sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal de S.A.I.R., o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança


















(Clique para ampliar)

Aproveitamos a oportunidade para desejar ao Chefe da Casa Imperial, ao Príncipe Imperial, a todos os Dinastas, bem como a toda a Família Imperial do Brasil, ao membros do Pró Monarquia e a todos os leitores e colaboradores do Blog Monarquia Já, os nossos melhores votos de um Santo Natal.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

MUITA EMOÇÃO NA DESPEDIDA DE DOM FILIPPO




A Catedral São Pedro de Alcântara ficou lotada na tarde de domingo, na missa de despedida de Dom Filippo Santoro da Diocese de Petrópolis e da cidade. Em sua homilia, o bispo lembrou os vários momentos vividos ao longo dos sete anos de seu governo episcopal, não escondendo o nervosismo e a emoção, principalmente na homenagem prestada pela Comunidade Jesus Menino, quando Alex e Filipe cantaram uma música.

A missa contou com a presença da maioria dos padres da Diocese de Petrópolis, que, através das palavras do Monsenhor José Maria Pereira, agradeceram todo trabalho de Dom Filippo Santoro na Diocese e nas cidades atingidas pelas chuvas de 12 de janeiro. Sobre este assunto, Bruno, representando os moradores do Vale do Cuiabá, agradeceu a interferência do bispo e o apoio que receberam desde o início.

Além dos padres, participaram da missa religiosos, amigos e autoridades, entre elas o prefeito Paulo Mustrangi, o deputado federal Hugo Leal, os ex-prefeitos Leandro Sampaio e Rubens Bomtempo, os representantes da Família Imperial, Pedro Carlos de Orleans e Bragança, Francisco de Orleans e Bragança e Antonio de Orleans e Bragança. O reitor da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), professor José Luiz Rangel Sampaio Fernandes, agradeceu todo o empenho de Dom Filippo Santoro na recuperação da Universidade.

Na noite de domingo e durante todo o dia de ontem, mensagens eram postadas na página da Diocese de Petrópolis no facebook, com as pessoas manifestando tristeza pela saída do bispo, ao mesmo tempo que falavam da beleza da missa celebrada na tarde de domingo na Catedral. Entre os depoimentos no Facebook, Tereza Cristina Fernandes afirma que “foi uma missa abençoada, apesar das saudades diante da partida. Deus o abençoe nesta nova Missão Dom Filippo”. Outros já manifestavam o desejo de encontrar o bispo na Jornada Mundial da Juventude em 2013 no Rio de Janeiro.
Em sua homilia, Dom Filippo Santoro comentou que nos sete anos de seu ministério episcopal na Diocese de Petrópolis procurou uma única coisa: “abrir caminhos para o encontro com Cristo” e “ser voz” na Igreja e na sociedade. “Tenho plena consciência de ser apenas ‘voz’, voz de um outro que me faz, que me está criando agora; sem o seu ser eu não seria nada. A minha voz é eco de uma vibração que a produz. Se interromper a vibração, a voz não existe mais. A minha voz e o meu ser dependem totalmente de um Outro, do Senhor que me faz”.

Dom Filippo Santoro lembrou ainda da sua chegada na Diocese, em 11 de julho de 2004, comentando que “enquanto agradecia o Beato João Paulo II pela nomeação à sede de Petrópolis, apresentei o meu lema: ‘acolher e comunicar a beleza de Cristo que transforma a vida’ e começamos o Plano Pastoral de Conjunto e a Missão Popular envolvendo paróquias, pastorais, movimentos e novas comunidades”.

Ele afirmou que encontrou na Diocese, nas seis cidades que fazem parte da Diocese, um povo fervoroso e ainda teve a alegria de conviver com dois bispos eméritos da Diocese – Dom José Fernandes Veloso e Dom José Carlos de Lima Vaz. Ao comentar sua atividade no meio da sociedade, Dom Filippo afirmou que seu desejo foi “que a presença de Cristo fosse bem plantada no centro da sociedade. Para isso, pensamos o Plano Pastoral; procurei participar dos eventos mais importantes da vida da cidade; para isso quando a nossa cidade e toda a região serrana foi flagelada pela chuva, procurei com toda a nossa diocese estar perto do povo sofrido oferecendo socorro, solidariedade e, sobretudo, o abraço de Cristo”.

Nasce mais um neto de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança

Depois do nascimento de Dona Leopoldina, Dom Carlos Tasso foi presenteado com a chegada de mais um neto.

No dia 5 de novembro, em Paris, nasceu o pequeno Dom Taddeo Augusto, filho de Dom Affonso Carlos Tasso e de sua esposa, Dona Charlotte, nascida de Panafieu. O casal já tem uma filha, Dona Pia, nascida em Milão em 2004.

Dona Charlotte e Dom Afonso Carlos
Dom Afonso Carlos nasceu em 1970, sendo o filho primogênito de Dom Carlos Tasso e de Dona Walburga, nascida Arquiduquesa da Áustria. Tendo vivido enquanto jovem por certo período no Brasil, tentou ingressar na carreira diplomática. Em 29 de abril de 2000, casou-se com Dona Charlotte, nascida em 1972, em Paris, advogada renomada, filha de Guy de Panafieu, inspetor geral das finanças, sendo também antigo dirigente da Lyonnaise des Eaux, ex-presidente do grupo público Bull, e de  Françoise Marie Thérèse de Panafieu, nascida Missoffe, deputada no Parlamento francês desde 2002, membro do UMP, antiga ministra do Turismo (1995), prefeita do 17ème arrondissement de Paris, de 2001 a 2008. Ela, por sua vez, é filha de François e Hélène Missoffe, antigos ministros (do general de Gaulle de Valery Giscard d´Estaing). A Senhora Hélène é nascida Mitry, da casa dos Condes de Mitry (familia cavalheresca, descendente de Charles Joseph, Conde de Mitry, camarista do Duque de Lorena), filha do Conde Emmanuel de Mitry, oficial da Legião de Honra, cruz de guerra 1914-1918, e de Marguerite de Wendel, de grande família da burguesia francesa. Dona Charlotte Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança tem um irmão, o Senhor Marc de Panafieu, que casou com a Princesa Alexandra Cantacuzene, descendente do Imperador bizantino João VI Cantacuzeno e de Famílias nobres da Moldávia, Valáquia, Grécia e Romênia.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Petit comitê homenageia Dona Núria e Dona Elisabeth Martorell no Rio de Janeiro

Ohannes Kabderian Júnior, do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, promoveu um jantar no dia 5 de dezembro no seu apartamento da rua Nascimento Silva, Rio de Janeiro, em torno das  grandes amigas, as irmãs Dona Elisabeth e Dona Núria de Orleans e Bragança Martorell y Calderó, que passam um temporada no Brasil, conforme noticiado neste blog. Elas são filhas da saudosa Princesa Dona Tereza de Orleans e Bragança, falecida este ano, e residem no Estoril, em Portugal. No jantar, foi servido "Bobó de camarão à baiana" na fina prataria do anfitrião, tudo preparado com esmero pela empregada Tereza de Jesus.

 Nos registros exclusivos do Blog Monarquia Já, vê-se na primeira foto, Dom Antonio,
Dona Isabel, Dona Elisabeth, Dona Núria e Dona Christine.
Na segunda imagem, as irmãs homenageadas

Estiveram presentes para homenageá-las, a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança com a Princesa Dona Christine. O jantar com lugares marcados, contou ainda com as presenças de João Paulo Pimentel Brandão, o livreiro e monarquista de Juiz de Fora, Jean Menezes do Carmo, o prefeito da cidade de Pequeri, Raul Salles de Almeida, o casal Cristina e Johannes Dryer... O anfitrião Ohannes Kabderian é amigo devotado à Família Imperial e decorou o ambiente com hortênsias, em uma homenagem à memória da Princesa Dona Isabel, que apreciava as flores.

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Com os agradecimentos ao amigo Jean Menezes do Carmo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A CATOLICIDADE DA PRINCESA ISABEL: EXPRESSÃO DE UM AMOR UNIVERSAL

Confira na íntegra a palestra proferida pelo Professor Hermes Rodrigues Nery no Painel “A Catolicidade da Princesa Isabel vista por um bisneto”. Além do Professor Hermes, tomaram a palavra o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança e o Sr. José Carlos Sepúlveda da Fonseca.
A Catolicidade da Princesa Isabel: expressão de um amor universal 
O Professor Hermes em sua palestra. Compondo a mesa, entre outros, Sr. Adolpho Lindenberg, o Chefe da Casa Imperial do Brasil - S.A.I.R., o Príncipe Dom Luiz, S.A.I.R., o Príncipe Dom Bertrand e o Sr. José Carlos Sepúlveda da Fonseca. Grande quantidade de pessoas apreciam a grande qualidade do evento
Por: Prof. Hermes Rodrigues Nery*
“Cada um de nós tem os seus sofrimentos próprios, o seu temperamento, a sua capacidade para penetrar no sentido íntimo dos dramas da vida (...) e na diversidade das nossas circunstâncias, devemos nos afinar no grande concerto que a Igreja denomina com grande sabedoria ‘comunhão dos santos’”.¹
“Os que permanecem fiéis à tradição é que podem abrir o caminho para o futuro”²
 Caríssimos amigos,
Cumprimento primeiramente S.A.I. Dom Luiz de Orléans e Bragança (Chefe da Casa Imperial do Brasil), e seus irmãos aqui presentes, os Príncipes Dom Bertrand e Dom Antonio, sua esposa a princesa de Ligne, Dona Cristina Maria Isabel de Ligne e Orléans e Bragança, e S.A. Dom Casimiro de Bourbon e Duas Sicílias, sacerdotes e leigos. Cumprimento ainda o Sr. Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto Plínio Correia de Oliveira, o diretor do IPCO, Sr. Mário Navarro da Costa, o Sr. José Carlos Sepúlveda da Fonseca, que compõem esta mesa, e demais participantes deste encontro.
Gostaria de iniciar esta exposição com aquela feliz expressão do anjo do Senhor aos pastores de Belém na noite santa de Natal: “Eis que vos anuncio uma boa notícia!” (Lc 2, 10). Temos hoje uma causa, atualíssima e imprescindível na história do Brasil, no momento em que vivemos. A boa notícia, para nós, católicos brasileiros, é o pedido para a abertura do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel Cristina de Orléans e Bragança, feito em 19 de outubro, ao Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, com a presença de S.A.I. Dom Antonio de Orléans e Bragança. Foi feito um encaminhamento que há várias gerações, muitos desejavam sinceramente que a Igreja acolhesse tal iniciativa e esperamos que agora seja logo constituída a Comissão Especial para dar início aos estudos que venham comprovar a sua vida de santidade, de reconhecidas virtudes heroicas, fidelíssima que foi à fé católica e aos princípios e valores do Evangelho. Fé com obras e frutos por todos conhecidos.
Pelo que defendeu e amou na vida, como filha, esposa, mãe e amiga leal, como governante mulher, e cristã de vivíssima consciência e convicção, mulher da alegria e compassiva, operante em muitas obras oblativas, “padeceu um dos maiores trabalhos, que é a contradição dos bons”3, lembrando o que disse São Pedro de Alcântara sobre Santa Teresa de Ávila.
E não lhe faltou a cruz, como não poderia lhe faltar, justamente pelo seu amor ao crucificado. No seu exílio – o mais longo e penoso já sofrido por uma autoridade política no Brasil, “a que foi forçada e onde passou, impiedosamente, o resto de sua existência, que se prolongou por 32 anos sem poder rever sua terra e sua gente, experimentou ela, principalmente no começo, os mais rudes golpes que lhe alancearam o coração.”4. Foi longe do Brasil que tanto amou e que tanto se dedicou nos melhores anos de sua vida, que “ela deu toda a medida da majestade e da magnanimidade do seu coração. Ela viveu no desterro como símbolo da fraternidade, como afirmação da Pátria, acima dos partidos e dos regimes. Debaixo de sua meiguice, da sua adorável simplicidade, quanta fortaleza de caráter, quanto heroísmo, quantas obras valorosas!”.5 
O PRIMADO DE DEUS
Ela tinha apenas 43 anos, estava pronta para viver tudo o que desejava que era trabalhar por um Brasil capaz de assumir seu destino promissor, quando lhe desabou o chão sob os pés, e ela perdeu quase tudo daquilo que justificava sua vocação e missão, e diante de tantas perdas, soube elevar os olhos e o coração a Deus e afirmar cada vez mais a sua fé, num admirável exemplo de santificação.
“No particular dado o seu temperamento enérgico e forte, o exílio se lhe representou uma longa e dolorosa provação, além de constituir, no tocante às desapropriações sofridas, um esbulho aos seus direitos de propriedade legítima, sem o mínimo respeito aos preceitos constitucionais. (...)  tudo isso, que lhe foi tirado de chofre, não pode deixar de significar uma violência que resultou no imediato esvaziamento de sua privilegiada condição social, e assim despojada das mais puras e naturais alegrias que lhe enchiam a alma de sensações verdadeiramente felizes.”6
E então, naquele 15 de novembro, data de seu batizado, é certo que chorou, não apenas porque estavam sendo solapados seus mais legítimos direitos, mas ainda mais o seu projeto de Brasil que a República positivista iria desfigurar, e não propiciar aquelas condições efetivas de promoção social pautadas no humanismo cristão. Afinal, o que eles tanto temeram na Princesa Isabel foi justamente o seu ultramontanismo, que significava dizer fidelidade ao ministério petrino.
Poucos meses antes, tendo vivido a sua entrada radiante em Jerusalém, com o glorioso 13 de maio, sentiu no exílio, as dores do Getsemani, e a partir de então, se associou ainda mais aos sofrimentos de Jesus, rei dos reis, despojado de sua majestade, escarnecido e humilhado, até a morte de cruz. No exílio, foi entendendo mais intensamente, as consequências da adesão àquele que é o verdadeiro Mestre, pois “o seguimento é expressão de conversão permanente a Jesus Cristo”.7 E na medida em que os anos no exílio foram lhe mostrando que talvez nunca mais voltasse mesmo a  ver o Brasil, continuou perseverante e se dedicando muito aos brasileiros, pois na sua vivência católica, de amor sempre universal, deu o testemunho de que “seguir é viver, amar, crescer em fidelidade, comprometer-se na construção do reino e solidarizar-se na justiça e na amizade”.8
A princesa Isabel, pela sua formação e determinação, pelas suas opções e decisões, pelo modo como suportou as perdas e dores e da maneira como afirmou a fé, teve o sentido de Deus, numa época em que já se sentia poderosas correntes culturais e políticas decretando a morte de Deus no mundo, ela viveu e fez o que fez movida pela direção de Deus, que “compreende e dinamiza a pessoa inteira com toda a sua força e sua relação essencial”9, pois, a história mostra de modo claríssimo de que “quem possui o sentido de Deus possui ao mesmo tempo o sentido da vida e do ser humano. Assim unem-se em síntese a escuta e a prontidão para a resposta existencial”.10
Como Samuel, a princesa Isabel ainda muito jovem já havia expressado em seu coração aquele feliz “Eis-me aqui Senhor!”11
E como Jó, diante da provação, pôde dizer:
“Quem me tornará tal como antes, nos dias em que Deus me protegia?
(...)
Livrava o pobre que pedia socorro, e o órfão que não tinha apoio”
(...)
Agora minha alma se dissolve, os dias de aflição me dominaram.
A noite transpassa meus ossos, consome-os; os males que me roem não dormem.
Com violência segura minha veste, aperta-me como o colarinho de minha túnica.
(...)
Não chorei com os oprimidos? Não teve minha alma piedade dos pobres?
(...)
Nunca violei o direito de meus escravos,
ou de minha serva, em suas discussões comigo.
(...)
Não recusei aos pobres aquilo que desejavam, não fiz desfalecer os olhos da viúva
(...)
Pois o temor a Deus me invadiu, e diante de sua majestade não posso subsistir
!”12
E ouvindo em seu coração o que Deus respondeu a Jó:
“Conheces as leis do céu, regulas sua influência sobre a terra?”13
Daí a força e a energia com que se moveu, desde o início para promover a liberdade dos escravos no Brasil, num processo que exigiu sabedoria e prudência, coragem e precisão decisória, que ela tão bem foi capaz de conduzir, até alcançar a glória da Lei Áurea. E mesmo assim, mesmo querendo fazer mais pelo Brasil, as dores do exílio lhe fizeram entender que o comando da história está nas mãos de Deus, que Ele permite tudo o que está debaixo do sol, e que um dia haverá Seu juízo, resplandecendo tudo o que de bom fizeram os que verdadeiramente O amaram, pois, “enquanto Jó rezava por seus amigos, o Senhor o restabeleceu de novo em seu primeiro estado e lhe tornou em dobro tudo quanto tinha possuído.”14
As decisões que a Princesa Isabel tomou como regente, tornaram evidente que reconheceu antes de mais nada, o primado de Deus. Em seu tempo, surgiram e se intensificaram forças ideológicas contrárias à doutrina social cristã (cabe lembrar que o Manifesto Comunista é de 1848). E que ela perdeu o trono justamente no enfrentamento destas forças espirituais (cujas tensões ficaram evidentes no próprio movimento abolicionista, e que tal movimento só foi bem sucedido porque teve na Princesa Isabel a firmeza de fazer valer a fé católica no processo. E por isso é que foi possível evitar derramamento de sangue, e conter os ímpetos dos que queriam que se repetisse no Brasil as violências ocorridas, por exemplo, no Haiti e nos Estados Unidos.  Foi o catolicismo defendido pela Princesa Isabel,  que permitiu o êxito do maior movimento social da história deste país, e com um resultado jubilante. Tudo isso porque prevaleceu no processo o primado de Deus, que ela tão bem expressou em suas ações decisivas. No exílio, ela pôde melhor compreender o alcance do significado do mistério da fé na história.
“O Senhor nos diz: ‘procurai antes de mais nada o Reino (de Deus) e a sua justiça, que tudo o mais vos será dado’ (Mt 6,33). Com esta expressão é estabelecida uma ordem de prioridades para a ação humana, para a nossa atitude no cotidiano. De modo nenhum nos é prometida uma terra de delícias para o caso de sermos piedosos ou de desejarmos de algum modo o Reino de Deus. Não é apresentado nenhum automatismo de um mundo a funcionar como o apresentaram as utopias de uma sociedade sem classes, na qual tudo andaria bem por si só, apenas porque não há nenhuma propriedade privada. Jesus não nos fornece receitas tão simples. Mas Ele estabelece – como foi dito – uma decisiva prioridade. ‘Reino de Deus’ quer dizer ‘Soberania de Deus’, e isso significa: é aceito o critério da sua vontade. Esta vontade cria justiça, à qual pertence que nós damos a Deus o seu direito e assim a medida para encontrar o direito entre os homens”.15
A princesa Isabel sabia que “para a Igreja (...) foi desde o princípio fundamental a defesa da família como o núcleo de toda ordem social”.16 Por isso a causa de sua beatificação hoje é tão atual, num momento em que a instituição familiar está tão ameaçada. E este princípio e valor foi vivido por ela, de modo tão marcante, na relação com seus pais, com o esposo e com os filhos e netos, e com todos a sua volta, ainda mais com a extensão natural de quem era o seu próximo. Por isso que via a todos como membros de uma mesma família, e por isso todos os brasileiros a amaram como mãe e futura rainha. Nesse sentido, seu pensamento solidamente cristão e seus atos deixavam claro que a “a orientação social é uma orientação teológica e esta tem caráter social – amor de Deus e o amor do próximo são inseparáveis, e o amor do próximo recebe aqui uma definição muito prática, isto é, como percepção da presença direta de Deus nos pobres e fracos”.17  Daí também atualmente o sentido da defesa da vida, especialmente do nascituro, que é hoje o mais fragilizado. As suas decisões tomadas refletiram o seguimento a Jesus. Em sua vida ficou explícito claramente “o grande problema da relação entre fé e ordem social, entre fé e política”18. Daí o seu envolvimento e comprometimento com a abolição da escravatura.

A influência do rosário no movimento abolicionista
Há muito o que descobrir da relevante atuação da princesa Isabel no movimento abolicionista, muito mais do que apenas ter assinado as Leis do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). Não tivesse ela assumido a regência e dado o tom tanto na gestão quanto na metodologia de trabalho e o movimento teria tido um rumo mais drástico e explosivo. Foi o componente católico que ela imprimiu e que a voz vigorosa de Joaquim Nabuco expressou, entre outras, que ressoou e influiu significativamente, não somente entre os proprietários rurais resistentes à abolição, mas principalmente entre os negros devotos organizados nas irmandades religiosas, especialmente a de Nossa Senhora do Rosário. Os antropólogos ficam admirados de ver como as irmandades católicas, de origem dos tempos medievais e instituídas tanto em Portugal quanto na África foram um elo de ligação entre os negros que queriam a sua libertação, mas sem o apelo à violência. As irmandades católicas, portanto foram decisivas para que o movimento abolicionista fosse bem sucedido, pois teve à frente uma governante mulher e cristã, que tão bem entendeu a alma do povo brasileiro.    Conta Didier Lahon que “na viragem do séc. XV para o XVI, alguns escravos negros já eram membros da confraria do Rosário de Lisboa. Essa opção pela Virgem do Rosário advinha de que ‘ a devoção ao Rosário, e a confraria que lhe estava confiada, pregava assim, como ainda hoje, o mais amplo ecumenismo social e racial, tentando derrubar, no seio da comunidade espiritual dos irmãos, as barreiras que os separavam na vida cotidiana”.19
Foi o papa Pio V quem instituiu em 1573 a festa de Nossa Senhora do Rosário da Vitória para celebrar o êxito dos cristãos na Batalha de Lepanto. Desde então a devoção do rosário cresceu até os dias de hoje exercendo uma força misteriosa nos destinos dos países cristãos, especialmente na luta contra as forças hostis à Cristandade. Ainda hoje para nós católicos, é significativa a assinatura da Lei Áurea no dia 13 de maio, quase trinta anos antes, no mesmo dia, da aparição de Nossa Senhora de Fátima, oferecendo o rosário como arma contra os inimigos da Igreja.
“Segundo o Papa Pio V a vitória teria se dado graças à interseção da Virgem, em resposta aos Rosários a ela oferecidos, e Gregório XIII, seu sucessor, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário, reforçando o Rosário como arma da vitória”.20
A devoção ao rosário – sempre extremamente popular – foi muito difundida e aceita pelos escravos no Brasil, e foi esta devoção que exerceu grande influência – através da atuação das irmandades católicas – no movimento abolicionista. Isso é o que estão descobrindo os antropólogos e acadêmicos da atualidade.
John Thorton chamou atenção no meio acadêmico da “importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII”21 e “o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.”22 Marina de Mello e Souza, a partir de pistas indicadas por Thorton, afirma que “no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora.”23
E também os estudiosos perceberam entre os escravos no Brasil, duas formas de expressão religiosa que estarão manifestas no modo como atuaram no movimento abolicionista. Esta distinção resultará em duas opções de resistência: a do negro revoltoso e fugido, aquilombado, que se insurge contra o sistema escravista, pela via da violência. A outra opção foi a assumida pelas irmandades católicas, que agregou também em quilombos muitos negros devotos do rosário: a do negro alforriado, organizado para prestar auxílio aos demais, sem violência, agindo pela via institucional. Estas duas distinções têm relação as duas formas de expressão religiosa existentes durante a escravidão: “No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais. No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista.”24 Foi em meio a este contexto que se deu a mobilização popular pela abolição, cujo papel das irmandades religiosas católicas foi decisivo para que o processo culminasse com a Lei Áurea. A Princesa Isabel percebeu, desde o início, tais tensões, e juntamente com outras lideranças, atuou para que o gradualismo não se estendesse demais, para não acirrar os conflitos (tanto dos proprietários rurais quanto dos escravos aquilombados que fugiam e partiam para a resistência com violência).
No entrechoque das posições assumidas pelos grupos atuantes, prevaleceu a solução católica, não imposta pelo governo nem por eclesiásticos, mas aceita naturalmente (e aí a importância do dado antropológico) por aqueles que sofriam a tragédia da escravidão e queriam se libertar da opressão, para serem aceitos como pessoas e não mercadoria, e não serem discriminados socialmente. Esse aspecto foi fundamental para preservar até hoje em grande parcela da população negra do País, uma devoção especial à Princesa Isabel, uma veneração imbuída de um profundo sentimento de gratidão, e é desta parcela significativa que vieram os primeiros testemunhos de sua fama de santidade, ainda em vida.  
Fidelidade à Igreja
Fidelidade esta que constatamos em tantos gestos, como, por exemplo, estive no mês passado em Ouro Preto, num domingo, e fui à missa pela manhã. Ainda antes da celebração, uma senhora contou-me que a princesa Isabel também estivera naquela mesma igreja e ainda hoje guardam de recordação uma toalha que ela trouxera para ornamentar a mesa do Senhor. Nas suas visitas que fez pelo Brasil, em cada cidade há sempre uma história, uma atitude sua, de tocante devoção. Na visita que fez à Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (em 6 de novembro de 1888) deixou de presente como pagamento de uma promessa feita em sua primeira visita vinte anos antes, uma coroa de ouro com diamantes e rubis, como também um belíssimo manto azul.
No auge da crise entre a Igreja e a Maçonaria no Brasil, pediu a libertação de Dom Vital da prisão. Solicitou à Santa Sé, em 1877, a canonização do Pe. José de Anchieta. Contam ainda que, logo após a abolição, quiseram-lhe homenagear com um monumento que se chamaria “Isabel, a Redentora”, sugerindo coloca-lo no cume do Corcovado, no Rio de Janeiro, sua cidade natal. Ao que ela respondera que se o monumento fosse feito um dia que levasse não o seu nome, mas o de Jesus. E anos depois lá foi erguido o Cristo Redentor.
Em carta ao Papa Leão XIII (de quem recebeu a Rosa de Ouro, única brasileira a ser homenageada, em vida, com tão excelsa insígnia), somou sua voz aos que solicitavam ao Sumo Pontífice a decretação do dogma da Assunção de Nossa Senhora, exclamando que “a proclamação da Assunção acrescentará em particular um novo lustre ao Santo Rosário, imprimindo aos dois mistérios que o terminam o caráter de uma verdade infalível”.25 Expressou em diversos escritos seu amor e devoção mariana, tendo visitado inúmeros santuários, entre eles, o de Nossa Senhora de Lourdes e o de Aparecida. Francisco Lemes Lopes conta que o “relicário de brasilidade e fé. Jóia da paisagem e da arte religiosa. Receptáculo das confidências de seu coração magnânimo (...) o Santuário de Nossa Senhora da Glória”26 foi a “última visita de Isabel antes de partir para o exílio”.27 Em seu testamento, constatamos sua inequívoca profissão de fé: “Quero morrer na Religião Católica, Apostólica, Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha Pátria.”28  
“Nosso Senhor não tardará em mimosear-me em presença de todos os Santos...”29
Há muitas coisas que gostaria de ressaltar nesta exposição, mas o tempo é exíguo e há outros palestrantes ainda para fazerem uso da palavra. Trago apenas aqui mais alguns brevíssimos apontamentos para reflexão, e dizer que os estudos estão sendo aprofundados e a cada dia mais dados nos surpreendem sobre o quanto desconhecemos da vida Princesa Isabel e do muito que ela fez pelo Brasil e pela Igreja.  Quando Jacques Le Goff se debruçou sobre a vida de São Luís IX, se surpreendeu dele ser “o menos conhecido dos grandes reis da França medieval”30, assim a Princesa Isabel surpreenderá muito os pesquisadores sérios, pois os estudos estão um campo aberto. Assim como São Luís, a princesa Isabel foi capaz de “decisões pesadas de consequências”31 e de bons resultados.
 Antes de encerrar gostaria de salientar uma breve palavra sobre o sentido da santidade, graça de salvação da pessoa humana.
Rezamos em nosso Credo a convicção da comunhão dos santos, porque “é essencial para o cristianismo manter viva e intensificar a esperança e o desejo da outra vida”32, da vida verdadeira, da vida eterna, é esta que interessa mais, porque “esta vida é escolha da outra, e a outra é realização desta”.33 A partir de então, entendemos o que Santa Teresinha tão bem exprimiu: “quero passar o meu Céu a fazer bem à terra!”34 Sabemos que aqui, na vida penúltima, “em tudo somos atribulados, mas não esmagados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos...”35 E em tudo, o bem-aventurado sabe o que responder, a exemplo de Santa Maria Micaela: “Deixo a Deus que me defenda”.36 Nesse sentido cremos com júbilo, n’Aquele que nos dá força, que tudo opera, que é Jesus Cristo, Nosso Senhor e Nosso Salvador, pois sabemos, que “as bem-aventuranças são um paradoxo – os critérios mundanos são subvertidos, desde que as coisas sejam vistas na perspectiva correta, nomeadamente a partir do valor de Deus, que é diferente do valor do mundo”.37 Com essa compreensão, entendemos melhor a vida da virtuosíssima Dona Isabel Cristina de Orleáns e Bragança, cujo itinerário terrestre a preparou para a glória celeste, especialmente pela perseverança no bem: a começar na vida em família, no ardor ético e cívico do bem comum, no cumprimento de sua missão como governante mulher, na fidelidade à Igreja. E esta perseverança traz exigências, pois, como já dissemos, “a bem-aventurança é um convite para o seguimento do crucificado – dirigido a cada um e a toda Igreja”.38
Às vezes temos a impressão de que ser santo é algo inacessível, reservado apenas a algumas almas eleitas, etc. Mas a verdade é que todos nós somos chamados à santidade. Cada um com os talentos recebidos. O que importa é a resposta de Pedro ao Mestre: “Sim, Senhor! Tu és o Deus vivo”, o Deus da vida, que quer vida em abundância para todos, “em plena posse de uma alegria eterna”.39 Daí o chamado à santidade. É sempre Pedro que “responde em nome dos doze”,40 que reconhece e ama Jesus, e toma-o “como guia da própria vida”.41
Aquela que já em vida foi chamada de “A Redentora” poderá, com a graça de Deus, ser declarada venerável, beata e um dia ser elevada à honra dos altares.

Bibliografia:
1.   Plinio Salgado, Tempo de Exílio – Correspondência familiar – 1, Ed. Voz do Oeste, 1980, p. 139.
2.   Georges Suffert, Tu és Pedro, Ed. Objetiva, 2001, p. 57.
3.   José Miguel Cejas, Os Santos, pedras de escândalo, Ed. Quadrante, 1997, p. 29.
4.   Hermes Vieira – Princesa Isabel – Uma Vida de Luzes e Sombras, Edições GRD, São Paulo, 1990, pp. 231-232.
5.    Hermes Vieira – Princesa Isabel – Uma Vida de Luzes e Sombras, Edições GRD, São Paulo, 1990, p. 233.
6.   Hermes Vieira – Princesa Isabel – Uma Vida de Luzes e Sombras, Edições GRD, São Paulo, 1990, p. 231.
7.   Dalmazio Mongillo, Dicionário de Espiritualidade, Seguimento, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 1041
8.   Dalmazio Mongillo, Dicionário de Espiritualidade, Seguimento, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 1041
9.   B. Häring, Dicionário de Espiritualidade, Sentido de Deus, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 1049
10.           B. Häring, Dicionário de Espiritualidade, Sentido de Deus, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 1049
11.           I Sam 3, 4
12.           Jó 29, 2,12;30,16-18,25; 31,13,16,23.
13.           Jó 38,33.
14.           Jó 42, 10.
15.           Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, pp. 134-135.
16.           Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 115.
17.           Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 119.
18.           Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 109.
20.           Maristela dos Santos Simão, As Irmandades de Nossa Senhora do Rosário e os Africanos no Brasil do século XVIII, Mestrado em História da África, Universidade de Lisboa e Faculdade de Letras, 2010 (
21.           Marina de Mello e Souza, Catolicismo Negro no Brasil – Santos e Minkisi, uma reflexão sobre Miscinegação Cultural (http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n28_p125.pdf)
22.           Marina de Mello e Souza, Catolicismo Negro no Brasil – Santos e Minkisi, uma reflexão sobre Miscinegação Cultural (http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n28_p125.pdf)
23.           Marina de Mello e Souza, Catolicismo Negro no Brasil – Santos e Minkisi, uma reflexão sobre Miscinegação Cultural (http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n28_p125.pdf)
24.           Marina de Mello e Souza, Catolicismo Negro no Brasil – Santos e Minkisi, uma reflexão sobre Miscinegação Cultural (http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n28_p125.pdf)
25.           Francisco Leme Lopes, S.J., Isabel, a Católica, Anuário do Museu Imperial, Volume 32, Petrópolis (RJ), 1973, pp.  60-61.
26.            Francisco Leme Lopes, S.J., Isabel, a Católica, Anuário do Museu Imperial, Volume 32, Petrópolis (RJ), 1973, p. 65.
27.           Francisco Leme Lopes, S.J., Isabel, a Católica, Anuário do Museu Imperial, Volume 32, Petrópolis (RJ), 1973, p. 65.
28.             Francisco Leme Lopes, S.J., Isabel, a Católica, Anuário do Museu Imperial, Volume 32, Petrópolis (RJ), 1973, p. 70.
29.    Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma Alma, Livraria Apostolado da Imprensa, Braga, 1990, p. 161
1.   Jacques le Goff, São Luis – Biografia, Editora Record, Rio de Janeiro, 2002, p. 19.
2.   Jacques le Goff, São Luis – Biografia, Editora Record, Rio de Janeiro, 2002, p. 24.
3.   Júlian Marías, Problemas do Cristianismo, Editora Convívio, São Paulo, 1979, p. 35.
4.   Júlian Marías, Problemas do Cristianismo, Editora Convívio, São Paulo, 1979, p. 38.
5.   Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma Alma, Livraria Apostolado da Imprensa, Braga, 1990, p. 294.
6.   2Cor 4,8-10
7.   José Miguel Cejas, Os Santos, pedras de escândalo, Ed. Quadrante, 1997, p. 23.
8.   Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 77.
9.      Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 91.
10.           Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma Alma, Livraria Apostolado da Imprensa, Braga, 1990, p. 170.
11.           Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 247.
12.           Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Ed. Planeta do Brasil Ltda, São Paulo, 3ª reimpressão, 2007, p. 251. 

Prof. Hermes Rodrigues Nery é Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté.

Dom Orani Tempesta: “Falta um milagre para a beatificação da Princesa Isabel”

Confira o vídeo do Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta acerca da beatificação da Princesa Dona Isabel.
O vídeo foi feito por Wagner Moura do blog “O Possível e o Extraordinário”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O registro da morte do Imperador

Por Pedro Corrêa do Lago

Há quase 120 anos, em Paris, no dia 15 de novembro de 1891, um velho brasileiro lembrou-se com tristeza do segundo aniversário da Proclamação da Republica, e pensou em sua terra natal com nostalgia.

Tratava-se do ex-Imperador D. Pedro II, que – prematuramente envelhecido aos 65 anos – vivia modestamente no hotel Bedford em Paris, cercado apenas da atenção de alguns fiéis monarquistas e da família que lhe restara, após a morte da Imperatriz e de sua filha Leopoldina, e do internamento de seu neto Pedro Augusto, que enlouquecera no navio que os levava ao exílio.

A saúde do Imperador dera grandes sustos nos últimos anos, e D. Pedro estivera à morte em pelo menos duas ocasiões. Mas agora sentia-se relativamente bem, fora as mazelas habituais, e preparava-se para a reunião da Academia de Ciências da França, à qual pertencia, dali a uma semana, e para o desfile de conhecidos e amigos que inevitavelmente lhe prestariam homenagem no seu aniversário de 66 anos, na semana seguinte, em 2 de dezembro.

Ocorreu de fato uma romaria nesse dia, mas de outra natureza. D. Pedro já estava quase inconsciente, pois faltavam apenas dois dias para sua morte, na primeira hora do dia 5 de dezembro. O que se verificou nessas 72 horas foi uma procissão ininterrupta de visitantes que já sabiam o Imperador desenganado.

Após ter reinado por quase sessenta anos sobre o Império do Brasil, D. Pedro II morria num modesto quarto de um hotel parisiense de segunda categoria, no qual vivera o ultimo ano de sua vida.

Ao seu lado, nos momentos finais, estava o dedicado Dr. Claudio de Motta Maia, médico que o acompanhara por dez anos e a quem o Imperador por gratidão havia agraciado em 1888 com o titulo de Conde de Motta Maia.

Na hora do falecimento estavam também presentes duas das maiores sumidades médicas da França, acorridas às pressas para tentar salvar o doente ilustre: os professores Bouchard e Charcot, (que batizariam juntos o aneurisma Charcot-Bouchard). Charles Bouchard era considerado o maior patologista de Paris e Jean-Martin Charcot é até hoje célebre por ter sido o mestre de Freud, quando este veio completar seus estudos em Paris no hospital da Salpetrière, em 1885.

Nada puderam fazer, e imediatamente após o falecimento os médicos assinaram juntos o certificado de óbito, na letra de Charcot, aqui reproduzido, e traduzido a seguir:

Clique para ampliar

"Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo

Paris, 5 de dezembro de 1891

J.M Charcot

C. de Motta Maia

Bouchard”

Motta Maia conservou preciosamente o original deste documento, que foi pouco divulgado e reproduzido desde então. Seus bisnetos o venderam há quinze anos ao atual detentor. Assim, num simples papel de carta comum, permanece o registro oficial da morte do chefe de estado que por mais longo tempo governou o Brasil.

Morte do imperador dom Pedro II completa 120 anos

Agência Brasil
Por Vitor Abdala
Em Jornal do Brasil

Completam-se hoje (5) 120 anos da morte do imperador dom Pedro II, o governante que ficou mais tempo à frente do Estado brasileiro em toda a história do país. O aniversário da morte do monarca foi lembrado nesre domingo (4) em uma missa na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, que tem ligação histórica com a família imperial brasileira desde o século 19.

Segundo o historiador Bruno de Cerqueira, do Instituto Dona Isabel I, de preservação da memória ligada à família Orleans e Bragança, dom Pedro II foi figura central para a manutenção da unidade territorial brasileira.

Mesmo quando ainda era criança, dom Pedro II teria tido uma importância simbólica. Cerqueira explica que, sem a existência da figura do imperador, o Brasil teria se desintegrado em vários estados, na década de 1830, período em que dom Pedro I deixou o Brasil e o país teve que ser governado por regentes.

“Se não tivesse essa criança como centro do poder no Rio de Janeiro, não teria havido a continuidade do Brasil. O Brasil teria deixado de existir. Teriam sido criados diversos países aqui. Depois, em seu governo, foi ele que solidificou todas as instituições nacionais”, disse.

Nos dez anos em que o Brasil ficou sob o governo de regentes, ocorreram inúmeras revoltas, como a Balaiada e a Guerra dos Farrapos, que queria a independência do Rio Grande do Sul. Dom Pedro II foi coroado em 1841, com 15 anos de idade.

Segundo Bruno de Cerqueira, o monarca instaurou o parlamentarismo no Brasil em 1847, ao abdicar de parte das atribuições governamentais em favor de um presidente do Conselho de Ministros, uma espécie de primeiro-ministro.

No período em que dom Pedro II era imperador também ocorreram a Guerra do Paraguai, que se arrastou de 1864 a 1870, e a abolição da escravatura no país, em 1888. Dom Pedro foi retirado do poder com um golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, que instaurou a República em 15 de novembro de 1889.

“A família imperial não reagiu. Se tivesse reagido, como queria o Conde d’Eu [genro do imperador e marido da princesa Isabel], teria havido um banho de sangue, uma guerra civil enorme no Rio de Janeiro. Para evitar essa guerra, a família decide se retirar do país. Aí, eles são banidos, na madrugada de 17 de novembro de 1889”, explica.

Já bastante debilitado pelo diabetes, dom Pedro II morreu dois anos depois, em 5 de dezembro de 1891, no exílio, em Paris, na França, vítima de pneumonia. “Ocorreu uma coisa extremamente interessante, porque a França deu honras de imperador. Cento e vinte mil pessoas assistiram ao funeral, mas a nossa República não permitiu que o embaixador do Brasil em Paris a assistisse”, conta.

Seus restos mortais só voltariam ao Brasil em 1920, depois do fim oficial do banimento da família imperial. Desde então, os restos de dom Pedro II estão sepultados no Mausoléu Imperial, dentro da Catedral de Petrópolis, na região serrana fluminense.

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