domingo, 27 de abril de 2014

Herdeiros do Porvir - nº 36

Está disponível o nº 36 do Boletim Herdeiros do Porvir, referente a Janeiro, fevereiro e março de 2014.

Além de notícias sobre a Família Imperial, o informativo traz importantes considerações sobre a monarquia e sobre a realidade da república no Brasil.

Para recebe-lo, de forma gratuita em sua residência, basta acessar o site da Casa Imperial do Brasil, em http://www.monarquia.org.br/-/faleconosco.asp e fornecer os dados.

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Dom Bertrand de Orleans e Bragança em Campinas

Mais de 300 pessoas convidadas estiveram no Tênis Clube de Campinas, em São Paulo, no último dia 24, para ouvir o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, em sua brilhante palestra "O Brasil, uma nação predestinada a um futuro glorioso". 


O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança e Marcelo Soares de Camargo, Presidente do Tênis Clube de Campinas

A Diretoria entrega lembranças pela visita do Príncipe, agraciando-o com o título de Sócio Honorário

Créditos das imagens: Alex Nucci

O perigo vermelho



Por José Carlos Sepúlveda da Fonseca


Talvez o título deste artigo leve algum leitor otimista, desavisado ou ingênuo a considerar que, tratar do “perigo vermelho” nos dias que correm, é coisa ultrapassada, sem base séria na realidade.

Afinal, dirá esse hipotético leitor, o comunismo acabou e combatê-lo é exercício supérfluo e anacrônico. Curiosamente, dito seja de passagem, esse mesmo leitor não achará fora de tempo combater o nazismo, embora o regime de Hitler tenha sido deglutido pela história há bem mais tempo. Como um dos fatores mais perniciosos nos debates de idéias são as confusões, aproveito para esclarecer que não sou daqueles que contrapõem o nazismo ao comunismo; pelo contrário acho-os bem próximos, em suas ideologias nefastas e assassinas.

Mas, prossigamos. Aviso, desde já, que o título que encabeça este texto não é meu. Apenas o tomei emprestado de um artigo – que transcreverei a seguir – de autoria de alguém bem conhecido no Brasil e sempre ligado às hostes da esquerda, inclusive da esquerda revolucionária. Logo, alguém bem insuspeito.

Grande equívoco: o fim do comunismo
Um dos maiores equívocos de nossa época é confundir a ruína do mundo soviético com o fim da ideologia comunista. Um fato não implicou o outro. É claro que o desmoronamento do mundo soviético e a queda da Cortina de Ferro acarretaram inegáveis mutações geopolíticas na cena internacional. Mas daí a dizer que a ideologia socialo-comunista se extinguiu e deixou de ser importante, é um engano.

Como bem alertou Plinio Corrêa de Oliveira – um dos mais proeminentes líderes católicos anti-nazistas e anti-comunistas – o comunismo apenas se metamorfoseou.

E os fatos têm se encarregado de confirmar este alerta. Basta olhar para o Continente sul-americano onde a experiência do socialismo do século XXI ameaça fazer alastrar a destruição política, institucional, econômica e social – hoje reinante na Venezuela – a diversas outras nações; ou então constatar como a ditadura comuno-castrista, da ilha-prisão, continua a ser adulada e a servir de paradigma para tanta esquerda latino-americana, inclusive a “esquerda católica”.

A fotografia que encima este texto, uma fotografia de divulgação do PC do B, também fala por si. A Presidente Dilma Rousseff discursa no 13º Congresso do Partido, no final do ano passado. Sob a figura de Lênin e de Marx (na outra ponta do palco), ela saúda os “companheiros” do PC do B, numa tribuna em que uma bandeira comunista vai cobrindo e sobrepujando a bandeira do Brasil.

Crenças socialistas, sonhos bolchevistas
Como afirmei acima, o título que encabeça meu artigo não é meu. É de Arnaldo Jabor. E o artigo escrito por ele, publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo (07.jan.2014), merece ser conhecido, não apenas pelo título, mas pela realidade que descreve sobre a esquerda petista atualmente no poder, seus “sonhos” (pesadelos!) bolchevistas, suas crenças socialistas, seus métodos leninistas e estalinistas e pelas catástrofes às quais nos poderá conduzir esse “perigo vermelho”:

·     “Retiraram o corpo de João Goulart da sepultura para examiná-lo. Coisa deprimente, os legistas examinando ossos de 40 anos atrás para saber se foi envenenado. Mas, havia também algo de um ritual de ressurreição encenada. Jango voltava para a turma que está no poder e que se considera vítima de 1964 até hoje. Só pensam no passado que os “legitima” com nostalgia masoquista de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia, em vez de fazerem reformas no Estado paralítico e patrimonialista.

Querem continuar a “luta perdida” daqueles tempos ilusórios. Eu estava lá e vi o absurdo que foi aquela tentativa de “revolução” sem a mais escassa condição objetiva. Acuaram o trêmulo Jango, pois até para subversão precisavam do Governo. Agora, nossos governantes continuam com as mesmas ideias de 50 anos atrás. Ou mais longe. Desde a vitória bolchevique de 1921, os termos, as ilusões são as mesmas. Aplica-se a eles a frase de Talleyrand sobre a volta dos Bourbons ao poder: “Não aprenderam nada e não esqueceram nada”.

É espantosa a repetição dos erros já cometidos, sob a falácia do grande “teólogo” da História, Hegel, de que as derrotas não passam de “contradições negativas” que levam a novas teses. Esse pensamento justificou e justifica fracassos e massacres por um ideal racional. No PT e em aliados como o PC do B há um clima de janguismo ou mesmo de “brizolismo”, preferência clara da Dilma.

Brizola sempre foi uma das mais virulentas e tacanhas vozes contrárias ao processo de desestatização.

Mas, além dessas mímicas brasileiras do bolchevismo, os erros que querem repetir os comunistas já praticavam na época do leninismo e stalinismo: a mesma postura, o mesmo jargão de palavras, de atitudes, de crimes justificados por mentiras ideológicas e estratégias burras. Parafraseando Marx, um espectro ronda o Brasil: a mediocridade ideológica.

É um perigo grave que pode criar situações irreversíveis a médio prazo, levando o país a uma recessão barra pesada em 2014/15. É necessário alertar a população pensante para esse “perigo vermelho” anacrônico e fácil para cooptar jovens sem cultura política. Pode jogar o Brasil numa inextrincável catástrofe econômica sem volta.

Um belo exemplo disso foi a recusa do Partido Comunista Alemão a apoiar os socialdemocratas nas eleições contra os nazistas, pois desde1924 Stalin já dizia que os “socialdemocratas eram irmãos gêmeos do fascismo”. Para eles, o “PSDB” da Alemanha era mais perigoso que o nazismo. Hitler ganhou e o resto sabemos.

Nesta semana li o livro clássico de William Waack “Camaradas”, sobre o que veio antes e depois da intentona comunista de 1935 (livro atualíssimo que devia ser reeditado), e nele fica claro que há a persistência ideológica, linguística, dogmática e paranoica no pensamento bolchevista aqui no Brasil. A visão de mundo que se entrevê na terminologia deles continua igual no linguajar e nas ações sabotadoras dos aloprados ao mensalão — o fanatismo de uma certeza. Para chegar a esse fim ideal, tudo é permitido, como disse Trotsky: “a única virtude moral que temos de ter é a luta pelo comunismo”. Em 4 de junho de 1918, declarou publicamente: “Devemos dar um fim, de uma vez por todas, à fábula acerca do caráter sagrado da vida humana”. Deu no massacre de Kronstadt, em 21.

No Brasil, a palavra “esquerda” continua o ópio dos intelectuais. Pressupõe uma “substância” que ninguém mais sabe qual é, mas que “fortalece”, enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres. Temos de usar “progressistas e conservadores”.

Temos de parar de pensar do Geral para o Particular, de Universais para Singularidades. As grandes soluções impossíveis amarram as possíveis. Temos de encerrar reflexões dedutivas e apostar no indutivo. O discurso épico tem de ser substituído por um discurso realista, possível e até pessimista. O pensamento da velha “esquerda” tem de dar lugar a uma reflexão mais testada, mais sociológica, mais cotidiana. Weber em vez de Marx, Sérgio Buarque de Holanda em vez de Caio Prado, Tocqueville em vez de Gramsci.

Não tem cabimento ler Marx durante 40 anos e aplicá-lo como um emplastro salvador sobre nossa realidade patrimonialista e oligárquica.

De cara, temos de assumir o fracasso do socialismo real. Quem tem peito? Como abrir mão deste dogma de fé religiosa? A palavra “socialismo” nos amarra a um “fim” obrigatório, como se tivéssemos que pegar um ônibus até o final da linha, ignorando atalhos e caminhos novos.

A verdade tem de ser enfrentada: infelizmente ou não, inexiste no mundo atual alternativa ao capitalismo. Isso é o óbvio. Digo e repito: uma “nova esquerda” tem de acabar com a fé e a esperança — trabalhar no mundo do não sentido, procurar caminhos, sem saber para onde vai.

No Brasil, temos de esquecer categorias ideológicas clássicas e alistar Freud na análise das militâncias. Levar em conta a falibilidade do humano, a mediocridade que se escondia debaixo dos bigodudos “defensores do povo” que tomaram os 100 mil cargos no Estado.

Além de “aventureirismo”, “vacilações pequeno burguesas”, “obreirismo”, “sectarismo”, “democracia burguesa,” “fins justificando meios”, “luta de classes imutável” e outros caracteres leninistas temos de utilizar conceitos como narcisismo, voluntarismo, onipotência, paranoia, burrice, nas análises mentais dos “militantes imaginários”.

Baudrillard profetizou há 20 anos: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de des-funcionamento e da desestruturação brutal”, (vide o novo eixo do mal da A. Latina).


Sem programa e incompetentes, os neobolcheviques só sabem avacalhar as instituições democráticas, com alguns picaretas-sábios deitando “teoria” (Zizek e outros). Somos vítimas de um desequilíbrio psíquico. Muito mais que “de esquerda” ou “ex-heróis guerrilheiros” há muito psicopata e paranoico simplório. Esta crise não é só politica — é psiquiátrica.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Família Imperial participará de ação solidária no Orfanato Santa Rita de Cássia


Sob o Alto Patrocínio da Casa Imperial do Brasil e organização de Luiz Mantovani, dentre outros monarquistas, ocorrerá, no dia 26 de abril, das 10h às 12h, a tradicional ação de caridade no Orfanato Santa Rita de Cássia, no Rio de Janeiro,  com a participação da Universidade Cândido Mendes, além da divulgação da Gazzeta Dello Valqueire e do Blog Monarquia Já.

Fundado há mais de 80 anos, o lar, que fica na rua Florianópolis, nº 1305, Praça Seca, em Jacarepaguá, abriga 80 meninas, sob responsabilidade e carinho da Irmãs Franciscanas da Congregação de Nossa Senhora do Bom Conselho. O objetivo da ação do dia 26 de abril é compartilhar momentos de alegria e solidariedade, distribuindo chocolates, alimentos e material de higiene pessoal para as crianças. 

A ação deste ano homenageará a Princesa Dona Isabel, a Redentora.

PARTICIPE
Data: 26/04/2014
Horário: 10h
Local: Orfanato Santa Rita de Cássia, Rua Florianópolis, 1305, Praça Seca, Jacarepaguá

domingo, 20 de abril de 2014

Votos de Páscoa do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, aos brasileiros

DE MISSA SOLEMNI
VIGILIAE PASCHALIS

Irmãos, se já ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do céu, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa Vida, se manifestar, então aparecereis também com Ele na glória.
(Col. 3, 1-4)
Glorificai ao Senhor, porque Ele é bom; porque sua misericórdia perdura nos séculos.
(Psalmus 117, 1)
Louvai ao Senhor, nações todas; louvai-O, todos os povos.
Porque se confirmou sobre nós a sua miseicórdia, e a fidelidade do Senhor perdura para sempre.
(Psalmus 116, 1-2)


O Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, envia aos brasileiros, de modo particular aos amigos da Casa Imperial, seus melhores votos de Feliz Páscoa, com todas as graças de Nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado.

Páscoa de 2014.

S.A.I.R., o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dom Bertrand de Orleans e Bragança no Pará

Dom Bertrand de Orleans e Bragança, na noite de quinta-feira, 10 de abril, esteve na Associação Comercial do Pará onde realizou uma conferência sobre o livro Psicose Ambientalista. 

Auditório lotado para prestigiar o Príncipe Imperial e sua obra Psicose Ambientalista
Foto: José Carlos Sepúlveda da Fonseca

domingo, 6 de abril de 2014

Livro "Dom Pedro II na Alemanha - Uma amizade tradicional" de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança

Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança lançara seu novo livro Dom Pedro II na Alemanha - Uma amizade tradicional. A obra é uma compilação da extensa pesquisa realizada pelo ilustre descendente do segundo Imperador do Brasil, sobre a visita realizada pelo monarca a das Land der Dichter und Denke (terra dos poetas e dos pensadores).


Diz a sinopse do livro:

Dom Pedro II somava, as suas várias ocupações como Chefe de Estado, uma intensa pesquisa e estudo em diferentes áreas. Dedicado às artes, ciências e técnicas, apreciava a música de Richard Wagner, acompanhava as conquistas tecnológicas surgidas na Europa e lia toda sorte de livros, sobre os mais diversos assuntos.

Os estudos particulares do segundo imperador do Brasil não se restringiam, porem, a seu gabinete. Em diferentes ocasiões, ao longo de seu reinado, licenciou-se para realizar viagens de cunho privado ao EUA e à Europa, onde buscou travar conhecimento pessoal com artistas e cientistas, além de visitar museus, logradouros de importância histórica, entidades de ensino de vários níveis, fabricas modernas e instituições de saúde.

Essas viagens, embora redundassem em vantagens em país na medida em que o soberano se informava acerca de avanços técnicos e tecnológicos que poderiam ser implantados no Brasil, não eram pagas pelo Estado. Dom Pedro II fazia questão de financiá-las com recursos próprios, muitas vezes tomando empréstimos que saldava, depois, ao poucos, mediante débitos de sua dotação.

Caracterizando por uma agenda intensa, que implicava poucos dias de estada em cada localidade ao longo de um roteiro muitas vezes extenso, esses deslocamentos eram feitos por Dom Pedro II e por sua reduzida comitiva, tanto quanto possível na condição de anonimato, para evitar demoradas cerimônias protocolares de recepção e de despedida. Se nem sempre foi possível manter-se incógnito, Dom Pedro II invariavelmente surpreendeu autoridades de outros países, opondo, ao fausto manifestando nessas ocasiões segundo o uso vigente, a simplicidade de seus trajes de viagem e de seu trato social, aos quais sobrepunham um pedido, como fez na visita ao EUA: “Me chame Mister Alcântara, o Imperador ficou no Brasil.”     

Dom Pedro II na Alemanha recupera algumas particularidades até o momento inéditas da postura de Dom Pedro II como homem e como monarca, proporcionando uma visão mais abrangente de sua personalidade, cujas facetas, se bem compreendidas, podem auxiliar no entendimento de alguns fatos ocorridos no Brasil durante o período do Segundo Reinando.

E completa:

Dom Pedro II sempre desejou dar a seu país uma perspectiva e uma imagem de progresso, de cultura e de liberdade. Desde jovem almejava esse objetivo, para a concretização do qual se colocou em contato com cientistas, industriais, literatos e sábios do mundo civilizado de sua época.

Após trinta anos de bom governo, empreendeu à própria custa, para complementar seus conhecimentos, diversas viagens ao exterior.
Uma das nações que mais lhe interessou foi a Alemanha; não, certamente, pelo militarismo que ali vigorava àquele tempo, mas pela vasta gama de inovações técnicas desenvolvidas em diferentes áreas, como a agricultura, e pelas conquistas culturais em geral, que poderiam beneficiar nosso país.

A grande imigração germânica para o Brasil também foi por ele apoiada em virtude dos bons resultados desde cedo obtidos.

Em Dom Pedro II na Alemanha, o leitor encontrará Dom Pedro de Alcântara a impressionar sábios europeus com sua vasta erudição e simplicidade de modos.

Publicado pelo Senac  São Paulo, este livro narra fatos em grande parte inéditos sobre a trajetória de Dom Pedro II que, além de importantes como objeto de conhecimento, nos proporcionam, também, ensejo para recordar essa antiga e tradicional amizade entre os dois países, revivida em 2013, com a celebração do ano do Brasil na Alemanha.    

Dom Carlos é um dos mais destacados membros da Família Imperial do Brasil e se dedica desde a juventude à pesquisa da História do Brasil, tendo diversas obras lançadas, dentre as quais o premiado livro "A Princesa Flor Dona Maria Amélia, a filha mais linda de D. Pedro I do Brasil e IV do Nome de Portugal" e interessantes estudos como “O Ramo Brasileiro da Casa de Bragança”, entre outros, realizados para o Museu Histórico Nacional, Instituto Histórico e Geográfico do Brasil e outras entidades de renome.

Princesa Teresa da Baviera: etnóloga, zoóloga e botânica

Para conhecer um pouco mais da tia avó da inesquecível Princesa Dona Maria da Baviera, de jure Imperatriz Mãe do Brasil (falecida em 2011), a notável etnóloga, zoóloga e botânica, Princesa Teresa da Baviera, pioneira em diversos estudos ainda inéditos para os brasileiros, que será alvo da palestra de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, em 5 de maio, no Instituto Histórico de Petrópolis,  o Blog Monarquia Já transcreve artigo de A.A. Bispo, para o site da Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura:  

Nomes da história intercultural em contextos euro-brasileiros
Therese von Bayern (1850-1925) - Teresa da Baviera


Por A.A.Bispo

Therese, princesa da Baviera, foi uma das mais relevantes estudiosas da natureza e da etnografia do Brasil. Infelizmente até hoje pouco considerada nos estudos brasileiros, vem sendo cada vez mais reconhecida no seu significado para os estudos interculturais e científicos. Essa princesa, talvez a de maior erudição entre as aristocratas alemãs do século XIX, é considerada hoje por alguns estudiosos como sendo nada menos do que uma personalidade feminina à altura de um Alexandre de Humboldt.

Therese Charlotte Marianne Auguste nasceu em 1850 (batizada no dia 14 de novembro) e faleceu em 1925. Era neta do rei Luís I° da Baviera, única filha entre os quatro filhos de Luitpold, daquele que seria príncipe-regente da Baviera, e de Auguste Ferdinande, duquesa da Áustria, princesa da Toscana. O seu irmão foi o rei Luís III° da Baviera. Recebeu uma formação profundamente católica, sendo educada sobretudo pela sua mãe, e, posteriormente, pela mãe da rainha da Baviera. Desde cedo demonstrou grande facilidade para aprender línguas, paixão pela natureza, pela etnografia de países não-europeus e por esportes. Adquiriu instrução sobretudo auto-didaticamente, através de leituras. Chegou a dominar vários idiomas, tendo conhecimento de 12 línguas, entre elas o russo e o grego moderno.

De personalidade altiva, movida por um entusiasmo íntimo pelo conhecimento, pela revelação de mundos novos, a sua vida foi dedicada desde cedo a viagens e a estudos. Percorreu toda a Europa, da Escandinávia ao Mediterrâneo, das ilhas britânicas aos territóricos balcânicos e ao Oriente Próximo. Tinha 25 anos quando viajou pela primeira vez ao Norte da Africa, à Tunísia e Algéria, através da Itália e da ilha de Malta. No retorno, pela Espanha, Portugal e França, teve contacto com o mundo ibérico e latino-ocidental. Dessa viagem originou-se o seu primeiro relato de viagens, publicado em 1880.

A América do Sul constituiu desde cedo o principal centro de interesses da princesa. Seguia, aqui, a tradição que, desde Spix e Martius, unia científico-culturalmente a Baviera ao continente americano. Realizou três expedições à América do Sul, realizando observações em 23 diferentes grupos indígenas até então pouco ou não conhecidos dos cientistas europeus. Percorreu os pampas argentinos, atravessou os Andes e o deserto de Atacama. Visitou regiões de difícil acesso no Amazonas e no Leste do Brasil.

Os materiais que trazia das viagens expunha num museu particular. Após a sua morte, a coleção passou a fazer parte da Coleção Estatal Científico-Natural da Baviera.


Em 1897, recebeu o título de Doctor philosophiae honoris causa, a primeira mulher a receber tal honorificência. Foi nomeada a membro de honra da Academia Real de Ciências da Baviera (1892), da Sociedade Geográfica de Munique (1892), a membro correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1897), a membro de honra da Sociedade Geográfica de Viena (1898), da Sociedade Antropológica de Viena (1900/01) e da Sociedade dos Americanistas de Paris (1908/09), assim como da Liga dos Pesquisadores Alemães (1910), da Sociedade Alemã de Antropologia, Etnologia e Pré-História em Berlim (1913) e da Sociedade Antropológica de Munique (1920). Foi condecorada com a medalha de honra de ciência e arte austro-húngara e recebeu o título de oficial da instrução pública do Ministério francês da Instrução (1909).

Apesar de todo o interesse científico, manteve o seu empenho pelas organizações católicas de cunho educativo e social. Escreveu textos para uma publicação infanto-juvenil (Jugendblätter für christliche Unterhaltung und Belehrung), apoiou diversas instituições religiosas, em particular a associação da Liga das Senhoras Católicas da Baviera, realizando conferências sobre a natureza e os idiomas da América do Sul.

Durante a Primeira Guerra Mundial, passando a residir na Villa Amsse perto de Lindau, transformou a sua casa no Lago de Constança em lazareto.

Por ocasião dos 100 anos do seu doutoramento de honra, em 1997, erigiu-se a Fundação Therese von Bayern para o fomento de mulheres nas ciências. Nesse ano, outorgou-se pela primeira vez o "Prêmio Therese von Bayern".

Obras (Seleção): Excursão a Tunis, Munique (Ausflug nach Tunis, München, in: Jugendblätter für christliche Unterhaltung und Belehrung, 26 1880, 545-571), Impressões de viagem e esboços da Rússia (Reiseeindrücke und Skizzen aus Rußland, Stuttgart 1885); Sobre o círculo polar (Über den Polarkreis, Leipzig 1889); Sobre lagos mexicanos (Über mexikanische Seen, Wien 1895); Minha Viagem aos Trópicos Brasileiros (Meine Reise in den Brasilianischen Tropen, Berlin 1897); Sobre o objetivo e gastos de minha viagem realizada em 1898 à América do Sul (Über Zweck und Ausgaben meiner 1898 nach Südamerika unternommenen Reise, München 1898/1899); Sobre a minha foca de água doce na Colombia (Über meine Südwasserrobbe in Columbien, München 1900); Escritos sobre uma viagem à América do Sul (Schriften über eine Reise nach Südamerika, München 1900); Numa viagem às ilhas ocidentais e à América do Sul (Auf einer Reise in Westindien und Südamerika; Jena 1902); Algo sobre os índios Pueblo (Einiges über die Pueblo-Indianer, in: Völkerschau, 2 1902, 4-6, 38-42); Algumas palavras sobre a evolução cultural no Perú pré-hispânico (Einige Worte über die Kulturentwicklung im vorspanischen Peru, in: Münchner Jahrbuch der Bildenden Kunst, 1. Halbjahrsband 1907, 1-7); Estudos de viagem da América do Sul ocidental (Reisestudien aus dem westlichen Südamerika, 2 Bände, Berlin 1908). A expedição de caça do príncipe Arnulf von Bayer no Tian-Shan ( Des Prinzen Arnulf von Bayern Jagdexpedition in den Tian-Schan, München/Berlin 1910). 

 [Excertos de trabalhos]

Therese von BayernTherese von Bayern (1850-1925)

Subsídios para a história das relações científico-culturais entre a Baviera e o Brasil

Partes de conferência proferida no âmbito da exposição "Pedro II e as Ciências" na Academia Brasil-Europa, Colonia, 1997, por A.A.Bispo


(Tradução do alemão)

(...)

O caráter científico da obra

O objetivo da viagem da Princesa Theresa da Baviera (1850-1925) ao Brasil foi o de conhecer os trópicos, visitar o maior número possível de tribos indígenas e realizar coleções de plantas, animais e objetos etnográficos.

Após o retorno da autora à Europa, os materiais coletados foram comparados com objetos conservados em acervos de museus europeus e dos Estados Unidos. A autora realizou também observações de culturas indígenas de 17 grupos da América do Norte.

Os resultados das investigações, versados em forma de diário de viagem, foram publicados em 1897, e oferecidos à memória do ex-imperador do Brasil, Pedro II°.

Como a própria autora admite, a escolha dessa forma de apresentação foi infeliz, pois uma organização sistemática dos assuntos teria sido mais adequada ao caráter científico e de alta erudição da obra. Chegou a anotar 500 nomes de grupos indígenas.

Na sistematização e análise dos materiais coletados, a autora recebeu o apoio de instituições e estudiosos de vários países. A sua lista de agradecimentos é uma impressionante prova de colaboração científica entre os estudiosos que se dedicavam a assuntos brasileiros na Europa. Do Brasil, cita Orville A. Derby, de São Paulo, e Goeldi, do Pará. Os museus que mais colaboraram foram o de Munique, sobretudo através dos especialistas dos departamentos de zoologia, paleontologia, mineralogia e pré-história, o de Viena, principalmente através dos especialistas da seção de história natural, de Berlim, respectivamente do museu de história natural e do museu de botânica, e, por fim, do Museu Britânico. Entre os especialistas consultados, salientam-se botânicos, tais como Weiss, de Freysing e Dingler de Aschaffenburg, Schenk, de Darmstadt, Köhne, de Berlim, Mez, de Breslau, Cogniaux, de Verviers, Stapf, em Kiew e Petersen, em Kopenhagen. Entre os zoólogos, recebeu apoio de Otting, de Munique, de Berlepsch, de Münden, de Forel, de Zurique, e do Barão de Sélys-Longchamps, de Liège.

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Estudos no Museu Nacional: instrumentos musicais

No Museu Nacional, a princesa observou com especial cuidado, entre outros materiais, várias lanças sonoras de diferentes tribos do Amazonas, com as quais os tuchauas marcam o compasso das danças. Adquiriu no Rio de Janeiro um exemplar dos bastões de ritmo de madeira dura, com um depósito oco numa parte, feita através de aquecimento da madeira, no qual se colocam seixos. Uma ilustração desse instrumento oferece na Tafel II N° 9 do seu livro.

Observações de expressões culturais africanas na Amazônia

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Para os estudos culturais, surgem como significativas as observações feitas na Amazônia pela autora, apesar de certa singeleza do estilo descritivo utilizado na publicação. Assim, no Pará, Th. von Bayern menciona que ouviu música de africanos num terreiro. Dançaram mulheres, homens e crianças com canto que lhe soou monótono, repetindo sempre as mesmas palavras. Empregaram-se tambores, feitos de um só tronco comprido, oco, com couro lateral, sobre o qual os músicos se sentavam e percutiam. A dança pareceu-lhe "selvagem". Os participantes levantavam os braços para o alto, as vezes tocavam-se, pulavam e quase sentavam-se no chão ou jogavam-se à terra, para logo a seguir pularem para o alto. O que observou pareceu-lhe insólito.

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Interesse pela ação missionária junto aos indígenas

No Amazonas, a princesa entrou em contacto com um missionário que atuava junto ao povo Mundurucú e com o vigário geral de Manaus, onde vivia uma índia procedente da cultura Miranha. Constatou o amor pela música nesse ambiente, sendo recebida com música de piano e solicitada também a tocar.

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Visita a aldeias no Rio Negro

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Visitou a aldeia Juaupery ou Crichaná, num braço esquerdo do Rio Negro. A aldeia muito sofrera em 30 anos de guerra com os povoadores brancos do Rio Negro. Somente em 1884 é que se estabelecera paz. A autora menciona o uso de flautas feitas de braços ou de fêmur de inimigos.

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Observações de grupos indígenas do Leste do Brasil: Botocudos

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Das suas viagens por outras regiões do Brasil, cumpre mencionar as observações que fez no Espírito Santo. Nessa região, constatou uma alta porcentagem de índios civilizados, em número apenas superado pelas províncias do Amazonas e do Mato Grosso. Distinguiu três grupos indígenas: Goyatacá, Gê e Tupi. Teve informação, também, da existência de muitos indígenas ainda não contactados, vivendo nas florestas daquela província.

O mais importante dos grupos estudados foi o dos Botocudos (Aymoré,, nome próprio Buru). Quis conhecer a "horda" que vivia no Rio Doce, no limite do Espírito Santo e Minas Gerais, do grupo do Nak-nanuk.  

Visitou o aldeamento Mutum, um povoado fundado pelo Govêrno com o objetivo de trazer os índios para a civilização. Indivíduos de grupos ainda não integrados eram atraídos e reunidos em pequenas aldeias. Essas localidades estavam sob a direção de um diretor, contando também com um missionário, com um tradutor, com alguns artesãos e soldados. Na prática, porém, devido à falta de sacerdotes, não havia missionário, ficando a missão abandonada. Os índios recebiam ensinamento através dos poucos soldados ali estacionados. Os diretores, no isolamento das matas, faziam o que desejavam. Assim, não se cumpria o objetivo dos aldeamentos. Esses aldeamentos, dirigidos por leigos, seriam apenas um triste reflexo das missões jesuitas do passado. 

Descrição de danças dos Botocudos

Do ponto de vista etnomusicológico, cumpre salientar o relato que a autora oferece de danças realizadas em sua homenagem.

Os índios dos aldeamentos prepararam, por exemplo, um dança noturna à frente da sua cabana. De início, dançaram apenas as mulheres, cada uma delas pondo o braço nos ombros da vizinha da direita e da esquerda, de modo a formar uma corrente ou um anel. Com os braços entrelaçados, dançaram em corrente, levemente tendentes à direita, vagarosamente, elevando-se nos dedos dos pés e movimentando-se para a esquerda. O canto era ritmado, consistente em poucos sons, e anasalado. O texto resumia-se às palavras "kalani aha" e descrevia os acontecimentos do dia. No caso, que tinham vindo dançar, que iam receber café, etc.

Posteriormente, os homens entraram na dança, colocando-se de tal forma em círculo que ficavam um ao lado do outro. Os seus movimentos eram diferentes dos das mulheres, colocando a perna direita para trás e a esquerda para frente. A cada movimento da cintura direita davam uma leve pressão para a frente do joelho esquerdo. As plantas dos pés, nunca totalmente elevadas do chão, eram levantadas até a metade, permitindo assim um arrastar para a frente, sempre em direção à esquerda. Às vezes cantava um dos dançarinos, às vezes outro, às vezes com voz baixa ou alta. Um deles latia como um cão e grunhia como um porco, o que parecia ser lembranças de caça. Também crianças tomaram parte nessa dança.

Singularmente, esse espetáculo lembrou à autora exercícios religiosos dos Derwische, diferenciando-se, porém, pelo fato de os índios manterem estável a parte superior do corpo e por não haver tremores.

A autora qualifica como inesquecível a dança de Botocudos ao redor do fogo à noite, com ruídos e cantos monótonos. Para ela, aqueles indígenas, que viviam em grupos que eram inimigos entre si, situavam-se num estágio muito baixo, talvez o mais baixo da evolução, vivendo ainda na Idade da Pedra. Intelectual e moralmente pertenceriam aos grupos humanos dos mais inferiores. De caráter, seriam preguiçosos, ladrões, ávidos de comida e coléricos, sendo porém de boa índole, quando bem tratados. A religião seria muito simples e não apresentava nenhuma forma de culto; nem mesmo possuíam pagés; seria duvidoso que acreditassem num ser superior, constatou apenas a crença em maus espíritos. Entre os poucos objetos que possuiam, deu especial atenção aos instrumentos sonoros: tubos de fala de rabo de tatu e flautas de bambu que assopravam pelo nariz.

(...)

Riqueza das coleções e do material examinado

A obra Nos trópicos brasileiros da Princesa da Baviera impressiona pela quantidade do material coletado e pelo cuidado de sua análise e caracterização. As imagens etnográficas são pormenorizadamente descritas. Registros de nomes e de matérias facilitam a consulta. A bibliografia é extraordinariamente extensa. A publicação é ilustrada em grande parte com fotografias que a própria autora tirou, o que empresta um valor documental inestimável à obra. Trata-se de uma publicacão modelar, não apenas para a época em que foi realizada.

A princesa da Baviera merece a gratidão dos estudiosos brasileiros pelo trabalho desinteressado que realizou.

(...)


Antonio Alexandre Bispo

Dom Carlos e Dona Walburga Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança no Brasil

Um dos mais ilustres descendentes dos Imperadores do Brasil, acompanhado de sua esposa, nascida Arquiduesa da Áustria, vem ao Brasil no mês de maio. Trata-se de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança e de sua esposa, a Senhora Dona Walburga, que visitarão Estados brasileiros para realização de palestras em entidades culturais e para o lançamento do livro Dom Pedro II na Alemanha.

Em 5 de maio, no Instituto Histórico de Petrópolis, Dom Carlos fará palestra intitulada “Uma Princesa entre a Corte e o Mato”, sobre a incrível saga da Princesa Teresa da Baviera (1850 - 1925), brilhante etnóloga e botânica, que empreendeu viagens pelo mundo todo, destacando-se a que fez ao interior, à época ainda inóspito, do Brasil. No dia 7, no Instituto histórico e Geográfico do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, e dia 15, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, na cidade de São Paulo, Dom Carlos lança seu mais recente livro Dom Pedro II na Alemanha.
      
Sobre Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança

Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança nasceu em Gmunden, Alta Áustria, em 16 de julho de 1931, é o atual Chefe do Ramo Dinástico de Saxe-Coburgo e Bragança, um dos Ramos da Família Imperial Brasileira. Dom Carlos foi vítima do exílio imposto pelos republicanos golpistas e pela situação política da Europa de então, nascendo na Europa, mas sendo registrado na Embaixada Brasileira, vindo a confirmar o ato aos 18 anos, na maioridade, tal como ocorreu a outros Príncipes da Casa Imperial do Brasil, incluindo-se aí o Imperador de jure do Brasil, Dom Luiz e o Príncipe Imperial, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, nascidos em Mandelieu, na França.

Dom Carlos Tasso é o filho mais velho da Princesa Dona Teresa Cristina de Saxe-Coburgo e Bragança (1902-1990), a terceira filha do Príncipe Dom Augusto Leopoldo, e do Barão Lamoral Taxis de Bordogna e Valnigra (1900-1966). Têm duas irmãs, Dona Alice, Condessa Formentini (falecida em 2013) e Dona Maria Cristina, além de Dom Filipe (que serviu como tenente na marinha brasileira), seu irmão mais novo.

Dom Carlos descende da segunda filha do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina, a Princesa Dona Leopoldina, casada em 1864 com o Príncipe Luiz Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha, Duque de Saxe e Almirante da Marinha Imperial do Brasil. Deste matrimônio nasceram quatro filhos, dentre eles o Príncipe Dom Augusto Leopoldo, nascido em Petrópolis, criado como Príncipe brasileiro – recebendo, inclusive, a distinção de Dom e o tratamento de Alteza por parte do Imperador Dom Pedro II, seu avô. Dom Augusto Leopoldo foi exilado com toda a Família Imperial em 1889, e desposou em 1894, Dona Carolina Maria, nascida Arquiduquesa da Áustria-Toscana, com quem teve 8 filhos, dentre os quais a Princesa Dona Teresa Cristina que foi a única filha deste casal a conservar a nacionalidade brasileira e, consequentemente, direitos dinásticos ao Trono do Brasil.

A Casa de Tasso, da qual também descende, pertence à antiga nobreza (tendo títulos que antecedem a descoberta do Brasil) e era responsável pelos correios do Sacro Império Romano-Germânico, tendo dela pertencido o poeta Torquato Tasso. O pai de Dom Carlos, o Barão Lamoral Taxis de Bordogna e Valnigra, pertencente ao Ramo italiano da Casa Principesca de Tasso (Thurn und Taxis), faleceu em 1966. Pelo falecimento de seu pai, Dom Carlos deveria herdar seus títulos, porem seu senso de dever histórico e seu amor às tradições e a terra do Brasil, fizeram com que, aos 18 anos, confirmasse a decisão materna de tê-lo registrado na Embaixada do Brasil na Áustria, reconfirmando sua nacionalidade brasileira. Portanto, em 1949, tendo reconfirmado a sua nacionalidade brasileira, Dom Carlos automaticamente perdeu seus direitos a utilização dos títulos de seu pai, muito especificamente o de Barão de Taxis de Bordogna e Valnigra, assumindo então a posição de herdeiro presuntivo de sua mãe, passando efetivamente a Chefia deste Ramo dinástico com o falecimento da Princesa Dona Teresa Cristina, o que ocorreu efetivamente em 1992.

Após a fundação do Museu Imperial de Petrópolis, Alcindo de Azevedo Sodré explica ao Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança e a Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança detalhes da instalação. Em evidência, a Coroa Imperial


Dom Carlos realizou seus estudos na Áustria, Itália e no Brasil, no tradicional colégio Santo Inácio e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, ambas as instituições localizadas na cidade do Rio. Sua dedicação ao estudo da História do Brasil começou quando ainda era jovem e são marcantes suas demonstrações de afeto e carinho por sua Pátria.  Foi presidente de várias companhias industriais e um dos Diretores do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo, foi também presidente do Rotary International italiano entre 1992 e 1993.

Em 17 de janeiro de 1969, Dom Carlos desposou a Arquiduquesa Walburga da Áustria-Toscana, Arquiduquesa da Áustria e Princesa da Toscana, filha do Arquiduque Jorge de Áustria-Toscana e da Condessa Maria Valéria de Waldburg-Zeil-Hohenems, e bisneta do Grão-Duque Fernando IV da Toscana. Dona Walburga é trineta do Imperador Francisco José I da Áustria e também da Imperatriz Elisabth, a famosa Imperatriz Sissi. Pelo nascimento, ela possui estreitas ligações com a Família Imperial do Brasil. Seu pai, o Arquiduque Jorge era padrinho de batismo do Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança. Dona Walburga é neta paterna da Princesa Maria Cristina de Bourbon das Duas-Sicílias, irmã da Princesa Maria Pia, esposa do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, sendo, desta forma sobrinha neta desta Princesa, o que ocasiona um parentesco próximo com todos os filhos e netos de Dom Luiz, o Príncipe Perfeito, estando aí incluído o atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança.

Em 2012, Dona Walburga e Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança são recebidos, festejados e homenageados em Treze Tílias, Santa Catarina


Dom Carlos e Dona Walburga tiveram oito filhos, que conservam também a nacionalidade brasileira, e 10 netos, são eles:

- Dom Afonso Carlos (1970) casado (2000) com Dona Charlotte, nascida de Panafieu, da nobreza francesa, com membros destacados na sociedade, na cultura e na política europeia, filha de Guy de Panafieu, importante executivo e financista, foi diretor da Lyonnaise des Eaux, departamento de águas e saneamentos francês, ex-presidente do grupo público Bull, e de Françoise Marie Thérèse de Panafieu, nascida Missoffe, deputada no Parlamento francês desde 2002, membro do UMP, antiga ministra do Turismo (1995), prefeita do 17ème arrondissement de Paris, de 2001 a 2008. Ela, por sua vez, é filha de François e Hélène Missoffe, antigos ministros (do general de Gaulle de Valery Giscard d´Estaing). A Senhora Hélène é nascida Mitry, da casa dos Condes de Mitry (familia cavalheresca, descendente de Charles Joseph, Conde de Mitry, camarista do Duque de Lorena), filha do Conde Emmanuel de Mitry, oficial da Legião de Honra, cruz de guerra 1914-1918, e de Marguerite de Wendel, de grande família da burguesia francesa. Dona Charlotte Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança tem um irmão, o Senhor Marc de Panafieu, que casou com a Princesa Alexandra Cantacuzene, descendente do Imperador bizantino João VI Cantacuzeno e de Famílias nobres da Moldávia, Valáquia, Grécia e Romênia. O casal tem dois filhos: Dona Pia (2004) e Dom Taddeu Augutso (2011).

- Dona Teresa Cristina (1971) casada (2000) com o Senhor Christian Paul Hunt, conhecido empresário e investidor no Brasil, membro da importante família belga Hunt, com ligações com a Família Real daquele país. O casal tem quatro filhas: Dona Maria Helena (2003), Dona Gabriela Cristina (2005),  Dona Eleonora e Dona Catarina. Moram no Brasil.

- Dom José, nascido em 1972.

- Dona Maria Leopoldina (1974), casada (2004) com o Senhor Alessandro Pavone, da aristocracia italiana. O casal tem duas filhas: Eugenia Carolina (2005) e Sofia Leopoldina (2008).

- Dona Carolina (1976) casada (2006) com o Senhor Sébastian Dalcourt.

- Dom Antonio (1979) casado (2004) com Dona Gabrielle, nascida Condessa de Tardieu de Maleissye-Melun, da Família de Condes de mesmo nome (titulada desde a metade do século XVI). É filha de Marie Françoise, nascida de Gouvello de Keriaval, e de Jean Tardieu, Conde e Condessa de Maleissye-Melun. Pelo pai, Dona Gabrielle, desecende dos Marqueses de Mailly- Nesle, que originou a titulação atual dos Príncipes de Orange e dos Príncipes de l'Isle-sous-Montréal. Destaca-se que, através de sua tia avó, Marie Maleissye-Melun era casada com Remi Fromentin St. Charles, primo do pai de Dona Camila, Duquesa de Castro e esposa do Príncipe Dom Carlos de Bourbon Duas-Sicílias, Duque de Castro. Por sua mãe descendente da nobreza da França e da Bélgica, sendo neta de Renaud, Marquês de Gouvello de Keriaval, e de Beatriz, Princesa de Merode. A bisavó de Dona Gabrielle é a nobre Octavia Grouchy, da Família dos Condes de mesmo nome – sobrinha dos Marqueses d' Ormesson, casada com o Marquês Amédée de Gouvello de Keriaval. Ainda por sua mãe, tem parentesco com os Duques d'Estissac, com os Marqueses de Rouge e com a família de La Rochefoucauld. Dom Antonio e Dona Gabrielle têm dois filhos: Dom Armando (2006) e Dom Pedro (2008).

- Dom Fernando Carlos (1980), falecido na infância.

- Dona Maria Aparecida, nascida em 1985.

Como grande estudioso, pesquisador e escritor reconhecido internacionalmente, publicou vários trabalhos, entre livros e ensaios e até hoje realiza pesquisas históricas e econômicas relativas ao Brasil, dos quais se destacam:

Livros

“Vultos do Brasil Imperial na Ordem Ernestina da Saxônia”
 Anais do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, vol. XII, 1961 

“O Ramo Brasileiro da Casa de Bragança”
Anais do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, vol. XVIII, 1968 

“O Imperador e a Atriz” – Dom Pedro II e Adelaide Ristori
Editora Universidade de Caxias do Sul, 2007 

“A Princesa Flor” – Dona Maria Amélia, a filha mais linda de D. Pedro I do Brasil e IV do Nome de Portugal Edição Direção Regional Assuntos Culturais, Funchal, Madeira, 2009 - Prêmio “8º Conde dos Arcos“ da Academia Portuguesa da História, no ano de 2010 

“Dom Pedro II em Viena 1871-1877”
Editora Insular, I.H.G.S.C., Florianópolis, 2010

 “Dona Maria Amélia de Bragança”
Academia Portuguesa da História Ed. e Conteudos S.A., Aveleda, Portugal, 2011

 “A Intriga” – Retrospecto de Intricados Acontecimentos Históricos e suas Consequências no Brasil Imperial Editora Senac, São Paulo, 2011

Ensaios
 
“Precioso Achado”
A aliança nupcial de Dom Pedro I na Suécia
“O Jornal”, Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1953
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 224, p. 316, ano 1954 

“Pio XII e a Redentora”
“O Jornal”, Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1953
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 225, p. 267, ano 1955 

“Poesias de Além Mar”
 Uma desconhecida glória do Brasil.
“O Jornal”, Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 1954
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 226, p. 267, ano 1955 

“Joaquim Caetano da Silva” Contactos com D. Pedro II
 “O Jornal”, Rio de Janeiro, 6 de abril de 1958
“Diario de São Paulo”, 20 de abril de 1958
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 240, p. 84, ano 1958
“Rev. I.H.G.e A.”, do Ceará – LXXIII 1959 

“Os Taunay e a Família Imperial do Brasil”
Palavras pronunciadas no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, no dia 22 de maio de 1958, na sessão solene em memória do Dr. Afonso de E. Taunay.
“Correio Paulistano”, 3 de junho de 1958
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 241, p. 191, ano 1958 

“Cartas do Príncipe D. Pedro Augusto”
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 238, p. 442, ano 1958 

“A Princesa Dona Leopoldina”
“O Jornal”, Rio de Janeiro, 23 de maio de 1954
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 243, p. 72, ano 1959

“A formação artística da Imperatriz Dona Leopoldina"
“Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”, vol. XV, 1961 

“O Barão de Japurá” Suas missões no exterior e a Convenção Matrimonial da Princesa Dona Leopoldina “Rev. I.H.G.B.”, vol. 255, 1962

“As visítas de Dom Pedro II a Coburgo”
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 272, 1966

“Dom Pedro II Peregrino na Terra Santa”
“Digesto Econômico”, São Paulo, n.º 190, Julho/Agosto 1966
“Vozes”, Petrópolis, 8 de agosto de 1966
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 271, 1966

 “Dom Pedro Augusto e Orville Derby”
“Rev. I.H.G.B.”, vol.277, 1967 

“São Pedro, uma Igreja do Brasil no Egito”
Anais do Museu Histórico Nacional, vol. XXI
 “Revista de História” n.º 66, vol. XXXII, São Paulo, 1966 

“Documentos Imperiais”
Todas as certidões de nascimento, casamento e falecimento da Família Imperial desde Dom João VI, entregues ao Arquivo do I.H.G.B. para serem ali conservadas.

“A Imperatriz Dona Leopoldina”
Sua correspondência com Maria Luisa de Parma
Rev. do Livro n.º 26, Setembro de 1964, Rio de Janeiro
“Rev. I.H.G.de São Paulo”, Edição Comemorativa da Independência, 1972 

“Nascita e Sviluppo delle Poste Tassiane”
“Realtà Nuova” Istituto Culturale Studi Rotariani, 1/2 – 1984 Milano 

“L’Arcipelago di Madeira”
Bollettino Rotary Udine Nord, Italia, -5 – 1997

“Príncipe Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança”
Leilão em Viena “Rev. I.H.G.B.”, vol. 422 , 2004 

“As Confidências do Visconde de Itaúna a Dom Pedro II”
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 424 – 2004 – vol. 429 – 2005. – vol. 430 – 2006 

“Dom Pedro I à procura de uma noiva”
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 435 - 2007
“Rev. I.H.G.R.S.”, vol. 141 - 2006/7 

“Dom Pedro Augusto e seus contatos com a avó, Clementina Duquesa de Saxe”
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 440 - 2008 

“Palácio Leopoldina”
“Rev. I.H.G.B.”, vol. 438 - 2008 

“A Imperatriz Dona Leopoldina”
- Sua presença nos Jornais de Viena entre 1797 e 1826 e a sua renúncia à Coroa Imperial da Áustria.  Anais do Museu Histórico Nacional, n.º 40 – 2008 

“O Duque de Santa Cruz”
Contribuição à sua biografia texto integral no site do Instituto Histórico de Petrópolis, www.ihp.org.br , palestra a 27/10/2008 ao ser empossado como associado correspondente. 

“Augusto de Leuchtenberg” Duque de Santa Cruz e Príncipe Consorte Conferência pronunciada na Academia Portuguesa da História em Lisboa, 2009 

“Uma Visitante Ilustre na Madeira. Sisi a Imperatriz da Áustria” (1860/61 – 1893/94) ISLENIA, Ed. DRAC, Funchal, Madeira, 2011


Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança é membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, bem como de quase todos os institutos históricos nacionais. Membro da Real Academia Espanhola de História e da Academia Portuguesa de História. É Balio-Grão Cruz de Honra e Devoção da Ordem de Malta, tendo sido presidente da Associação para São Paulo. 

Atualmente Dom Carlos, acompanhado de Dona Walburga, divide seu tempo entre o Brasil, Portugal e Áustria, onde possuem filhos, netos, muitos amigos e admiradores. 

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