou tantas dores (muitas delas injustíssimas) na confiança de Deus sempre providente. Por isso, foi provada na fé.

BMJ - A Princesa Dona Isabel é conhecida por todos pela singular bondade, religiosidade e, principalmente, pela ampla contribuição nas questões sociais, podendo ser citada sua magnanimidade ao abolir a escravidão do Brasil, ato almejado por seu avô e por seu pai, mas efetivado por ela. Dado os fatos, seria a Princesa Dona Isabel um grande vulto da História do Brasil, mas não propriamente uma santa?

Prof. Hermes - Depois de estudos aprofundados, constatamos muitos fatos que dá á Princesa Isabel uma dimensão muito mais ampla, do que apenas de ter sido “um grande vulto na história do Brasil”. Ela fez muito mais não apenas para o Brasil, mas também para a Igreja. A sua adesão ao Evangelho foi autêntica e suas atitudes e decisões confirmaram o entendimento profundo que ela teve dos princípios e valores humanos e cristãos, vividos em todos os aspectos, tanto na vida pessoal quanto pública. A sua vida foi inteiramente de coerência e fidelidade ao Evangelho. Os depoimentos de todos os que a conheceram testemunham o seu vigor moral e cívico, alimentado por uma espiritualidade católica exemplar.

Foram muitas as suas iniciativas em defesa da fé, numa época em que se gestava especialmente no continente europeu as ideologias anticristãs mais contundentes. Francisco Leme Lopes, S.J., reconhece, em seu texto “Isabel, a Católica” que o “13 de maio é em verdade a maior data da nossa história”. E destaca a Rosa de Ouro que ela recebeu do Papa Leão XIII, “insígnia que o Brasil receberia de novo mais de meio século depois para a Basílica da Virgem de Aparecida”, as três vezes em que ela esteve “na direção suprema do País”, e “empunhou com mão serena e hábil o cetro imperial”, promulgando duas importantes leis de reforma social, a do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). É da princesa Isabel também a petição assuncionista, datada de 8 de setembro de 1900, solicitando ao papa a declaração do dogma da Assunção de Nossa Senhora. No ano seguinte, em 13 de maio reforçou este pedido ao episcopado brasileiro, para que chegasse à Santa Sé esta sua súplica.

No exílio, trabalhou muito para defender a fé, escrevendo ao papa: “Longe de minha pátria, sinto-me feliz ao menos por trabalhar pelo que nela pode fortificar a fé”. Ainda é da princesa Isabel outro pedido ao papa, unindo-se á voz do episcopado brasileiro, em 1877, pela canonização de Anchieta. “Queira, pois Vossa Santidade resolver que é lícito aos católicos brasileiros venerarem em seus altares a imagem de tão santo varão”. Sua devoção mariana está expressa em diversos documentos: “Meu amor e devoção à Santíssima Virgem torna-me grato escrever. Justamente em 1908, festejar-se-á o jubileu de Nossa Senhora de Lourdes cujo santuário inúmeras vezes visitei com a maior emoção”. Lourenço Luís Lacombe conta de sua compaixão pelos sofredores, em carta datada de 7 de novembro de 1864: “Hoje, foi dia de limpeza da Igreja e deixamo-la muito bem arranjadinha pela manhã (...) Acabamos, há pouco, com a festa da Igreja. Perdoei 6 réus e comutei duas penas de morte. É uma das únicas atribuições de que gosto no tal poder!!!”.

E depois da glória do 13 de maio, destacou Francisco Lemes: veio “a traição, o abandono, o exílio, a morte dos pais, o esquecimento, a ingratidão”. De maneira que há muitos registros e documentos, como também testemunhos tanto de sua época, como das décadas posteriores, da sua força moral e espiritual, que faz dela uma presença de bondade e amor de dimensão universal, cuja santidade certamente um dia será confirmada pela Igreja, para que ela seja elevada às honras dos altares, do mundo inteiro.     

BMJ - A Princesa Dona Isabel era mulher significativamente dedicada à Família, às causas dos descriminados, sofreu, depois de seu casamento, uma grave campanha difamatória por parte de políticos e homens de poder da época. Exilada na França, sabe-se que se dedicou também a assuntos do Brasil, à Família e à caridade, no entanto, pouco se sabe dos detalhes. Os relatos das netas, a Condessa de Paris – De todo meu coração, e da Condessa de Nicolaÿ – Minha Mãe, a Princesa Imperial viúva (tiragem familiar, acessível a poucos), ajudam a vislumbrar um pouco sobre o fim da vida da Princesa Dona Isabel. Além de cinco ou seis biografias da Princesa, dentre as quais apenas duas ou três são relevantes, o que se sabe efetivamente sobre sua história, sua vida, não se deve fazer uma grande pesquisa?

Prof. Hermes - Estamos trabalhando nesse sentido, analisando os documentos, as suas inúmeras cartas, vários textos produzidos, além de uma boa bibliografia já existente. Penso que a nossa geração está mais receptiva a conhecer a luminosa vida da Princesa Isabel, sem as sombras ideológicas que macularam a visão conjuntural de sua biografia. Ela tem uma grande história de vida, e um modelo a ser seguido pela geração de jovens (no campo pessoal, como filha, mãe e esposa exemplar, e no campo público o modelo de governante cristã). Pretendemos no estudo que estamos preparando, fazer um panorama de seu tempo, para entender de modo amplo, os acontecimentos que marcaram a história do Brasil e da Igreja, na segunda metade do século XIX e início do século XX. Certamente muitos ficarão impactados com a força desta mulher, que não apenas em seu tempo, mas ainda hoje exerce grande admiração entre os brasileiros. O importante é que junto com a produção deste estudo, vamos subsidiar a Arquidiocese do Rio de Janeiro com todos os documentos e informações possíveis, para ajudar no processo que visa a beatificação. Com tudo isso, os brasileiros irão amar cada vez mais esta mulher que nasceu destinada a ser a Imperatriz e defensora perpétua do Brasil.

BMJ - Efetivamente, qual era a conduta religiosa da Princesa, isto é, o seu pensamento religioso, as bases de sua crença, em quais os aspectos pode-se atribuir santidade a seus atos?

Prof. Hermes - A Princesa D. Isabel foi a mais preparada para exercer o governo, e a que mais convictamente viveu os princípios e valores da fé católica em nosso País. Foi através de uma sólida formação, um matrimônio estável e a consciência dos problemas nacionais, exerceu os três períodos de regência com exemplar dignidade e coerência, demonstrando o quanto promissor seria o 3º Reinado. A partir da doutrina moral e social da Igreja Católica, que ela tão bem conheceu e viveu, norteou sua conduta pessoal e pública, inspirada no melhor exemplo dos príncipes cristãos, como a de São Luís, capaz de renúncias e sacrifícios pelo bem comum. Como tão bem salientou Francisco Leme Lopes,  diante dos sofrimentos, a Princesa d. Isabel, “austeramente fiel ao ensinamento paterno, ela continua a orar, a bem-fazer, a perdoar. No seu exílio, não permite recriminações nem queixumes. Certa da justiça que lhe há de fazer a história, contempla serena as misérias do presente... e quando se lembra das horas de infortúnio, só lamenta que da tremenda catástrofe não saísse uma pátria mais honrada, mais próspera, mais livre, mais digna, mais feliz...” O seu projeto de Brasil, solapado pelos republicanos positivistas, e desprezado pelos anárquicos que hoje ocupam os primeiros postos do governo, era um projeto de acordo com a identidade e a alma da Nação brasileira. Por isso ela foi tão querida e ainda hoje é, por estar ancorada no coração do povo, e de ter se empenhado com tão sincera dedicação na promoção de um Brasil pujante, com base no humanismo cristão.  

BMJ - Como está sendo recebida está campanha pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro?

Prof. Hermes - Tanto Dom Orani Tempesta, quanto Dom Antonio Augusto foram muito receptivos ao pedido de abertura do processo de beatificação. Dom Orani explicou que terá primeiramente que obter uma licença da Arquidiocese de Paris, tendo em vista que à princesa Isabel faleceu lá. A partir de então instituirá uma Comissão Especial para fazer os estudos necessários e buscar informações no sentido de comprovar as virtudes heroicas da Princesa Isabel, a força de sua fé, com o relato de depoimentos e testemunhos, e a constatação de milagres. Estamos desde então aprofundando os estudos, e cada vez mais convictos de que a vida da princesa Isabel corresponde às exigências que podem efetivar a sua beatificação. Sobre sua fama de santidade e devoção do povo para com ela, podemos atestar já em sua vida.  José do Patrocínio, assim que foi assinada a Lei Áurea, ajoelhou-se aos pés de D. Isabel e lhe chamou de santa, “Santa Isabel”. Os documentos comprovam, em várias localidades do Brasil, práticas de devoção à princesa Isabel, especialmente nas festas do 13 de maio feitas por descendentes de escravos, a exemplo do que acontece em São Bento do Sapucaí, com a tradicional festa da dona Luzia, no bairro do Quilombo. O título de A Redentora lhe veio justamente pela sua fama de mulher exemplar de fé cristã, que foi capaz do grande feito da libertação, com prudência, energia e coragem necessárias, num processo gradual, sem derramamento de sangue. Até hoje historiadores ficam admirados com a explosão de júbilo de toda a Nação após a assinatura da Lei Áurea. Foram dias festivos intensos, não se tratando apenas da comemoração de uma lei que há muito se esperava, mas do modo como tudo aconteceu e de quem protagonizou o feito, cujo sentimento de profunda gratidão ficou expresso por muito tempo, e até hoje alcança muitos corações brasileiros.

BMJ - Existe alguma base de possíveis fiéis já dispostos a trabalhar pela causa de beatificação?

Prof. Hermes - O movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, que já vem atuando desde 2005 na defesa da vida, tendo sido bem sucedido, junto com outros grupos pró-vida, na luta contra a legalização do aborto do Brasil (http://juliosevero.wordpress.com/2008/05/11/%E2%80%9Cfoi-uma-vitoria-e-tanto-nunca-vi-isso-acontecer-no-congresso-nacional%E2%80%9D/), especialmente para a rejeição do PL 1135/91, que visava descriminalizar o aborto, até o 9º mês e foi rechaçado pelas Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça, do Congresso Nacional e, finalmente, arquivado este ano, também responsável pela aprovação da primeira lei orgânica do País a reconhecer o direito a vida desde a concepção, no texto constitucional local (http://diasimdiatambem.com/2010/04/22/promulgada-lei-organica-pro-vida-em-sao-paulo/). O Movimento Legislação e Vida, está trabalhando para incluir na Constituição do Estado de São Paulo o direito a vida como primeiro e principal de todos os direitos humanos (http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=283521). Depois de bem sucedidas ações (http://diasimdiatambem.com/2011/08/18/abortistas-sofrem-outra-derrota-historica/), junto aos bispos, religiosos e leigos, em trabalho de comunhão eclesial, coube ao Movimento Legislação e Vida apresentar a Dom Orani o pedido para a abertura do processo de beatificação da Princesa Isabel, com o apoio do nosso bispo da Diocese de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden. Nesse sentido, acreditamos que esta nova causa em muito ajudará também a ampliar a sensibilização da defesa da vida no País, pois assim como o movimento abolicionista, o movimento em defesa da vida hoje reforça o pensamento da doutrina social cristã que a Princesa Isabel teve como base para as suas ações pessoais e públicas. Acreditamos que também teremos êxito, com a graça de Deus, nesta iniciativa.

BMJ - Está prevista alguma diretriz para a campanha, isto é, algo que se assemelhe como os processos do Beato Imperador Carlos e da Serva de Deus Imperatriz Zita da Áustria ou da Rainha Geovana da Bulgária, que mobilize instituições católicas?

Prof. Hermes - Exatamente é o que estamos fazendo, buscando sensibilizar e mobilizar pela causa da beatificação da Princesa Isabel, conversando com bispos, religiosos e leigos, buscando os documentos, os depoimentos, os testemunhos, recortes de jornais, pronunciamentos oficiais, cartas, enfim, tudo o que pode comprovar a santidade da Princesa Isabel. Trata-se de um novo movimento isabelista que agregue os católicos em nosso País, com força unitiva, para a promoção de uma maior unidade da fé em nosso País. A Internet irá nos auxiliar muito nesse sentido, pois desejamos viabilizar um site que reúna todas as informações sobre a Princesa Isabel - documentos escaneados, pdfs, textos, artigos, entrevistas, livros, iconografia, vídeos, enfim, tudo o que pudermos reunir para somar o máximo de informações que contribuam a um melhor conhecimento do quanto a Princesa Isabel fez pelo nosso País, e do quanto a história de sua vida é um exemplo universal.

BMJ - Quais são suas perspectivas com relação ao processo de modo geral?

Prof. Hermes - As perspectivas são promissoras, e esperamos que com a  visita do papa Bento XVI ao Rio de Janeiro, em 2013, possamos avançar no processo e obter a documentação e o milagre necessário para que o mesmo propósito de Santa Teresinha se repita com a Princesa Isabel, quando a Santa de Lisieux expressou:  "Vou passar meu céu fazendo o bem na terra”. Sentimos vivamente a intercessão da Princesa Isabel, no atual momento da história do Brasil, e penso que a sua influência nos destinos da Nação fará história, pois muito do que ela quis realizar como Imperatriz, ainda está por fazer: o seu projeto de Nação, a partir dos valores humanos e cristãos.

República fracassada


Marcha contra a corrupção tem terceira edição neste feriado

Dia da proclamação da República será marcado por manifestações em todo País. Veja onde acontecerão as marchas


Manifestantes realizam nesta terça-feira diversas marchas contra a corrupção em mais de 30 cidades do Brasil. Os organizadores pretendem repetir os protestos realizados em 7 de setembro e 12 de outubro, quando levaram mais de 20 mil pessoas às ruas, e mobilizar a população na luta pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, pelo voto aberto no Congresso, pelo fim da impunidade, entre outras reivindicações.

Assim como nas edições passadas, as marchas de hoje foram organizadas principalmente por meio das redes sociais na internet, como Twitter, Orkut e Facebook, e contam com o apoio de diversas entidades e organizações. Entre os principais apoiadores estão a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Edições anteriores da marcha:

7 de setembro: Em Brasília, estudantes lavam o Congresso

12 de outubro: Manifestantes cantam Legião e Chico Buarque

Neste feriado prolongado de 15 de novembro, quando se comemora a proclamação da República, os protestos são criativos. Em São Paulo, os organizadores realizaram ontem uma vigília em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde acenderam 5 mil velas. No Rio, um varal será estendido na Cinelândia. No varal, serão penduradas reportagens sobre corrupção no governo e outros órgãos públicos, além de cuecas com dinheiro e cartazes.

Veja abaixo onde acontecerá a marcha na sua cidade:

Alagoas

- Maceió: Concentração: antigo Sete Coqueiros(antiga praia da Pajuçara), caminhada até o antigo Alagoinhas onde será realizado ato público. Horário: 14 horas

- Marechal Deodoro: Concentração: entrada da cidade de Marechal Deodoro, caminhada até o centro da cidade onde será realizado um grande ato público. Horário: 7 horas

Amazonas

- Manaus - Darcy Vargas, em frente à EST, às 14h

Bahia

- Salvador - Campo Grande, às 14h

- Alagoinhas - Estádio Antônio Carneiro (Carneirão), às 14h

- Feira de Santana - Cruzamento da Av. Getúlio Vargas com a Av. Mª Quitéria, às 14h

- Vitória da Conquista - Praça Barão do Rio Branco, às 14h

Ceará

- Fortaleza - Dragão do Mar, às 15h

Espírito Santo

- Vitória - Avenida Dante Micheline, próximo ao primeiro píer (píer de Iemanjá), depois da Ponte de Camburi, em frente do Bairro Jardim da Penha, às 15h

Goiás

- Goiânia - Início na Praça Cívica (em frente ao monumento às Três Raças) e término na Assembléia Legislativa, às 10h

Maranhão

- São Luís - Anel Viário (Quiosques da Passarela do Samba), às 14h

Minas Gerais

- Belo Horizonte - Praça da Liberdade, às 13h

- Alfenas - Praça Getúlio Vargas (em frente a Concha Acústica), às 14h

- Uberlândia - Praça Tubal Vilela(centro da cidade), às 14h

Mato Grosso

- Cuiabá - Praça Ipiranga, às 15h

- Tangará da Serra - Concentração será na Praça da Bíblia, às 14h

Pernambuco

- Recife - Pracinha de Boa Viagem, às 14h

Paraíba

- João Pessoa - Busto de Tamandaré, às 16h

Paraná

- Curitiba - Praça Santos Andrade, às 13h

Santa Catarina

- Florianópolis - UFSC, às 14h


- Balneário Camboriú - Praça Almirante Tamandaré, às 14h

- Brusque - Praça Barão de Schneeburg, às 16h

- Jaraguá do Sul - Praça Ângelo Piazera, com concentração às 13h

Rio de Janeiro

- Rio de Janeiro - Cinelândia, 15h

- Cachoeiras de Macacu - Terminal Rodoviário de Cachoeiras de Macacu, às 14h

Rio Grande do Norte

- Natal - Praça Cívica em Petrópolis, com concentração às 13h

Rio Grande do Sul

- Porto Alegre - Manifestação no dia 09/12

- Caxias do Sul - O ato começará às 16h do dia 14/11, com um acampamento na praça localizada na frente da Prefeitura de Caxias do Sul. No dia 15, a marcha sairá às 16h rumo à praça Dante Aligieri

- Novo Hamburgo - Concentração às 10h na Praça do Imigrante (ex-chafariz) - centro

São Paulo

- São Paulo: Av. Paulista, saindo do MASP, às 14 horas

- Santos - Praça da Independência, às 17h

- São José dos Campos - Vicentina Aranha, com concentração às 9h do dia 19/10

- São Vicente - Prefeitura Municipal de São Vicente, às 13h, com encerramento no Teleférico, na praia do Itararé às 15h30

A Monarquia segue como melhor opção


Noruega, Austrália e Holanda ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento, revela o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011, que coloca RDCongo, Níger e Burundi nas últimas posições.

Nos três primeiros países, a esperança de vida à nascença ronda dos 82 anos, as crianças frequentam em média 12 anos de escolaridade e o Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita varia entre os 34.431 dólares (24.569 euros) na Austrália e os 47.557 dólares [33.924 euros) na Noruega.

Os três últimos países do índice apresentam RNB per capita entre 280 dólares (cerca de 199 euros) e 641 dólares (656 euros), a esperança de vida à nascença não vai além dos 55 anos e a escolaridade média varia entre 1,4 e 3,5 anos.

Divulgado hoje em Copenhaga pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o índice coloca ainda, em termos globais, os Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá, Irlanda, Liechtenstein, Alemanha e Suíça entre os 10 países com melhores níveis de desenvolvimento em 2011.

Contudo, quando são consideradas as desigualdades internas na saúde, educação e rendimento, algumas das nações mais ricas do mundo ficam fora dos primeiros 20 lugares. Os Estados Unidos passam do 4.º para o 23.º lugar, a Coreia do Sul de 15.º para 32.º e Israel de 17.º para 25.º.

Estados Unidos e Israel perderam posições principalmente por causa da desigualdade de rendimentos. Os norte-americanos devem também parte da sua despromoção à desigualdade no acesso à saúde, enquanto o fosso geracional na educação impediu a Coreia do Sul de obter melhor pontuação.

A Suécia, que passou de 10.º para 5.º lugar, a Dinamarca que subiu do 16.º para o 12.º posto e a Eslovénia que saltou do 21.º para o 14.º lugar, são países que conseguiram progressos importantes em matéria de igualdade na saúde, educação e rendimentos.

O IDH integra o relatório anual sobre desenvolvimento humano publicado pelo PNUD, que em 2011 analisou a performance de 187 países (mais 18 que em 2010) no que respeita à frequência escolar, esperança média de vida e rendimento per capita.

O relatório "Equidade e sustentabilidade: Um melhor futuro para todos" nota que a distribuição de rendimentos piorou na maioria dos países, com a América Latina a permanecer a região com mais desigualdades na distribuição de rendimentos, embora países como o Brasil e o Chile tenham reduzido as desigualdades internas.

Analisando os três parâmetros em conjunto, o relatório mostra que a América Latina é mais igualitária que a África Subsaariana e o sul da Ásia.

O índice de pobreza multidimensional, outro documento incluído no relatório, concluiu que no decénio que terminou em 2010, 1.700 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza em 109 países.

O Níger é o país com mais pessoas em situação de pobreza (92 por cento da população), seguido da Etiópia e do Mali.

De acordo com este indicador, os 10 países com mais pobres localizam-se na África subsaariana, mas os países com mais pobres em todas as dimensões analisadas pelo índice - acesso a água potável, habitação, saúde, combustível e bens - são a Índia, Paquistão e Bangladesh.

Na Ásia e na África subsaariana, 85 por cento das pessoas em situação de pobreza não têm acesso a serviços básicos de saneamento.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

90 Anos sem a Princesa Isabel

Por Hermes Rodrigues Nery*

A Princesa Dona Isabel nos últimos anos de sua vida, Castelo d'Eu, França

“A liberdade verdadeira e desejável é a que, na ordem individual, não deixa o homem escravo nem dos erros, nem das paixões, que são os seus piores tiranos; e na ordem pública traça regras sábias aos cidadãos, facilita largamente o incremento do bem-estar e preserva do arbítrio de outrem a coisa pública. Essa liberdade honesta e digna do homem, a Igreja a aprova ao mais alto ponto, e, para garantir aos povos o firme e integral gozo dela, nunca cessou de lutar e de combater.” Papa Leão XIII, Encíclica “Immortale Dei – Sobre a Constituição Cristã dos Estados”, 1885.

Há 90 anos, em 14 de novembro de 1921, morreu a princesa Isabel, distante do Brasil que tanto amava, no mais penoso e longo exílio impingido a um governante brasileiro, numa página de dor em nossa história que ainda hoje comove aos que estudam com seriedade os documentos há tanto tempo esquecidos e evitados por aqueles que a detrataram e procuraram diminuir a importância de sua vida, de inequívocas virtudes heróicas e cívicas, que honrou o primeiro posto desta Nação. D. Isabel Cristina de Orléans e Bragança foi uma das que melhor compreenderam a alma do povo brasileiro, por isso foi tão querida no tempo em que governou, e não fraquejou em tomar decisões acertadas e corajosas, de feliz memória, dentre elas a que culminou no 13 de maio de 1888, com a abolição da escravatura em nosso País.


Destinada a dirigir os destinos da Nação (de personalidade forte e resoluta, mas humaníssima em sua compaixão pelos sofredores); preparou-se como nunca antes outra autoridade política havia cuidado com tanto zelo em corresponder aos desafios e as incumbências do governo. Ao contrário do avô e do pai, afetados por uma infância de tão grandes turbulências, a princesa Isabel teve ambiente propício para desenvolver seus talentos e assumir seu imperativo vocacional. Não apenas com dedicação aos estudos, mas ainda com percepção aguda dos problemas do seu tempo, desejando dar ao Brasil soluções sociais pautadas em princípios e valores humanos e cristãos.

A sua fé – catolicíssima – deu-lhe força para fazer com alegria tudo o que empreendia (como mãe e esposa exemplar, como filha e amiga leal, como governante mulher) e a confortou nas horas de amargura, que não foram poucas. Sofreu as angústias de ver o Brasil em guerra externa, com o risco de tornar-se viúva, ainda recém-casada, ou ter de ser forçada ao arranjo nupcial urdido pelo ditador paraguaio Solano Lopez.

Pesou-lhe tanto a pressão de grandes proprietários rurais, que resistiram e dificultaram a aprovação da libertação dos escravos, criando obstáculos no parlamento, ameaças e um temor infundado de desestabilização social. Foi preciso então agir com sabedoria, mas de modo perseverante, para ver bem sucedido o movimento abolicionista. Desde 1810 o Brasil comprometera-se em acabar com a escravidão, mas o processo político não foi fácil, porque era preciso preparar o País para tão significativa mudança. O movimento foi lento e gradual, exigiu mobilização e prudência, mas que poderia ser postergado ainda mais, não fosse a precisão decisória da princesa em seus períodos de regência, que tudo fez para que a vitória do abolicionismo fosse obtida pela via institucional, e sem derramamento de sangue. Com a Lei Áurea, a princesa Isabel visava não apenas assinar o fim da escravidão, mas preparar os meios concretos de indenização e suporte social para oferecer aos libertos condições de dignidade para o exercício da liberdade, com acesso a educação e o trabalho com justa remuneração. Atestam os historiadores a visão de estadista da princesa Isabel, que não viu acontecer por completo seu projeto de promoção social do povo brasileiro, especialmente os libertados pela Lei Áurea, porque tal relevante iniciativa foi solapada pelos republicanos positivistas, que temiam o 3º Reinado tendo à frente uma mulher de tão profundas convicções cristãs. Pois justamente o catolicismo da princesa Isabel (e sua atuação pública e pessoal coerente com a doutrina social e moral da Igreja) levou os republicanos a forçarem a quartelada de Deodoro e ao cruel banimento (exigindo que ela e sua família deixassem o País em 24 horas), exílio este que se prolongou por 32 anos, até a sua morte.

Em Paris, Dona Isabel acompanhando o vôo do 14 Bis

O fato é que, apesar do patrulhamento ideológico e a conspiração do silêncio por mais de um século, a princesa Isabel não está no inteiro esquecimento, pelo contrário, seu nome ressoa luminoso em nossa história. O nevoeiro ideológico que a vitimou ao pior dos ostracismos, parece agora começar a ser dissipado, especialmente quando a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu oficialmente, no mês passado, o pedido para a abertura do seu processo de beatificação. Isso comprova que a Princesa Isabel haverá de perdurar como estrela fulgurante no coração dos brasileiros, ad eternum.

1921, Eu, funerais da Princesa Dona Isabel

* O Professor Hermes Rodrigues Nery é o responsável pelo pedido de Beatificação da Princesa Dona Isabel.

Em: http://diasimdiatambem.com/2011/11/11/90-anos-sem-a-princesa-isabel/
Imagens 1, 3 e 4: Arquivo pessoal de Dionatan da Silveira Cunha
Imagem 2: Brasil Escola

II Encontro Monárquico Regional do Rio de Janeiro

Devido ao grande sucesso da 1º Jornada Monarquista do Estado do Rio de Janeiro, o Diretório Monárquico do Brasil, em parceria com os Círculos Monárquicos do Rio de Janeiro, de Santo Antonio de Pádua, de Niterói e de Seropédica e Baixada Fluminense, Associação Causa Imperial e Movimento conta a Corrupção trazem no dia 19 de novembro o II Encontro Monárquico Regional do Rio de Janeiro, que promete o comparecimento dos Príncipes Dom Antonio e Dom Rafael.

(Clique para ampliar)


O evento ocorrerá no Museu Histórico Nacional.

Para saber valores de adesão acesse: A Monarquia Brasileira

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Teresa Malatian confere palestra no IHGB-RJ sobre Dom Luiz de Bragança, o Príncipe Perfeito

A escritora Teresa Malatian estará no IHGB do Rio de Janeiro falando sobre o Príncipe Perfeito
A prestigiada escritora Teresa Malatian estará no dia 10 de novembro de 2011, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro falando sobre o Príncipe Dom Luiz de Bragança, o Príncipe Perfeito, a quem dedicou recente livro. Teresa Malatian pretende abordar a vida do Príncipe que seria um ótimo Estadista.

Missa pelo 90º ano de falecimento da Princesa Dona Isabel


O Instituto Cultural Dona Isabel I a Redentora manda celebrar Santa Missa no dia 13 de novembro de 2011, às 11h30min, na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, pelo 90º ano de falecimento da Princesa Dona Isabel. Está previsto o comparecimento do Prefeito Paulo Mustrangi e demais autoridades, além de monarquistas e a sociedade. 

Membro da família Imperial do Brasil faz visita a Campina Grande este mês

"Sucessor oficial da coroa será apresentado à sociedade e vereadores em sessão especial

Em: Portal Santa Teresinha
O príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança estará visitando Campina Grande entre os dias 20 e 23 de novembro. Através de uma propositura do vereador Fernando Carvalho (PT do B), a Câmara Municipal de Campina Grande vai realizar uma sessão especial para apresentá-lo aos representantes do Poder Legislativo e à sociedade campinense. A sessão será no próximo dia 21 desse mês.

O vereador Fernando Carvalho, através de um requerimento que foi aprovado na manhã desta quinta-feira (10), marcou a sessão para as 10h00 do dia 21, no plenário da Casa de Félix Araújo. Estarão presentes autoridades locais, historiadores, estudantes secundários e universitários, representantes da igreja católica e a sociedade campinense.

Sua Alteza Imperial e Real, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, é trineto de D. Pedro II e bisneto da Princesa Isabel. Ele chega a Campina Grande no dia 20 de novembro, através da Sociedade Católica São Bento, que solicitou a sessão e participará das honrarias ao membro da família real brasileira.

O nome completo do príncipe é “D. Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach”. Ele é o atual príncipe imperial do Brasil desde 5 de julho de 1981, quando seu irmão mais velho, D. Luís Gastão, assumiu o posto de Chefe da Casa Imperial Brasileira, herdado do pai. É o terceiro filho varão de D. Pedro Henrique de Orléans e Bragança, então Chefe da Casa Imperial Brasileira, e de D. Maria Isabel da Baviera."

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Princesas vêm ao Rio para inventário da mãe"




Dona Thereza de Orleans e Bragança Martorell y Calderó - suas filhas vêm ao Rio para inventário da herança /Foto: Reprodução

"As princesa Elisabeth e Núria de Orleans e Bragança Martorell y Calderó acabam de chegar de Portugal para uma temporada no Rio para resolver questões relativas ao inventário da herança de sua mãe, d. Thereza de Orleans e Bragança Martorell y Calderó, última neta da Princesa Isabel. A princesa tinha ações na Cia. Imobiliária de Petrópolis, que cuida dos dividendos da família imperial brasileira gerados pela enfiteuse de transações imobiliárias na cidade.

D. Thereza morreu em abril no Estoril, em Portugal. Sua última vontade era que suas cinzas repousassem na Catedral de Petrópolis, que abriga os restos mortais de seus pais. Caso não consigam cumprir o desejo da mãe, as filhas estudam depositar as cinzas no Convento de Santo Antônio, que também abriga um mausoléu imperial.

As princesas hospedam-se no apartamento do amigo Carlos Etchenique, filho do fundador da Brasmotor — leiam-se Brastemp e Cônsul -, no bairro do Flamengo. D. Elizabeth já morou no Brasil, na época em que foi casada com o colecionador João Espírito Santo.

D. Thereza era tão apaixonada pelo Brasil que mandou construir sua casa em Estoril de costas para a rua e virada para a direção do país. Em outra ocasião, a embaixatriz da Rússia em Portugal a convidou para uma visita à terra dos czares, com tudo pago, mas a princesa declinou gentilmente, pedindo que o dinheiro fosse revertido para obras de caridade no Rio."

Em: http://colunas.epoca.globo.com/brunoastuto/2011/11/07/princesas-vem-ao-rio-para-inventario-da-mae/

ATENÇÃO


Em caso de cópia do material exposto: considerando a lei 9610/98, o plágio é crime. As obras literárias e fotográficas existentes neste espaço são de uso exclusivo do Blog Monarquia Já. Ao copiar qualquer artigo, texto, fotografia ou assemelhado, o Blog Monarquia Já deve, obrigatoriamente, ser citado.

Contador de visitas mundial


contador gratis

Contador de visitas diárias


contador gratis

  © Blogger template 'Isfahan' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP