quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal e Ano Novo: a mensagem do Chefe da Casa Imperial do Brasil

Assista o vídeo com a mensagem de Natal de Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil:


Transcrição: 
"Aos nossos muito caros Brasileiros, 
Nosso querido Brasil, neste ano, passou por inúmeras adversidades, desde crises econômicas violentas e injustificáveis, escândalos de corrupção da maior gravidade, e até no plano natural, desastres como a barragem em Mariana. 
Devemos reconhecer que a maior parte dessas crises reflete a grave crise moral que permeia nossas instituições e nossa sociedade. 
Quando os anjos do céu entoarem mais uma vez seu cântico pedido a Glória de Deus, no mais alto dos céus, e a Paz na Terra aos homens de boa vontade, aos pés do Menino rogo à Maria Santíssima Aparecida que tenha pena do Brasil, que nos ilumine em 2016 para seguirmos o caminho certo e justo. 
Que a esperança, a suavidade e a fortaleza, que caracterizam a Sagrada Família em todos os momentos, encontrem lugar em cada coração. 
São meus sinceros votos de um Santo Natal e um Próspero Ano Novo para todos os Brasileiros! 
Luiz de Orleans e Bragança"

O Blog Monarquia Já deseja aos seus leitores, amigos e colaboradores um Santo e Abençoado Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e um ano novo de muita fé, saúde e paz.

Em 2016, continue conosco! 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Homenagens aos 190 anos de nascimento de Dom Pedro II

Dom Pedro II, Imperador do Brasil


No dia 5 de dezembro de 2015, marcando a abertura do Ano da Misericórdia e em Ação de Graças pelos 190 anos de nascimento do Imperador Dom Pedro II, o Bispo da Diocese de Petrópolis, S.Exª.Revma. Dom Gregório Paixão, OSB, celebrou Santa Missa solene na Catedral de São Pedro de Alcântara.

Diante do templo lotado, com as presenças de Dom Manuel e Dona Maria Cristina de Orleans e Bragança, primos do Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz, bem como do diretor do Museu Imperial, Mauricio Vicente Ferreira Junior, e de membros dos Círculos Monárquicos de Juiz de Fora, Minas Gerias e Rio de Janeiro, Dom Gregório relembrou, em sua homilia, a importância dos jubileus comemorados pela Igreja, bem como dos sacramentos ministrados neste período, bem como as condições especificas para que as indulgências plenárias sejam alcançadas. O Bispo registrou também o exemplo de homem, pai, cristão e governante que foi o Imperador Dom Pedro II. Segundo ele, “é importante destacar que Dom Pedro II sempre se alimentou da hóstia consagrada, presença viva de Cristo e quando recebeu a carta, lhe avisando da proclamação da república, o Imperador estava saindo da missa na antiga Igreja Matriz”.

Depois da celebração, os fieis puderam acompanhar um ato em homenagem aos 190 anos de nascimento de Dom Pedro II, que ocorreu junto ao Mausoléu da Família Imperial. O Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, Dr. Luiz Carlos Gomes, fez um discurso que enalteceu a vida e obra do Maior dos Brasileiros. O Príncipe Dom Manuel também discursou, desejando “que o Espírito Patriótico do Imperador Dom Pedro II seja guia do Homem Público Brasileiro. Mas que, sobretudo, o Amor ao Brasil, característica fundamental da vida de Dom Pedro II, seja a meta de todo cidadão Brasileiro”.


O Círculo Monárquico de Juiz de Fora, durante o ato, fez a entrega do “Testamento politico de Dom Pedro II”, publicado no Blog Monarquia Já, e seus membros depositaram flores diante dos esquifes do Imperador e da Imperatriz Dona Teresa Cristina.

Procissão de entrada acompanhada pela população e por  Dom Manuel e Dona Maria Cristina de Orleans e Bragança, primos do Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz, bem como do diretor do Museu Imperial, Mauricio Vicente Ferreira Junior
Imagem: Diocese de Petrópolis

Dom Gregório Paixão, Bispo de Petrópolis abre a Porta Santa da Catedral de São Pedro de Alcântara
Image; Diocese de Petrópolis 


Procissão de entrada
Imagem: Diocese de Petrópolis

A banda do 32º Batalhão de Infantaria Leve Dom Pedro II executa o Hino Nacional como honras ao maior estadista do Brasil. A comissão de frente traz um quadro inédito do Imperador com a farda de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas brasileiras
Imagem: Diocese de Petrópolis

A Catedral lotada. Ocupam os primeiros bancos o diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Junior e os Príncipes Dom Manuel e Dona Maria Cristina
Imagem: Diocese de Petrópolis

Imagens exclusivas do Blog Monarquia Já: 

A comitiva do Círculo Monárquico de Juiz de Fora, Dr. Tadeu Mourão Zanini, o escritor Wanderley Luiz de Oliveira, Profª Maria Helena de Oliveira, o soldado do Batalhão Dom Pedro II guardando o quadro do Imperador Magnânimo, de propriedade do Batalhão Dom Pedro II, o vice - chanceler do Círculo Monárquico de Juiz de Fora, Jean Menezes do Carmo e Rômulo Marcos dos Santos

No Mausoléu Imperial discurso do Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, Dr. Luiz Carlos Gomes, sendo ouvido atentamente por Dom Gregório Paixão, OSB, Bispo Diocesano de Petrópolis, e pelos Príncipes Dona Cristina de Orleans e Bragança e Dom Manoel de Orleans e Bragança

Representando o Círculo Monárquico de Belo Horizonte e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, o Dr. Wolmar Olympio Nogueira Borges, decano dos Monarquistas Mineiros, a Profa. Cenilde Loch Vieira da Cunha, viúva do eminente Monarquista e Genealogista Dr. Ruy Vieira da Cunha, e a Princesa Dona Cristina de Orleans e Bragança

O Vice Chanceler do Círculo Monárquico de Juiz de Fora, Jean Menezes do Carmo, Profª Maria Helena de Oliveira, Wanderley Luiz de Oliveira, Princesa Dona Cristina de Orleans e Bragança e o irmão, o Príncipe Dom Manoel de Orleans e Bragança

A excelente Banda do Batalhão Dom Pedro II,que emocionou a todos os presentes,com o Hino Nacional Brasileiro executado diante do Túmulo do Maior dos Brasileiros, Sua Majestade o Senhor Dom Pedro II, Defensor Perpétuo do Brasil

As flores depositadas pelo Círculo Monárquico de Juiz de Fora, no túmulo do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina



No Rio de Janeiro, antiga capital do Império, o Círculo Monárquico realizou sessão homenageando o Imperador. O vídeo com o discurso sobre a data, feito pelo Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, pode ser visto na página da Associação Causa Imperial no Facebook, em https://pt-br.facebook.com/CausaImperial

sábado, 12 de dezembro de 2015

Íntegra da palestra "Princesa Isabel: exemplo excelso de amor ao Brasil, na dimensão fé e política"

O Blog Monarquia Já disponibiliza exclusivamente, na íntegra, a palestra proferida pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery, Coordenador do Movimento Legislação e Vida, no III Simpósio Conservador de Belo Horizonte (MG), em 7 de agosto de 2015.

  
PRINCESA ISABEL: EXEMPLO EXCELSO DE AMOR AO BRASIL, NA DIMENSÃO FÉ E POLÍTICA

O Professor Hermes durante sua palestra


Por Hermes Rodrigues Nery

Caríssimos amigos,

Com alegria, retorno a Belo Horizonte, ao qual agradeço pelo convite em participar deste III Simpósio Conservador, ao que parabenizo mais uma vez pela iniciativa, tendo em vista a importância de momentos como este, de aprofundamento, de intercâmbio de ideias e experiências, no sentido de nos ajudar a encontrar melhores meio de atuação, num contexto político atual, de deterioração moral em todos campos, em que as instituições estão capituladas, urge portanto retomar o sentido do civismo em nosso País, capaz de fazer revigorar nossas bases morais. Só assim conseguiremos superar a crise da representatividade e da legitimidade, para um governo sadio. Daí também a crise de liderança, da confiança em quem exerce funções diretivas, especialmente na gestão pública.

O problema todo que está na raiz desta debacle moral, e as suas terríveis consequências de desarranjo e instabilidade generalizada, é justamente porque “já não há um ambiente geral cristão”1, e sabemos que o cristianismo é, em todos os períodos da História, a força propulsora dos princípios e valores morais que dão solidez aos empreendimentos efetivamente comprometidos com o bem comum e a dignidade da pessoa humana. O fato é que “nos primeiros séculos de nossa era, o mundo não era cristão, chegou a sê-lo; hoje não o é. A diferença é que antes ainda não o era e hoje já não o é, e esta diferença é muito importante”2, por isso o agravamento em nível global da corrosão política, por faltar justamente aquilo que só o cristianismo pode oferecer. E para que possamos saber o que fazer em meio a crise em que vivemos, também no campo político, é preciso voltar a compreender o que é ser cristão, “para que o que é cristão possa voltar a ser compreendido”3.

A distinção entre César e Cristo, foi dada claramente pelo próprio Cristo, e mesmo a Igreja não tendo modelos políticos a propor, traz em sua doutrina moral e social, diretrizes imprescindíveis que inspiraram grandes lideranças (como Santa Joana d’Arc) e fizeram inclusive governantes santos, a exemplo de São Luís e São Thomas More, referências até hoje, no cristianismo, da verdadeira dimensão fé e política.

Foi justamente esta dimensão que contribuiu para o esplendor civilizacional, com a “conexão desta vida com a outra”4, dimensão sempre pontifícia [da ponte com a realidade sobrenatural, que é a origem e a destinação final de todos], pois o próprio Jesus disse a Pilatos: “O meu reino não ´deste mundo”5, mas começa aqui, na provisoriedade, o que será vivido plenamente na vida eterna. Imbuído dessa convicção, os governantes santos foram capazes de vigências morais a dar sentido [direção] à vida humana, para o essencial, e também porque não agiram com a tentação de “transformar em pão as pedras do deserto”6, deixando “Deus de lado”7, [é a tentação de hoje com a ideologização da fé], mas sabendo do maná do Senhor, e de Suas Leis, para que a política esteja também purificada de tais tentações, e as decisões dos governantes estejam mais em consonância com a verdade e o bem. Como destaca Bento XVI, “ordenar, construir o mundo de um modo autônomo, sem Deus”8 é o grande equívoco a tirar da política a sua base moral, vulnerabilizando com isso, pessoas e sociedades à ilusões, violências e infelicidades incontáveis.  “Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil”9. É o que estamos vendo hoje, inclusive em nosso País, e em toda a América Latina, quando grupos de poder, inteiramente amorais e imorais, aparelharam as instituições (e inclusive setores da Igreja) e tomam decisões, agindo com volúpia e abusos de poder, buscando impor uma ideologia irrealista que favoreça apenas tais grupos de poder e não a sociedade em geral. “Há uma ideologia que, no fundo, reduz tudo o que existe a um comportamento de poder. E essa ideologia destrói a humanidade e também e a Igreja10”. E a ideologização da fé traz também essa corrosão, e setores da Igreja instrumentalizados por tais grupos de poder acabam sendo coniventes com isso, alguns conscientes outros inconscientemente, mas quando se duvida da verdade sobre o primado de Deus na História, da Sua soberania, então tal ideologia subverte os valores e compromete a verdadeira dimensão fé e política. Por causa disso, hoje, a fé cristã “está ameaçada em toda a parte”11, fé e política ameaçadas por tais ideologias e estruturas do mal. Isso porque, aqueles que deveriam mais zelar pela causa de Deus, ao aderir a tais tentações, com pactos faustianos, intensificam assim as forças adversas ao cristianismo, forças do mal, pois “o mal tem poder através da liberdade do homem e cria então as suas estruturas. Porque existem, manifestamente, estruturas do mal”12. Daí a verdadeira dimensão fé e política estar sempre situada no contexto de um combate entre a cultura da vida e a cultura da morte. E os governantes santos, luminares da história, decidiram não fraquejar neste combate, e a exemplo de São Miguel Arcanjo, o primeiro combatente pela causa de Deus, souberam sofrer as dores inevitáveis para fazer valer os princípios e valores cristãos, também no campo político, para espelhar a bondade, a magnanimidade e a misericórdia de Deus, e mostrar ao mundo que somente Cristo é o Senhor e Salvador, somente com Ele é possível vencer o mal, somente Ele abrirá as portas do Céu.

Os governantes santos buscaram evitar portanto que a política fosse usada para a prática da iniquidade.  Assim agiu José do Egito, e tantos ao longo da História.

No Brasil, tivemos a Princesa Isabel, uma governante cristã e santa, que amou o País, talvez mais do que qualquer outra liderança política em nossa História, e sofreu por isso o mais longo exílio impingido a uma autoridade pública, e morreu sem poder ter voltado ao Brasil que tanto amou. Um exemplo de vida na dimensão fé e política, que teve claramente a visão do Brasil real em consonância com a sua profunda identidade católica, o Brasil que todos os que aqui vieram desde a chegada de Pedro Álvarez Cabral, e escreveram sobre o que viram [e também das mazelas que viram por aqui], mas atestaram, com vivo entusiasmo, a promissão deste País continental, “um país plural na raiz de seu ser histórico”13, nascido Terra de Santa Cruz, para dar ao mundo a contribuição civilizacional, na convergência de todas as culturas, inspirada no catolicismo “cimento da unidade nacional”14, que a Princesa Isabel, desde a infância, assumiu com ardor, a propulsionar a vocação e a missão do Brasil (que foi também a sua vocação e missão), como um país generoso, cujo “poderoso caldeamento”15, ainda hoje é esperança ao mundo, mas que somente com a seiva cristã vivificada será capaz de alcançar seu excelso destino promissor.
Como destaquei na primeira parte de um breve retrato biográfico da Princesa Isabel:

“...a orientação segura para o melhor desenvolvimento de sua personalidade, direcionando-a para a melhor realização como pessoa, foi sem dúvida, a influência cristã, cuja doutrina católica ela assimilou tão bem, e a viveu de um modo tão intenso e coerente, em todas as fases de sua vida… Isso porque sabemos que “‘o pensamento e a vida são inseparáveis’, do contrário não se é ‘possível compreender o que significa ‘católico’. Com esta convicção, a princesa Isabel buscou sempre afirmar a coerência de vida.”16

E ainda naquele breve retrato, ressaltei que a Princesa Isabel

“...demonstrou nos três períodos em que assumiu a Regência do País, o quanto amou o Brasil e direcionou sua ação em decisões que expressaram a sua convicção firmíssima na fé católica. E esta fé a preparou e a orientou para assumir a coerência de vida, em fidelidade à fé que a sustentou, e por causa disso perdeu o trono, vivendo a dor do mais longo exílio impingido a uma autoridade política brasileira. Até mesmo no infortúnio do ostracismo, distante da terra natal, ficou evidente “a devoção da princesa pelo Brasil e seu desejo de fazer o bem”. Seus inimigos e detratores, especialmente os republicanos de inspiração positivista e anticlerical, foram implacáveis em lançar sombras sobre a sua vida, patrulhando-a ideologicamente, silenciando sobre suas reconhecidas virtudes pessoais e cívicas, pois temiam o seu reinado por justamente ela ter comprovado ser uma governante cristã. Temiam mais ainda o seu retorno, porque ela tinha a afeição do povo, que a chamou em vida de “A Redentora”. Quando lhe propuseram recorrer às armas para retornar ao Brasil, ela recusou, pois “considerava o uso da força incompatível com o cristianismo”, do mesmo modo como agiu em relação ao movimento abolicionista, evitando a via da violência, para obter a libertação dos escravos. “Quando a política deixará de empregar meios que diminuem a grandeza moral dos povos e das pessoas? - Escreveu do exílio a João Alfredo Correia de Oliveira - É assim que tudo se perde e que nós nos perdemos. O senhor, porém, conhece meus sentimentos de católica e brasileira”. Lembrando D. Pedro II, que falecera num hotel em Paris, em 1891, destacou: “Meu Pai, com seu prestígio, teria provavelmente recusado a guerra civil como meio de tornar a voltar à pátria... lamento tudo quanto possa armar irmãos contra irmãos...”, pois ela “antes de tudo pensava nos mutilados, nas viúvas e nos órfãos”. Podemos dizer da menina carioca, nascida no Paço de São Cristovão, que um dia ascenderia ao trono brasileiro para reger com um coração cristão, o mesmo que Antonio Vieira expressara de Santa Isabel de Portugal, a quem o nome da nossa princesa faz evocação: “Isabel não só foi filha de rei (...) mas que filha! que mulher! que mãe!”17

E ainda naquele breve retrato biográfico, prossegui:

“No ditado em português, do caderno da Princesa D. Isabel, nº 12, ela exorta como os homens devem estampar a sua vida na história: como “uma alma pura, patriota e caridosa”, e exclama: “Como é belo passar-se à posteridade com a reputação de São Luiz, de Felipe Camarão!” Vidas exemplares marcadas por “pureza, patriotismo e caridade”. Tais valores não foram mencionados como um exercício meramente retórico, mas almejados por sua vida inteira, mesmo depois de ter perdido o trono, por justamente ser fiel a tais valores. Destaca também sua admiração por Henrique Dias “um dos grandes heróis do Brasil. Era preto e sua valentia não era menor do que a dos primeiros generais do seu tempo. Achou-se muitas vezes com Felipe Camarão e defendeu o Brasil contra a invasão holandesa. Assistiu à segunda batalha dos Guararapes, ficando ferido. El-rei de Portugal quis recompensá-lo e deu-lhe um hábito de Cristo”. De modo muito especial estava São Luís em suas devoções. Para ela, “Luís é um desses cristãos para quem a Paixão de Jesus é um acontecimento sempre contemporâneo e que deve fazer parte da ação no presente, e não somente no qual se busque um passado santo”. Vida de intensa espiritualidade, leigo cristão, pai de família, rei cruzado e legislador, eis um modelo que empolga a princesa Isabel, desde criança. “São Luís de França, o Rei Luís IX (1214-1270), participou de duas cruzadas ao Oriente, era responsável por inúmeras fundações religiosas, conventos e hospitais. Destacou-se por sua devoção cristã e práticas caridosas destinadas aos doentes, pobres, cegos e indigentes. Sua conduta, segundo relatos da época, era orientada por uma profunda admiração pela Igreja e por seus ministros. Apesar da distância cronológica que separa o rei medieval do índio setecentista (Felipe Camarão), ambos destacaram-se na luta contra os infiéis, favorecendo a expansão cristã católica, associados a um projeto político. Como almas puras, patriotas e caridosas, mereciam respeito e admiração da Princesa. D. Isabel parecia associar o patriotismo ao reconhecimento cristão”. Ainda no mesmo caderno de ditado em português, escreveu a Princesa: “A caridade é uma grande virtude. Deus nos diz no primeiro mandamento: ‘Amai a Deus sobre tudo e ao próximo como a ti mesmo’. Quantos exemplos de caridade nos deu Jesus Cristo em sua vida. Deixai os meninos vir a mim, disse ele um dia quando os discípulos despediam umas crianças (...) como não considerar esta virtude uma das primeiras? Ela deve sobretudo existir nos soberanos para serem considerados como pais de seus súditos. São Luís, rei de França, Santa Isabel de Portugal e Santo Estevão da Hungria são excelentes exemplos desta virtude”.18

Lembrava ainda em meu breve retrato biográfico:

“Sob o pulso forte da Condessa de Barral, foi possível uma educação “para que a formação espiritual da princesa correspondesse às suas responsabilidades sociais”.67 E muito cedo despertou-lhe também o apreço pela poesia, de sã influência. Nas poucas horas de lazer, havia tempo para as meninas recitarem versos como estes, do Visconde de Pedra Branca, pai da Condessa de Barral: “Poe na virtude Filha querida, De tua vida Todo o primor. Não dês á sorte, Que tanto ilude, Sem a virtude Algum valor”.19

E mais:

“A fé católica impregnou em sua alma jovem, com um tal enraizamento como a semente lançada em terreno muito receptivo. Os seus sentimentos, pensamentos e visão de mundo solidificaram-se de modo inteiramente cristão. “O incentivo vinha certamente da mãe”93, de fé madura, “marcado por uma tradição napolitana (...) de apoio irrestrito ao papa”.94 A princesa Isabel, assim como São Luís, sentiam-se membros “de um corpo, a Cristandade, que tinha duas cabeças, o Papa e o Imperador”.95 O poder espiritual dando diretriz ao poder temporal, sustentando-o com seus princípios e valores, tendo em vista “as riquezas de salvação”96, e não apenas prosperidade material, pois seus escritos de infância e adolescência, comprovam a sua convicção de que “a história não pode ser regulada longe de Deus por estruturas simplesmente materiais”97, pois “se o coração do homem não for bom, então nada pode tornar-se bom”.98 Com isso, teve “uma visão alegre da vida”99, da alegria que vinha do espírito das bemaventuranças, experimentando desde cedo, de modo privilegiado, o quanto foi querida e amada pelos pais. Viveu assim a expressão concreta de um Deus exigente, como fora com Abraão, Jacó e Moisés. Uma alegria sadia, purificadora e santificadora, manifestada de forma a encantar a tantos a sua volta, com quem irradia uma esperança de vida, mesmo em meio às dores e sombras inevitáveis. “Diante de uma sociedade cada vez mais secular, marcada por inúmeros problemas sociais e disputas político-partidárias, D. Isabel imaginava que uma sociedade melhor seria alcançada por meio da re-adoção de valores cristãos católicos”. Tais valores lhe deram segurança efetiva em meio à secularização crescente, com forças anticristãs que emergiam do Iluminismo e ganhavam força depois da Revolução Francesa. Tronos eram derrubados por esta força hostil à Igreja, principalmente na Europa, mas “as escolhas e apostas da Princesa”101 fizeram-na adotar uma “política do coração”, afirmada na convicção de que somente os valores cristãos lhe dariam “os suportes que julgava suficientemente estáveis”.20

Imbuída desses sentimentos e dessa convicção, é que ela assumiu, ainda jovem, o maior desafio enquanto governante do Brasil, nos três períodos de Regência, ao ter de encontrar uma resposta ao principal desafio política do seu tempo, o de promover a abolição dos escravos, sem derramamento de sangue, adotando assim a solução católica àquela grave questão.

Na primeira palestra que proferi, logo após sugerir ao Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta, a abertura do processo de beatificação da Princesa, Isabel, assim expus:

“As decisões que a Princesa Isabel tomou como regente, tornaram evidente que reconheceu antes de mais nada, o primado de Deus. Em seu tempo, surgiram e se intensificaram forças ideológicas contrárias à doutrina social cristã (cabe lembrar que o Manifesto Comunista é de 1848). E que ela perdeu o trono justamente no enfrentamento destas forças espirituais (cujas tensões ficaram evidentes no próprio movimento abolicionista, e que tal movimento só foi bem sucedido porque teve na Princesa Isabel a firmeza de fazer valer a fé católica no processo. E por isso é que foi possível evitar derramamento de sangue, e conter os ímpetos dos que queriam que se repetisse no Brasil as violências ocorridas, por exemplo, no Haiti e nos Estados Unidos.  Foi o catolicismo defendido pela Princesa Isabel,  que permitiu o êxito do maior movimento social da história deste país, e com um resultado jubilante. Tudo isso porque prevaleceu no processo o primado de Deus, que ela tão bem expressou em suas ações decisivas. No exílio, ela pôde melhor compreender o alcance do significado do mistério da fé na história.”21

E expliquei naquela conferência:

“Há muito o que descobrir da relevante atuação da princesa Isabel no movimento abolicionista, muito mais do que apenas ter assinado as Leis do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). Não tivesse ela assumido a regência e dado o tom tanto na gestão quanto na metodologia de trabalho e o movimento teria tido um rumo mais drástico e explosivo. Foi o componente católico que ela imprimiu e que a voz vigorosa de Joaquim Nabuco expressou, entre outras, que ressoou e influiu significativamente, não somente entre os proprietários rurais resistentes à abolição, mas principalmente entre os negros devotos organizados nas irmandades religiosas, especialmente a de Nossa Senhora do Rosário. Os antropólogos ficam admirados de ver como as irmandades católicas, de origem dos tempos medievais e instituídas tanto em Portugal quanto na África foram um elo de ligação entre os negros que queriam a sua libertação, mas sem o apelo à violência. As irmandades católicas, portanto foram decisivas para que o movimento abolicionista fosse bem sucedido, pois teve à frente uma governante mulher e cristã, que tão bem entendeu a alma do povo brasileiro.    Conta Didier Lahon que “na viragem do séc. XV para o XVI, alguns escravos negros já eram membros da confraria do Rosário de Lisboa. Essa opção pela Virgem do Rosário advinha de que ‘ a devoção ao Rosário, e a confraria que lhe estava confiada, pregava assim, como ainda hoje, o mais amplo ecumenismo social e racial, tentando derrubar, no seio da comunidade espiritual dos irmãos, as barreiras que os separavam na vida cotidiana’.

Foi o papa Pio V quem instituiu em 1573 a festa de Nossa Senhora do Rosário da Vitória para celebrar o êxito dos cristãos na Batalha de Lepanto. Desde então a devoção do rosário cresceu até os dias de hoje exercendo uma força misteriosa nos destinos dos países cristãos, especialmente na luta contra as forças hostis à Cristandade. Ainda hoje para nós católicos, é significativa a assinatura da Lei Áurea no dia 13 de maio, quase trinta anos antes, no mesmo dia, da aparição de Nossa Senhora de Fátima, oferecendo o rosário como arma contra os inimigos da Igreja.

‘Segundo o Papa Pio V a vitória teria se dado graças à interseção da Virgem, em resposta aos Rosários a ela oferecidos, e Gregório XIII, seu sucessor, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário, reforçando o Rosário como arma da vitória’.

A devoção ao rosário – sempre extremamente popular – foi muito difundida e aceita pelos escravos no Brasil, e foi esta devoção que exerceu grande influência – através da atuação das irmandades católicas – no movimento abolicionista. Isso é o que estão descobrindo os antropólogos e acadêmicos da atualidade.

John Thorton chamou atenção no meio acadêmico da ‘importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII”21 e “o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.’ Marina de Mello e Souza, a partir de pistas indicadas por Thorton, afirma que ‘no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora.’

E também os estudiosos perceberam entre os escravos no Brasil, duas formas de expressão religiosa que estarão manifestas no modo como atuaram no movimento abolicionista. Esta distinção resultará em duas opções de resistência: a do negro revoltoso e fugido, aquilombado, que se insurge contra o sistema escravista, pela via da violência. A outra opção foi a assumida pelas irmandades católicas, que agregou também em quilombos muitos negros devotos do rosário: a do negro alforriado, organizado para prestar auxílio aos demais, sem violência, agindo pela via institucional. Estas duas distinções têm relação as duas formas de expressão religiosa existentes durante a escravidão: ‘No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais. No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista.’ Foi em meio a este contexto que se deu a mobilização popular pela abolição, cujo papel das irmandades religiosas católicas foi decisivo para que o processo culminasse com a Lei Áurea. A Princesa Isabel percebeu, desde o início, tais tensões, e juntamente com outras lideranças, atuou para que o gradualismo não se estendesse demais, para não acirrar os conflitos (tanto dos proprietários rurais quanto dos escravos aquilombados que fugiam e partiam para a resistência com violência).

No entrechoque das posições assumidas pelos grupos atuantes, prevaleceu a solução católica, não imposta pelo governo nem por eclesiásticos, mas aceita naturalmente (e aí a importância do dado antropológico) por aqueles que sofriam a tragédia da escravidão e queriam se libertar da opressão, para serem aceitos como pessoas e não mercadoria, e não serem discriminados socialmente. Esse aspecto foi fundamental para preservar até hoje em grande parcela da população negra do País, uma devoção especial à Princesa Isabel, uma veneração imbuída de um profundo sentimento de gratidão, e é desta parcela significativa que vieram os primeiros testemunhos de sua fama de santidade, ainda em vida.”23 

Meus amigos! Eu poderia me estender aqui elencando tantos fatos vividos que comprovam as excelsas virtudes daquela que governou santamente este País e cujo reinado foi abortado pelos republicanos, quando ela tinha apenas 43 anos, e com quase por fazer.

E mais:

“Poucos meses antes, tendo vivido a sua entrada radiante em Jerusalém, com o glorioso 13 de maio, sentiu no exílio, as dores do Getsemani, e a partir de então, se associou ainda mais aos sofrimentos de Jesus, rei dos reis, despojado de sua majestade, escarnecido e humilhado, até a morte de cruz. No exílio, foi entendendo mais intensamente, as consequências da adesão àquele que é o verdadeiro Mestre, pois ‘o seguimento é expressão de conversão permanente a Jesus Cristo’. E na medida em que os anos no exílio foram lhe mostrando que talvez nunca mais voltasse mesmo a  ver o Brasil, continuou perseverante e se dedicando muito aos brasileiros, pois na sua vivência católica, de amor sempre universal, deu o testemunho de que ‘seguir é viver, amar, crescer em fidelidade, comprometer-se na construção do reino e solidarizar-se na justiça e na amizade’.

A princesa Isabel, pela sua formação e determinação, pelas suas opções e decisões, pelo modo como suportou as perdas e dores e da maneira como afirmou a fé, teve o sentido de Deus, numa época em que já se sentia poderosas correntes culturais e políticas decretando a morte de Deus no mundo, ela viveu e fez o que fez movida pela direção de Deus, que ‘compreende e dinamiza a pessoa inteira com toda a sua força e sua relação essencial’, pois, a história mostra de modo claríssimo de que ‘quem possui o sentido de Deus possui ao mesmo tempo o sentido da vida e do ser humano. Assim unem-se em síntese a escuta e a prontidão para a resposta existencial’.

Como Samuel, a princesa Isabel ainda muito jovem já havia expressado em seu coração aquele feliz ‘Eis-me aqui Senhor!’”24

Que hoje nós possamos, com o seu exemplo santificador, reencontrar lideranças cristãs, entre nós, na dimensão fé e política, novamente com [esse testemunho de amor pelo Brasil, no momento difícil e desafiante em que vivemos agora. Que ela possa interceder por lideranças política santas, para que haja o governo sadio que tanto precisamos, para que assim o Brasil alcance seu destino promissor.

Que Nossa Senhora Aparecida, rogue por nós, pelo bem do Brasil!

Muito obrigado!


NOTAS:

1.      RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 209, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
2.      MARÍAS, Julián, Problemas do Cristianismo, p. 55, Editora Convívio, São Paulo, 1979.
3.      RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 185, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
4.      MARÍAS, Julián, Problemas do Cristianismo, p. 37, Editora Convívio, São Paulo, 1979.
5.      Jo 18, 36.
6.      RATZINGER/BENTOXVI, Jesus de Nazaré, V. 1, p. 43, Editora Planeta, São Paulo, 2007.
7.      Ib. p. 41
8.      Ibidem.
9.      RATZINGER, Joseph, citado em “Poder Global e Religião Universal”, de Mons. Juan Cláudio Sanahuja, p. 5, Editora Ecclesiae, 2012.
10.    RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 133, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
11.    verificar
12.    RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 176, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
13.    REALE, Miguel, Variações, 2ª edição ampliada, p. 60, Edições GRD, São Paulo, 2000.
14.    FREYRE, Gilberto, Casa Grande & Senzala, pp. 91-92, Global Editora, 49ª edição, São Paulo, 2004.
15.    REALE, Miguel, Variações, 2ª edição ampliada, p. 63, Edições GRD, São Paulo, 2000.
16.    http://pt.scribd.com/doc/112183606/Breve-Retrato-Biografico-da-Princasa-Isabel-por-Hermes-Rodrigues-Nery
17.    Ibidem.
18.    Ibidem.
19.    Ibidem.
20.    Ibidem.
21.http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2011/12/catolicidade-da-princesa-isabel.html
22.    Ibidem.
23.    Ibidem.

24.    Ibidem.

domingo, 6 de dezembro de 2015

O testamento político de Dom Pedro II

Sua Majestade Imperial o Senhor Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, aos 46 anos de idade, em trajes majestáticos, durante a Falla do Trono, na abertura do Parlamento brasileiro em 1872, obra de Pedro Américo, Museu Imperial de Petrópolis 


Marcando os 190 anos de nascimento (2 de dezembro) e 124 de falecimento (5 de dezembro) do Imperador Dom Pedro II, maior Estadista brasileiro, o Blog Monarquia Já, com exclusividade - através do acervo do monarquista Jean Menezes do Carmo, publica o testamento político do Imperador.

O documento, escrito no exílio de Cannes, em 23 de abril de 1891, foi publicado no Brasil apenas em 1925, pela revista “Illustração Brasileira” e agora, através do Blog Monarquia Já, disponibilizado na internet, e é um interessante manual que demonstra a visão do Imperador Dom Pedro II sobre saúde, educação, economia e política. São notáveis seus projetos, que escritos ainda no século XIX, alguns ainda não tomaram forma, e outros foram implantados como grande novidade e inovação pela república há poucos anos. O testamento político de Dom Pedro II serve para que se possa, de forma isenta e imparcial, traçar um comparativo entre aquele governante com os que a república legou ao Brasil.

Confira as imagens e, abaixo, a transcrição (a grafia original foi mantida):

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Acervo Jean Menezes do Carmo
Revista Illustração Brasileira
Exclusividade Blog Monarquia Já

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Acervo Jean Menezes do Carmo
Revista Illustração Brasileira
Exclusividade Blog Monarquia Já


Creio em Deus. 
Fez-me a reflexão sempre conciliar as suas qualidades infinitas: Previdencia, Omnisciencia e Misericordia. Possuo o sentimento religioso, innato ao homem, é despertado pela comtemplação da natureza. Sempre tive fé e acreditei nos dogmas. O que sei, devo-o, sobretudo, á pertinacia.
Reconheço que sou muito somenos do que é relativo aos dotes da imaginação, que posso bem apreciar nos outros. Muito me preocuparam as leis sociaes; e não sou o mais competente para dizer a parte que de continuo tomei em meu estudo de applicação. Sobremaneira me interessei pelas questões economicas, estudando com todo o cuidado as pautas das alfandegas no sentido de proteger as industrias naturaes até o período do seu prospero desenvolvimento.
Invariavelmente propendi para a instrucção livre, havendo sómente inspecção do Estado quanto á moral e á hygiene, devendo pertencer a parte religiosa ás famílias e aos ministros das diversas religiões. Pensei tambem no estabelecimento de duas Universidades uma no norte e outra no sul, com as faculdades e institutos necessarios e portanto apropriados ás differentes regiões, sendo o provimento das cadeiras por meio de concurso.
Egreja livre no Estado livre; mas isso quando a instrucção do povo pudesse aproveitar de taes institutos. Estudei com cuidado o que era relativo á moeda corrente e se prendia á questão dos bancos. Quanto á legislação sobre privilegio, oppuz-me aos que se ligam á propriedade literaria, sustentando assim as opiniões de Alexandre Herculano antes que elles as tivesse manifestado.
Cautelosa e insistentemente estudei questões de immigração sobre a base da propriedade e o aproveitamento das terras, explorações para o conhecimento das riquezas naturaes, navegação de rios e differentes vias de communicação. Pensava na installação de um bom observatorio astronomico, moldado nos mais modernos estabelecimentos desse genero. Segundo as minhas previsões e estudos, poderia ser superior ao de Nice.
Cogitei sempre em todos os melhoramentos para o exercito e a marinha, afim de que estivessemos preparados para qualquer eventualidade, embora contrario ás guerras. Buscava assim evital-as. Preocuparem-me seriamente os estudos de hygiene publica e particular de modo a nos livrar das epidemias; e isso sem grande vexame para as populações.
Acompanhava-me sempre a idéa de vêr o Brasil que me é tão caro, o meu Brasil sem ignorancia, sem falsa religião, sem vicios e sem distancias. Para mim o homem devia ser regenerado e não suprimido; e por isso, muito estudava a penalidade, tomando grande parte no que se fez relativamente a prisões e pensando todas as questões modernas, que tendiam ao seu melhoramento.
Procurei abolir a pena capital, tendo encarregado o Visconde de Ouro Preto de apresentar ás Camaras um projecto para a abolição legal da mesma pena.
Pacientemente compulsava todos os processos para a commutação da pena ultima: quando não encontrava base para isso, guardava-os, sendo a incerteza já uma pena para os réos.
Muito me esforcei pela liberdade das eleições e, como medida provisoria, pugnei pela representação obrigada do terço, preferindo a representação uninominal de circulos bem divididos; pois o systema, ainda por ora impraticavel, deve ser o da maioria de todos os votantes de uma nação. Conselho de Estado, organizado o mais possivel como o da França, reformando-se a Constituição para que pudesse haver direito administrativo contencioso.
Provimento de logar de magistratura, por concurso perante tribunal judiciario para formar lista dos mais habilitados, onde o governo pudesse escolher; concurso tambem para os logares de administração; categorias de presidencias para que se preparassem os que devião regel-as, conforme a importancia de cada um. Trabalhei muito para que só votasse quem soubesse ler e escrever, o que supõe riqueza moral e intelectual, isto é, a melhor.
Sempre procurei não sacrificar a administração á politica.                                         
Cogitava na construção de palacios para os ramos legislativo e judiciario e para a administração, para bibliotheca e exposições de differentes especies, para conferencias publicas. Nunca me descuidei de sorte physica do povo, sobretudo em relação as habitações salubres e a preço commodo é á sua alimentação. Nunca deixei de estudar um só projecto, discutindo com os seus autores e procurando estabelecer-me.
O meu dia era todo ocupado no serviço publico e jamais deixei de ouvir e fallar a quem quer que fosse. Lia todas as folhas e jornais da capital e alguns das províncias para tudo conhecer por mim quanto possivel, e mandava fazer e fazia extractos nos das províncias dos fatos mais importantes que se ligavam á administração, com a idéa constante de justiça a todos.
Assisti a todos os actos públicos para poder vêr e julgar por mim mesmo.
Em extremo gostei do theatro dramático e lyrico, cogitando sem cessar da idéa de um theatro nacional. Nunca me esqueci da Academia de Bellas Artes, pintura, esculptura, desenho e gravura, e fiz o que pude pelo Lyceu de Artes e Officios. Desejava estabelecer maior numero de dioceses, conforme comportasse o território, assim como differentes seminarios. Sempre me interessei pelas expedições scientificas, desde a do Ceará, que publicou trabalhos interessantes, lembrando-me agora a de Agassiz e de algumas que ilustrarão nossos patricios no continente europeu.
Presidia ultimamente a comissão encarregada do Codigo Civil e esperava que, em pouco tempo, apresentasse ella trabalho digno do Brasil.
Pensava na organização de instituto scientifico e literario, como o de França, utilisando para isso alguns estabelecimentos de instrucção superior que já possuimos; e para isso eu encarreguei o Dr. Silva Costa e outros de formarem projectos de estatutos.
Sempre procurei animar palestras, sessões, conferencias scientificas e literarias, interessando-me muito pelo desenvolvimento do Museu Nacional.
O que ahi fez o Dr. Conty tornou esse estabelecimento conhecido na Europa; muitos dos trabalhos do Museu são hoje citados e applaudidos. 
Preocuparam-me as escolas praticas de agricultura e zootechnia. 
Dei toda a atenção ás vias de comunicação de todas as especies no Brasil, tendo feito, além de outros, estudo especial dos trabalhos do celebre engenheiro Haukshaw relativos aos melhoramentos da barra do Rio Grande do Sul. Do mesmo modo, tudo quanto se referia estabelecer a circulação do Brasil por agua desde o Amazonas até ao Prata e dahi ao S. Francisco, da fóz para o interior ligando-se por estradas de ferro a região dos Andes ás bacias do Prata e Amazonas. 
Oxalá pudesse a navegação por balões aerostaticos tudo dispensar e, elevando-se bem alto assim como submarina aprofundando-se bastante, nos livrassem ambas das tempestades. 
São, porem, devaneios... 
Nas preocupações scientificas e no constante estudo é que acho consolo e me preservo das tempestades moraes... 
Dom Pedro de Alcantara 
Cannes, 23 de abril de 1891.           

Com a cabeça repousada em travesseiro de terra brasileira, Dom Pedro II morto em 1891, no hotel Bedford, em Paris

O jornal francês da destaque ao honroso funeral que o governo republicano da França ofereceu a Dom Pedro II. O governo republicano brasileiro ameaçou romper suas relações com aquele país pela distinção dada ao Imperador
Imagem: Le Petit Journal

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Quadro do Imperador Dom Pedro II em trajes majestáticos pode ser visitado na Pinacoteca do Estado de São Paulo

Marcando os 190 anos de nascimento do Imperador Dom Pedro II, a Pinacoteca do Estado de São Paulo realizou um cerimonia de apresentação do quadro “Imperador Dom Pedro II em traje de gala”, a obra, de 1847, de autoria do renomado pintor Raymond Auguste Quinsac Monvoisin retrata o grande estadista em trajes majestáticos. 

O quadro, que pertence a Dom João Henrique de Orleans e Bragança e é mantido na família desde os tempos do Império, foi oferecido em comodato e agora pode ser visitado pela população.

Quadro "Imperador Dom Pedro II em traje de gala" em exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo 
Imagem: divulgação


É possível visitar a Pinacoteca do Estado de São Paulo de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h). O endereço é Praça da Luz, 2. Telefone: 11 3324-1000.   

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Dona Christine de Orleans e Bragança completa 60 anos

“Devemos orgulhar-nos desta corajosa e batalhadora Nação, que, apesar de imensas dificuldades, continua de cabeça erguida, sabendo que estamos sempre guiadas pela Santíssima Trindade, que nunca nos abandonará”, esta é a síntese do pensamento de S.A.R., Dona Christine sobre o seu dever de Princesa. Exemplo de filha, esposa e mãe, reúne todas as qualidades de uma grande dama.

Baseado na entrevista concedida ao boletim informativo "Herdeiros do Porvir", em dezembro de 2014, Blog Monarquia Já rende homenagens a Princesa Dona Christine pelos seus 60 anos.

Dona Christine nasceu em 11 de agosto de 1955, no Castelo de Beloeil, situada na província belga de Hainaut, distante 50 km da capital, Bruxelas. Filha de Antoine, 13º Príncipe Titular de Ligne e da Princesa Alix, nascida Princesa de Luxemburgo, Bourbon e Parma, Dona Christine resume desta forma a história de sua família: “os primeiros documentos sobre minha Família paterna remontam a 1030. Há mais de setecentos anos, Beloeil faz parte da Família, ou seja, desde o século XIV. Na passagem do século XVI para o século XVII, um antepassado meu, Lamoral de Ligne, recebeu, do Imperador Rodolfo II, o título de Príncipe do Santo Império.

Pelo lado materno, descendo dos Grão-Duques de Luxemburgo, da Casa de Nassau-Orange, dos Bourbon-Parma e, também, vou entroncar na Casa Real Portuguesa, pois minha bisavó era neta do Rei Dom Miguel de Portugal, irmão do Imperador Dom Pedro I. Meu marido e eu somos, pois, primos em 8º grau, já que ambos descendemos de dois irmãos, filhos do Rei Dom João VI”.

De fato, Dona Christine possui estreitas relações com diversas famílias Reais da Europa. É prima do Grão-Duque do Luxemburgo, prima dos Príncipes de Bourbon Parma, dos Bourbon Duas Sícilias, dos Saxe-Coburgo-Gotha (Família Real da Bélgica), Wettin (Casa Real da Saxônia), Wittelsbach  (Casa Real da Baviera), com os Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, entre muitos outros.

Criada no Castelo de sua família, propriedade adquirida em 1394 e que hoje, aberto a visitação, recebe milhares de visitantes por ano, Dona Christine teve educação esmerada, sob os cuidados da mãe.  O Príncipe Antoine sempre fez questão de reforçar que as condições em que haviam nascido, obrigavam-lhes a se tornaram exemplos para a sociedade e exigiam postura moral muito séria. Este ambiente, com séculos de história e uma rígida educação, favoreceram que a Princesa valorizasse a tradição e amplia-se seu sendo de dever histórico. Dona Christine estudou em conceituadas escolas de Tournai, concluindo sua profissionalização em Paris e Bruxelas, onde se formou no Instituto Superior de Tradutores e Intérpretes, o ISTI. Tendo na caridade uma das suas maiores virtudes, sob o comando das Irmãs da Ordem de Santa Cruz, a Princesa realizou trabalhos humanitários na Índia. Trabalhou assiduamente com crianças deficientes, profissionalizando-se nesta área de atuação. Recentemente a Princesa declarou que “gostaria muito de continuar tendo contato com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e outras entidades do gênero. Sinto-me bem nesse trabalho voluntário”. Em recentes visitas a Portugal e ao estado de Minas Gerais, a Princesa pôde visitar hospitais e instituições de caridade.

Em 26 de setembro de 1981, Dona Christine se casou com Dom Antonio de Orleans e Bragança. Os Príncipes se conheceram em eventos familiares na Europa, vindo a estreitar laços durante o estágio que o Príncipe Dom Antonio realizou na Alemanha. A visita da Princesa ao Brasil, para assistir ao casamento do irmão, o Príncipe Michel com a irmã de Dom Antonio, Dona Eleonora, “só consolidou sentimentos já existentes entre nós dois”. O casamento foi realizado no Castelo de Beloeil na presença de membros das famílias Reais e Nobres. Um dos padrinhos foi o Grão-Duque Henri e a Grã-Duquesa Maria Teresa de Luxemburgo. Com o casamento, iniciava-se uma das principais dificuldades da vida de uma Princesa: renunciar seus interesses pessoais, deixar a família, para assumir uma nova nacionalidade, conhecer outra cultura e servir aos interesses da Pátria que adotou como sua.

No Brasil, Dona Christine residiu em Petrópolis, ambiente propício para criação dos filhos que teve: Dom Pedro Luiz (1983-2009), Dona Amélia (1984), Dom Rafael (1986) e Dona Maria Gabriela (1989). Na cidade, fundada pelos antepassados do marido, a Princesa pôde educa-los para servir o Brasil, “assim como fez Dom Pedro II. Quando a Princesa Isabel perguntou a seu pai “‘Então, este povo me pertence?’”, o Imperador Dom Pedro II respondeu: “’Não, minha filha, você é que pertence a este povo’”, concluindo: “meus filhos foram educados aprendendo a respeitar o próximo, a tratar todos como gostariam de ser tratados, sempre com muita sensibilidade e compreensão”. Dom Antonio e Dona Christine se mudaram para o bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro, para estarem perto dos filhos que foram estudar na capital.

O perfil ideal desta dama, que de acordo com a ordem de sucessão, poderá ser Imperatriz do Brasil, contrasta com os modelos que atualmente estão em vigor. A biografia de Dona Christine, acrescida de seus valores morais e éticos, são a garantia do futuro monárquico do Brasil. Sua erudição e seu senso de dever, aliados a cultura, a formação profissional e a vivência adquirida por sua sólida educação, são exemplos da superioridade do regime monárquico. Sua conduta, reconhecida por todos os monarquistas, é responsável por uma das maiores propagandas deste sistema de governo, contrastando severamente com os da república. A dedicação à família, a criação dos filhos na preparação para o serviço da nação e o fortalecimento do dever histórico que fez surgir naqueles Príncipes, é a maior demonstração de amor a este país, que adotou como sua Pátria.

Atenta a situação do nacional, Dona Christine destaca: “Eu e meus filhos temos esperança em nosso querido Brasil”, afinal são 60 anos, dos quais 34 dedicados ao Brasil e aos brasileiros. 

Acompanhe algumas imagens exclusivas dos arquivos do Blog Monarquia Já e do acervo do monarquista Jean Menezes do Carmo: 

Em 1966, Dona Christine (primeira sentada da esquerda para direita), então com 11 anos de idade, compondo a turma da 7º classe do Internato das Freiras Dominicanas de Froyennes
Imagem: Facebook - pesquisa Rafael Cruz

Exclusivo: o convite do casamentos do Príncipes Dom Antonio e Dona Christine, enviado por parte dos Príncipes de Ligne
Imagem: Acervo Jean Menezes do Carmo


Exclusivo: o convite do casamentos do Príncipes Dom Antonio e Dona Christine, enviado por parte do Chefe da Casa Imperial do Brasil
Imagem: Acervo Jean Menezes do Carmo


Exclusivo: Revista Point de Vue noticia do casamento
Imagem: Acervo Jean Menezes do Carmo


Exclusivo: Revista Point de Vue noticia do casamento
Imagem: Acervo Jean Menezes do Carmo




Exclusivo: Revista Point de Vue noticia do casamento
Imagem: Acervo Jean Menezes do Carmo


Exclusivo: Revista Point de Vue noticia do casamento
Imagem: Acervo Jean Menezes do Carmo

Já no Brasil, os Príncipes depois de casados
Imagem: Acervo Blog Monarquia Já

Os Príncipes com três dos quatro filhos, em Petrópolis: da direita para esquerda, a Princesa Dona Amélia, Senhora Spearman, Dom Pedro Luiz e Dom Rafael 
Imagem: Acervo Blog Monarquia Já

Dom Antonio e Dona Christine com os filhos 
Imagem: Acervo Blog Monarquia Já

A Família Imperial reunida na presença do Abade Emérito do Mosteiro do Rio de Janeiro, Dom José Palmeiro Mendes, durante um evento no Outeiro da Glória
Imagem: Acervo Dom José Palmeiro Mendes   


Com as irmãs, as Princesa Ana Maria, Sra. Olivier Mortgat, Sofia, Condessa Filipe de Nicolay e Iolanda, Sra. Hugo Townsend, durante os funerais do 13º Príncipe Titular de Ligne, seu pai, em 2005
Imagem: Eric VdV

Os Príncipes cumprimentam as crianças artistas de Vila Isabel, da ONG CEACA

Em Luxemburgo, o Príncipe Dom Antonio e a Princesa Dona Christine, representando o Chefe da Casa Imperial do Brasil, chegam para o casamento do Grão-Duque Hereditário Guillaume, com a Condessa Stéphanie de Lannoy
Imagem: RTL


Em uma das muitas tarefas representativas, Dona Christine é presentada durante encontro monárquico no Paraná. Por sua postura, nobreza e marcante presença, a Princesa chama a atenção de todos
Imagem: divulgação

Durante a celebração de 80 anos da construção do Cristo Redentor. Dom Antonio e Dona Christine profundamente religiosos, tiveram em comum a educação cristã
Imagem: Canção Nova 

Durante o Encontro Monárquico do Rio de Janeiro em 2014, o casal ocupa o centro da mesa de honra
Imagem: Cristina Froes

Dona Christine e Dom Antonio, representando a Chefia da Casa Imperial do Brasil, são recebidos pela primeira dama Mary e o prefeito de Juiz de Fora, Custódio Mattos
Imagem: Prefeitura de Juiz de Fora

Dom Antonio e Dona Christine comparecem as solenes comemorações na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, no Rio de Janeiro
Imagem: divulgação



No mês em que Sua Alteza Real, a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança completa 60 anos, o Blog Monarquia Já a parabeniza, agradecendo pelo amplo serviço em prol do Brasil e na representação da Casa Imperial.  

ATENÇÃO


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